quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

CNBB lança campanha da fraternidade 2016

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), lançaram nesta quarta-feira (10), em Brasília, a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, intitulada “Casa Comum, nossa responsabilidade”.
O foco da campanha deste ano é o saneamento básico. De acordo com as entidades, o saneamento básico já era um tema previsto para a campanha há dois anos, mas se tornou ainda mais urgente em 2016. As entidades ressaltam que o tema também serve como alerta para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus da zika, da dengue e a febre chikungunya.
Segundo o presidente da CNBB, Dom Sergio da Rocha, as entidades estão preocupadas com a “ameaça” do vírus às famílias brasileiras.
“Infelizmente a nossa casa comum está sendo hoje assolada pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor de  doenças, e a nossa família comum está sofrendo e morrendo por causa das  enfermidades transmitidas por ele. E a falta de saneamento básico tem contribuído para a proliferação dos mosquitos”, afirmou Dom Sergio.
O ministro das cidades, Gilberto Kassab, também participou da cerimônia de lançamento da campanha e afirmou que o Brasil ainda precisa avançar nas políticas públicas de saneamento básico. Para ele, há uma relação “muito forte” entre a ausência do tratamento sanitário adequado e proliferação do mosquito.
“[A proliferação do vírus] efetivamente tem uma relação muito forte com a ausência de tratamento e de esgotamento sanitário nas dimensões determinadas pelas organizações sociais. O Brasil, infelizmente, está ainda aquém desses índices [de saneamento básico]. Por mais que nos últimos 11 anos tivemos melhorias, que não tivemos em outras épocas do Brasil, ainda deixamos a desejar”, afirmou o ministro.
Segundo Kassab o governo está tratando o assunto como prioridade e vai investir cada vez mais no saneamento básico.
“É fundamental que possamos investir cada vez mais para que possamos ter condições de combater epidemias para que possamos proporcionar qualidade de vida às pessoas”, disse.
FONTE: http://www.maispb.com.br/158869/cnbb-lanca-hoje-campanha-da-fraternidade-2016.html

QUARESMA 2016

Mensagem do Papa para a Quaresma 2016


“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis

Papa Francisco


Disponível em: http://br.radiovaticana.va/news/2016/01/26/mensagem_do_papa_para_a_quaresma_2016/1203737

quarta-feira, 1 de abril de 2015

QUARESMA - 5º DOMINGO



Na liturgia do 5º Domingo da Quaresma ecoa, com insistência, a preocupação de Deus no sentido de apontar ao homem o caminho da salvação e da vida definitiva.

A Palavra de Deus garante-nos que a salvação passa por uma vida vivida na escuta atenta dos projetos de Deus e na doação total aos irmãos.

O Evangelho convida-nos a olhar para Jesus, a aprender com Ele, a segui-l’O no caminho do amor radical, do dom da vida, da entrega total a Deus e aos irmãos. O caminho da cruz parece, aos olhos do mundo, um caminho de fracasso e de morte; mas é desse caminho de amor e de doação que brota a vida verdadeira e eterna que Deus nos quer oferecer. Ouçam com atenção:

Meus amigos, nestes dias que antecedem a grande festa da vida, vamos proclamar com mais intensidade a nossa fé, colocando em prática tudo que aprendemos nesta nossa caminhada de preparação para a Páscoa!

Ao longo deste tempo Quaresmal, em que buscamos uma proximidade maior com Deus, podemos dizer que muita coisa já mudou em nós! Já temos a consciência de que não podemos viver de qualquer jeito, de que precisamos viver do jeito de Jesus, sem fugirmos das cruzes, sem buscarmos atalhos pra encurtar o caminho.

O evangelho do 5º Domingo da Quaresma nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, a assumir a fé com todas as suas consequências!

Enquanto as autoridades judaicas tramavam a morte de Jesus, alguns gregos, que haviam subido para Jerusalém, a fim de adorar a Deus durante a Páscoa dos Judeus, sentiram-se desejosos de ver Jesus!

