quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

CARTA APOSTÓLICA ADMIRABILE SIGNUM




CARTA APOSTÓLICA
ADMIRABILE SIGNUM
SOBRE O SIGNIFICADO E VALOR DO PRESÉPIO

1. O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De fato, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.

Com esta Carta, quero apoiar a tradição bonita das nossas famílias prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças… Trata-se verdadeiramente dum exercício de imaginação criativa, que recorre aos mais variados materiais para produzir, em miniatura, obras-primas de beleza. Aprende-se em criança, quando o pai e a mãe, juntamente com os avós, transmitem este gracioso costume, que encerra uma rica espiritualidade popular. Almejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar.

2. A origem do Presépio fica-se a dever, antes de mais nada, a alguns pormenores do nascimento de Jesus em Belém, referidos no Evangelho. O evangelista Lucas limita-se a dizer que, tendo-se completado os dias de Maria dar à luz, «teve o seu filho primogênito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (2, 7). Jesus é colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa palavra presépio.

Ao entrar neste mundo, o Filho de Deus encontra lugar onde os animais vão comer. A palha torna-se a primeira enxerga para Aquele que Se há de revelar como «o pão vivo, o que desceu do céu» (Jo6, 51). Uma simbologia, que já Santo Agostinho, a par doutros Padres da Igreja, tinha entrevisto quando escreveu: «Deitado numa manjedoura, torna-Se nosso alimento».[1] Na realidade, o Presépio inclui vários mistérios da vida de Jesus, fazendo-os aparecer familiares à nossa vida diária.

Passemos agora à origem do Presépio, tal como nós o entendemos. A mente leva-nos a Gréccio, na Valada de Rieti; aqui se deteve São Francisco, provavelmente quando vinha de Roma onde recebera, do Papa Honório III, a aprovação da sua Regra em 29 de novembro de 1223. Aquelas grutas, depois da sua viagem à Terra Santa, faziam-lhe lembrar de modo particular a paisagem de Belém. E é possível que, em Roma, o «Poverello» de Assis tenha ficado encantado com os mosaicos, na Basílica de Santa Maria Maior, que representam a natividade de Jesus e se encontram perto do lugar onde, segundo uma antiga tradição, se conservam precisamente as tábuas da manjedoura.

As Fontes Franciscanas narram, de forma detalhada, o que aconteceu em Gréccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: «Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incômodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro».[2] Mal acabara de o ouvir, o fiel amigo foi preparar, no lugar designado, tudo o que era necessário segundo o desejo do Santo. No dia 25 de dezembro, chegaram a Gréccio muitos frades, vindos de vários lados, e também homens e mulheres das casas da região, trazendo flores e tochas para iluminar aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes. Depois o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando também deste modo a ligação que existe entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Gréccio, naquela ocasião, não havia figuras; o Presépio foi formado e vivido pelos que estavam presentes.[3]

Assim nasce a nossa tradição: todos à volta da gruta e repletos de alegria, sem qualquer distância entre o acontecimento que se realiza e as pessoas que participam no mistério.

O primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, lembra que naquela noite, à simples e comovente representação se veio juntar o dom duma visão maravilhosa: um dos presentes viu que jazia na manjedoura o próprio Menino Jesus. Daquele Presépio do Natal de 1223, «todos voltaram para suas casas cheios de inefável alegria»[4].

3. Com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou uma grande obra de evangelização. O seu ensinamento penetrou no coração dos cristãos, permanecendo até aos nossos dias como uma forma genuína de repropor, com simplicidade, a beleza da nossa fé. Aliás, o próprio lugar onde se realizou o primeiro Presépio sugere e suscita estes sentimentos. Gréccio torna-se um refúgio para a alma que se esconde na rocha, deixando-se envolver pelo silêncio.

Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove? Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado.

Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua representação no Presépio ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais.

De modo particular, desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt 25, 31-46).

4. Gostava agora de repassar os vários sinais do Presépio para apreendermos o significado que encerram. Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1, 79).