Certamente, aqueles gregos já haviam ouvido falar de Jesus. Ao invés de irem diretamente a Ele, optaram por um intermediário, eles aproximaram-se de Felipe e disseram: “Senhor, queremos ver Jesus!” Felipe convidou André e os dois, levaram o fato ao conhecimento de Jesus, que ao invés de combinar um encontro com os gregos, Ele dirige-se aos discípulos, aproveitando aquela oportunidade, para falar da sua volta ao Pai!

Jesus sabia de tudo que estava para lhe acontecer, mas Ele não foge do confronto. Mesmo no momento crucial de sua vida, quando a angústia já tomava conta do seu coração “humano,” Jesus ainda encontra força para falar da fecundidade da vida, referindo-se sobre os frutos que seriam produzidos com a sua morte!

No caminho para a cruz, Jesus fala de vida, dando o exemplo de uma semente que só produz frutos, quando cai na terra e morre! Falando de uma semente, Jesus fala de si mesmo, Ele seria aquela semente que morreria na terra para produzir frutos!

Falando claramente de sua morte, Jesus, delega aos discípulos, a incumbência de torná-Lo conhecido, não somente pelos gregos, mas pelo mundo inteiro, o que realmente aconteceu depois de sua morte e ressurreição!

Foi a partir da Cruz, que Jesus tornou conhecido em todos os rincões da terra!

Finalizando a sua missão aqui na terra, Jesus advertiu aos discípulos e hoje a nós, sobre o perigo do apego a nossa vida terrena! A sua mensagem é clara: somente quem é desapegado, desprendido, é livre para servir!

Ora, o primeiro passo de quem quer seguir Jesus deve ser renunciar a si mesmo, para tornar-se um servidor do Reino! A opção deve ser radical! Um verdadeiro seguidor de Jesus deve apresentar-se a Ele, completamente livre de qualquer apego.

Meus amigos, muitos querem "ver" Jesus, mas desconhecem o caminho para chegar até Ele! Então, sejamos como Felipe, tornemo-nos caminho para que o outro possa, chegar à Jesus! Para que o outro possa conhecer Jesus e descobrir um tesouro de valor incalculável.

Brasília 20 de março de 2015.

QUARESMA - 4º DOMINGO



A liturgia do 4º Domingo da Quaresma garante-nos que Deus nos oferece, de forma totalmente gratuita e incondicional, a vida eterna. Deus nos amou de tal forma que enviou o seu Filho único ao nosso encontro para nos oferecer a vida eterna. Somos convidados a olhar para Jesus, a aprender com Ele a lição do amor total, a percorrer com Ele o caminho da entrega e do dom da vida. É esse o caminho da salvação, da vida plena e definitiva.

No evangelho, Jesus começa por explicar a Nicodemos que o Messias tem de “ser levantado ao alto”, como “Moisés levantou a serpente” no deserto (a referência evoca o episódio da caminhada pelo deserto quando os hebreus, mordidos pelas serpentes, olhavam uma serpente de bronze levantada num estandarte por Moisés e se curavam). A imagem do “levantamento” de Jesus refere-se, naturalmente, à cruz – passo necessário para chegar à exaltação, à vida definitiva. É aí que Jesus manifesta o seu amor e que indica aos homens o caminho que eles devem percorrer para alcançar a salvação, a vida plena..

Aos homens é sugerido que acreditem no “Filho do Homem” levantado na cruz, para que não pereçam, mas tenham a vida eterna. “Acreditar” no “Filho do Homem” significa aderir a Ele e à sua proposta de vida; significa aprender a lição do amor e fazer, como Jesus, dom total da própria vida a Deus e aos irmãos. É dessa forma que se chega à “vida eterna”.

Jesus, o “Filho único” enviado pelo Pai ao encontro dos homens para lhes trazer a vida definitiva, é o grande dom do amor de Deus à humanidade. Jesus, o “Filho único” de Deus, veio ao mundo para cumprir os planos do Pai em favor dos homens. Para isso, encarnou na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizam os homens, foi preso, torturado e morto numa cruz.

A cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega. A cruz é, portanto, a expressão suprema do amor de Deus pelos homens. Ela dá-nos a dimensão do incomensurável amor de Deus por essa humanidade a quem Ele quer oferecer a salvação.

Qual é o objetivo de Deus ao enviar o seu Filho único ao encontro dos homens?

É libertá-los do egoísmo, da escravidão, da alienação, da morte, e dar-lhes a vida eterna. Com Jesus – o “Filho único” que morreu na cruz – os homens aprendem que a vida definitiva está na obediência aos planos do Pai e no dom da vida aos irmãos, por amor.

Ao enviar ao mundo o seu “Filho único”, Deus não tinha uma intenção negativa, mas uma intenção positiva. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens – a todos os homens – a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos.

Deus enviou o seu Filho único ao encontro de homens pecadores, egoístas, auto-suficientes, a fim de lhes apresentar uma nova proposta de vida… E foi o amor de Jesus – bem como o Espírito que Jesus deixou – que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, auto-suficientes e os inseriu numa dinâmica de vida nova e plena.

Diante da oferta de salvação que Deus faz, o homem tem de fazer a sua escolha. Quando o homem aceita a proposta de Jesus e adere a Ele, escolhe a vida definitiva; mas quando o homem prefere continuar escravo de esquemas de egoísmo e de auto-suficiência, rejeita a proposta de Deus e auto-exclui-se da salvação.

A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prêmio ou um castigo que Deus dá ao homem pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre do homem, face à oferta incondicional de salvação que Deus lhe faz. A responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna não recai, assim, sobre Deus, mas sobre o homem.

Em resumo: porque amava a humanidade, Deus enviou o seu Filho único ao mundo com uma proposta de salvação. Essa oferta nunca foi retirada; continua aberta e à espera de resposta. Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação.



Brasília, 13 de março de 2015.

QUARESMA - 3º DOMINGO


A passagem do Evangelho do 3º Domingo da Quaresma está logo imediatamente a seguir ao sinal de Jesus em Caná da Galileia. Há algumas expressões e frases que se repetem nas duas cenas e fazem pensar que o autor tenha querido criar um contraste entre os dois episódios.

Em Caná, uma aldeia da Galileia, durante uma festa de bodas de casamento, uma mulher hebreia, a mãe de Jesus, demonstra uma confiança ilimitada em Jesus e convida a acolher a sua palavra. Por outro lado, “os judeus” durante a celebração da Páscoa em Jerusalém recusam acreditar em Jesus e não acolhem a sua palavra.

Em Caná Jesus fez o primeiro sinal, aqui os judeus pedem um sinal, mas não aceitam o sinal que Jesus lhes dá. A ação e a palavra de Jesus suscitam duas reações. A primeira, a dos discípulos, é de admiração; a segunda, a dos “judeus”, é de desacordo e de confrontação. Eles pedem uma explicação a Jesus, mas não estão abertos a acolhê-la.

“Os judeus” não podem entender o verdadeiro significado da palavra de Jesus. Nem mesmo os discípulos, que o admiram como um profeta cheio de zelo pela causa de Deus, a podem entender agora: somente depois do seu cumprimento acreditarão na palavra de Jesus.. Mas esta fé baseada somente nos sinais não entusiasma Jesus.

Algumas perguntas para ajudar na meditação e na oração

- Sou capaz de me confiar completamente a Deus num ato de fé ou peço sempre sinais?

- Sou capaz de confiar a minha família a Deus?

- Deus proporciona-me muitos sinais da sua presença na minha vida. Acolho-os?

- Contento-me com um culto exterior ou procuro oferecer a Deus o culto da minha obediência na vida diária?

- Quem é Jesus para mim?


Brasília, 06 de março de 2015.

QUARESMA - 2º DOMINGO


No 2º Domingo do Tempo da Quaresma a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, é apresentada uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projeto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.