Merecem também uma referência as paisagens que fazem parte do Presépio; muitas vezes aparecem representadas as ruínas de casas e palácios antigos que, nalguns casos, substituem a gruta de Belém tornando-se a habitação da Sagrada Família. Parece que estas ruínas se inspiram na Legenda Áurea, do dominicano Jacopo de Varazze (século XIII), onde se refere a crença pagã segundo a qual o templo da Paz, em Roma, iria desabar quando desse à luz uma Virgem. Aquelas ruínas são sinal visível sobretudo da humanidade decaída, de tudo aquilo que cai em ruína, que se corrompe e definha. Este cenário diz que Jesus é a novidade no meio dum mundo velho, e veio para curar e reconstruir, para reconduzir a nossa vida e o mundo ao seu esplendor originário.

5. Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa na festa da vinda do Messias. Os anjos e a estrela-cometa são o sinal de que também nós somos chamados a pôr-nos a caminho para ir até à gruta adorar o Senhor.

«Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer» (Lc 2, 15): assim falam os pastores, depois do anúncio que os anjos lhes fizeram. É um ensinamento muito belo, que nos é dado na simplicidade da descrição. Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração. É precisamente este encontro entre Deus e os seus filhos, graças a Jesus, que dá vida à nossa religião e constitui a sua beleza singular, que transparece de modo particular no Presépio.

6. Nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras simbólicas. Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão próximas do Menino Jesus de pleno direito, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las dum berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós.

No Presépio, os pobres e os simples lembram-nos que Deus Se faz homem para aqueles que mais sentem a necessidade do seu amor e pedem a sua proximidade. Jesus, «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), nasceu pobre, levou uma vida simples, para nos ensinar a identificar e a viver do essencial. Do Presépio surge, clara, a mensagem de que não podemos deixar-nos iludir pela riqueza e por tantas propostas efêmeras de felicidade. Como pano de fundo, aparece o palácio de Herodes, fechado, surdo ao jubiloso anúncio. Nascendo no Presépio, o próprio Deus dá início à única verdadeira revolução que dá esperança e dignidade aos deserdados, aos marginalizados: a revolução do amor, a revolução da ternura. Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado.

Muitas vezes, as crianças (mas os adultos também!) gostam de acrescentar, no Presépio, outras figuras que parecem não ter qualquer relação com as narrações do Evangelho. Contudo esta imaginação pretende expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha conosco a sua vida divina.

7. A pouco e pouco, o Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. As suas palavras – «eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38) – são, para todos nós, o testemunho do modo como abandonar-se, na fé, à vontade de Deus. Com aquele «sim», Maria tornava-Se mãe do Filho de Deus, sem perder – antes, graças a Ele, consagrando – a sua virgindade. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à palavra d’Ele e a ponham em prática (cf. Jo 2, 5).

Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. Quando Deus o avisar da ameaça de Herodes, não hesitará a pôr-se em viagem emigrando para o Egito (cf. Mt 2, 13-15). E depois, passado o perigo, reconduzirá a família para Nazaré, onde será o primeiro educador de Jesus, na sua infância e adolescência. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática.

8. O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja.

O nascimento duma criança suscita alegria e encanto, porque nos coloca perante o grande mistério da vida. Quando vemos brilhar os olhos dos jovens esposos diante do seu filho recém-nascido, compreendemos os sentimentos de Maria e José que, olhando o Menino Jesus, entreviam a presença de Deus na sua vida.

«De fato, a vida manifestou-se» (1 Jo 1, 2): assim o apóstolo João resume o mistério da Encarnação. O Presépio faz-nos ver, faz-nos tocar este acontecimento único e extraordinário que mudou o curso da história e a partir do qual também se contam os anos, antes e depois do nascimento de Cristo.

O modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece impossível que Ele renuncie à sua glória para Se fazer homem como nós. Que surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças. Como sempre, Deus gera perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida.

9. Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles sábios e ricos senhores do Oriente puseram-se a caminho rumo a Belém para conhecer Jesus e oferecer-Lhe de presente ouro, incenso e mirra. Estes presentes têm também um significado alegórico: o ouro honra a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará a morte e a sepultura.

Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de misericórdia.

Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (cf. Mt 2, 1-12). À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus, tal como regula com soberana sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história, derrubando os poderosos e exaltando os humildes. E de certeza, quando regressaram ao seu país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias, inaugurando a viagem do Evangelho entre os gentios.