Literariamente, a narração da transfiguração é uma teofania – quer dizer, uma manifestação de Deus. Os sinais tais como: o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturbação daqueles que presenciam o encontro com o divino são elementos evidentes de uma teofania. Não estamos diante de um relato fotográfico de acontecimentos, mas de uma catequese, destinada a ensinar que Jesus é o Filho amado de Deus, que traz aos homens um projeto que vem de Deus.

O monte situa-nos num contexto de revelação: é sempre num monte que Deus Se revela; e, em especial, é no cimo de um monte que Ele faz uma aliança com o seu Povo.

A mudança do rosto e as vestes brilhantes, muitíssimo brancas, recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai, depois de se encontrar com Deus e de ter as tábuas da Lei.

A nuvem, por sua vez, indica a presença de Deus: era na nuvem que Deus manifestava a sua presença, quando conduzia o seu Povo através do deserto.

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva.

O temor e a perturbação dos discípulos são a reação lógica de qualquer homem ou mulher, diante da manifestação da grandeza, da onipotência e da majestade de Deus.

As tendas parecem aludir à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”, no deserto.

A mensagem fundamental pretende dizer quem é Jesus, que Ele é o Filho amado de Deus, em quem se manifesta a glória do Pai. Ele é, também, esse Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias).

Mais ainda: Ele é um novo Moisés – isto é, Aquele através de quem o próprio Deus dá ao seu Povo a nova lei e através de quem Deus propõe aos homens uma nova Aliança.

Da ação libertadora de Jesus, o novo Moisés, irá nascer um novo Povo de Deus. Com esse novo Povo, Deus vai fazer uma nova Aliança; e vai percorrer com ele os caminhos da história, conduzindo-o através do “deserto” que leva da escravidão à liberdade.

Meus amigos, a questão fundamental expressa no episódio da transfiguração está na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor.

Pela transfiguração de Jesus, Deus demonstra que uma existência feita dom não é fracassada – mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de pôr a sua vida ao serviço dos irmãos.

É fato que por vezes somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou então, parece que, seguindo a lógica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado…

A transfiguração de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

Ser seguidor de Jesus muitas vezes requer o "nadar contra a corrente". A religião não é um ópio que nos adormece, mas um compromisso com Deus, que se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.
Brasília 27 de fevereiro de 2015.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

QUARESMA 2015

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2015
Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)

Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.
Francisco

Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/2015/1/27/messaggioquaresima.html


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ADVENTO: 4º Domingo

  
No primeiro domingo do mês de dezembro dá-se o Tempo do Advento. Advento quer dizer aquilo que vem vindo, que vai chegar. Por isto, antes de chegar o Natal, há o tempo do Advento. São exatamente quatro semanas, durante as quais se espera o nascimento de Jesus. Esse tempo, ou seja, durante essas quatro semanas, devemos nos preparar, pois é um tempo dedicado à reflexão e preparação para a chegada do Senhor Jesus.

Conforme os três últimos textos postados neste blog, já nos preparamos da seguinte maneira:

Na primeira semana do Advento

Começamos a nos preparar para a chegada do Menino Jesus. Era preciso ver se tudo estava em ordem para recebê-lo. Fizemos uma revisão de vida, de nossos atos... Como temos vivido? Procuramos a paz, ser promotores da paz entre as pessoas, nossos irmãos e amigos? Temos seguido ou, ao menos, tentado seguir os ensinamentos de Jesus? Temos desempenhado nossa missão de discípulos missionários? Temos sido um pai ou mãe cuidadosos, levado nossos filhos à Igreja?

Na segunda semana do Advento

Conversamos com nossos amigos, nossos familiares, nossos colegas de trabalho sobre a chegada do Menino Jesus e os ajudamos, também, a se prepararem...

Na terceira semana do Advento

Faltando pouco para Jesus nascer, pudemos, juntamente com nossos amigos e familiares, formar um grupo e procurar falar da chegada do Menino Deus a outras pessoas, inclusive às crianças. Foi uma ótima oportunidade para evangelizar, pois talvez essas pessoas, essas crianças, esses jovens e adolescentes não estivessem se preparando muito bem para o Natal...

Na quarta semana do Advento

O grande dia se aproxima... o dia que Jesus vai chegar! Então, vamos aguardá-lo com muita alegria, com entusiasmo, com amor no coração, assim como fizeram os pais de Jesus, Maria e José. Portanto, a nossa reflexão será, agora, sobre o 4º Domingo do Advento.

No evangelho do quarto domingo do Advento - Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 1,26-38) - 4º Domingo do Advento – a liturgia refere-se repetidamente ao projeto de vida plena e de salvação definitiva que Deus tem para nos oferecer e que torna-se uma realidade concreta, tangível e plena quando aceitamos dizer “sim” ao projeto de Deus, qual seja, acolher Jesus e apresentá-lo ao mundo.

Preste atenção à mensagem desse Evangelho:

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: "Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo;bendita és tu entre as mulheres". Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: "Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; e o seu reinado não terá fim". Maria disse ao Anjo: "Como será isto, se eu não conheço homem?" O Anjo respondeu-lhe: "O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice porque a Deus nada é impossível". Maria disse então: "Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra".

Após a leitura atenta desse evangelho, o que mais nos chama a atenção? Três aspectos merecem destaque:

1- a fé de Maria;
2- o conteúdo da mensagem; e
3- a obediência de Maria.

Fé de Maria
Maria não questiona a vontade de Deus transmitida pelo anjo, com as palavras transmitidas pelo anjo, embora tenha ficado"perturbada", pois era muito jovenzinha, uma menina, a bem da verdade. Ela confiou na vontade de Deus, embora não entendesse muito bem a sua missão de ter sido escolhida para ser a Mãe do Salvador!

Conteúdo da mensagem
A mensagem "Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David;  o seu reinado não terá fim" expressa o dom da maternidade de Maria. Maria recebeu o dom da divina maternidade porque teve fé e pela fé se torna a mulher mais abençoada, mais agraciada de todas! O nascimento de Jesus - o Salvador - é obra da intervenção de Deus, pois Maria concebe sem conhecer homem algum.

Obediência de Maria
A obediência de Maria expressa na mensagem: "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Maria recebeu o dom da divina maternidade porque teve fé! Ela confiou em Deus e deu o seu "sim"! Aparentemente, palavra tão simples, humilde, mas que irá marcar o destino da humanidade para sempre.

Conforme explicação no nº 494 do Catecismo da Igreja Católica, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria tornou-se Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção.

Como se vê, temos muito que aprender com a fé e a obediência de Maria, a "Maria do Sim", que nos ensina a viver e a dar nosso "sim" a Deus.

Por isto podemos afirmar que Maria participa da salvação do mundo! Ela verdadeiramente coopera para a salvação humana com livre fé e obediência. Pronunciou seu "fiat" (faça-se) em representação de toda a natureza humana. Por sua obediência, tornou-se a nova Eva, Mãe do viventes (Catecismo da Igreja Católica, nº 511). Maria, a Virgem escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Filho, é verdadeiramente "Mãe de Deus", pois é a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é Ele mesmo Deus. É através de Maria que Deus atua no mundo, na humanidade, é através de homens e de mulheres atentos aos projetos de Deus que Ele atua no mundo, que manifesta seu amor, que se torna presente no mundo.

É preciso que estejamos atentos ao chamado de Deus para que possamos dar o nosso "sim" total e incondicional, particularmente aos pobres, aos humildes, aos infelizes, aos marginalizados – a salvação e a vida de Deus. Digamos, com fé, Virgem Maria, rogai por nós!

Para finalizar, façamos a Oração do Advento, bem simples:

“Eu o espero, Jesus. Venha logo!
Você nasceu em Belém e foi um menino, como eu fui.
Mas eu sei que você é o Filho de Deus, que veio do céu.
Traga então a sua paz e a sua amizade para o meu coração, que o espera impacientemente.
E também para o coração de todos os homens.
Ensine a eles o caminho que leva à gruta de Jesus
e faça com que todos se sintam irmãos.
Amém”.

Brasília, 19 de dezembro de 2014.
Maria Auxiliadôra