10. Diante do Presépio, a mente corre de bom grado aos tempos em que se era criança e se esperava, com impaciência, o tempo para começar a construí-lo. Estas recordações induzem-nos a tomar consciência sempre de novo do grande dom que nos foi feito, transmitindo-nos a fé; e ao mesmo tempo, fazem-nos sentir o dever e a alegria de comunicar a mesma experiência aos filhos e netos. Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta, é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre.

Queridos irmãos e irmãs, o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé. A partir da infância e, depois, em cada idade da vida, educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós, sentir e acreditar que Deus está conosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para sentir que nisto está a felicidade. Na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça simples, deixemos que do encanto nasça uma prece humilde: o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar conosco para nunca nos deixar sozinhos.

Dado em Gréccio, no Santuário do Presépio, a 1 de dezembro de 2019, sétimo do meu pontificado.

Franciscus


[1] Santo Agostinho, Sermão 189, 4.
[2] Tomás de Celano, Vita Prima, 85: Fontes Franciscanas, 468.
[3] Cf. ibid., 85: o. c., 469.
[4] Ibid., 86: o. c., 470.






segunda-feira, 5 de março de 2018

Oração da Campanha da Fraternidade 2018




Deus e Pai,
nós vos louvamos pelo vosso infinito amor
e vos agradecemos por ter enviado Jesus,
o Filho amado, nosso irmão.
Ele veio trazer paz e fraternidade à terra
e, cheio de ternura e compaixão,
sempre viveu relações repletas
de perdão e misericórdia.
Derrama sobre nós o Espírito Santo,
para que, com o coração convertido,
acolhamos o projeto de Jesus
e sejamos construtores de uma sociedade
justa e sem violência,
para que, no mundo inteiro, cresça
o vosso Reino de liberdade, verdade e de paz.
Amém!

QUADRO DE TEMPOS LITÚRGICOS



Tempos litúrgicos são as divisões existentes no Ano Litúrgico da Igreja Católica.

TEMPO DO ADVENTO: primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal; conta-se 4 domingos antes do Natal; tempo de preparação para a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos; tempo de viver o arrependimento, o mergulho na liturgia e na oração, de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes; cor: roxa (purificação.

TEMPO DO NATAL: comemoração do nascimento do Senhor; tempo de fé, alegria, acolhimento do Filho de Deus que se fez Homem; conta-se da véspera do Natal de Nosso Senhor até o domingo da festa da aparição divina, em que se comemora o Batismo de Jesus; cor: branca (paz, harmonia).

TEMPO COMUM: é um período sem grandes acontecimentos, mas que nos mostra que Deus se faz presente nas coisas mais simples; tempo de esperança, anúncio e acolhimento da Palavra de Deus; tempo para colocar em prática a vivência do Reino e ser sinal de Cristo no mundo; divide-se em duas partes:  a primeira entre o tempo do Natal e da Quaresma (momento de esperança e de escuta da Palavra), a segunda fica entre a Páscoa e o Advento (momento de colocar em mprática a vivência do Reino e ser sinal de Cristo no mundo, ou seja, ser sal da terra e luz do mundo); cor: verde (esperança).

QUARTA-FEIRA DE CINZAS: marca o início da Quaresma, tempo de penitência e oração mais intensa; são colocadas cinzas sobre as nossas cabeças para nos lembrar que vamos morrer, que somos pó e ao poda terra voltaremos (Gn 3, 19) (nada é eterno, tudo é transitório); dia de jejum e abstinência (jejum: fazer uma só refeição forte ao dia; abstinência: não comer carne).

QUARESMA; tempo forte de conversão, penitência, jejum, caridade, oração, reflexão, escuta da Palavra, santificação, preparação para a celebração da Páscoa; neste período não se diz o “Aleluia”, nem se colocam flores na Igreja nem se canta o “Glória a Deus nas alturas”; deve-se buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista a paz, a justiça e o amor em toda a humanidade, por isto recolher-se para a reflexão para aproximar-se de Deus; conta-se 40 dias (exclui-se os domingos; conta-se da 4ª feira de Cinzas até a manhã da Quinta-feira Santa (início do Tríduo Pascal); cor: roxa (purificação, luto, penitência).

TRÍDUO PASCAL: começa 5ª à noite com a Missa da Ceia (depois do pôr do sol) até a tarde do domingo da Páscoa da Ressurreição; 5ª Santa, 6ª Santa e Sábado Santo; é o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor; centro da fé cristã; mistério da passagem da morte para a Ressurreição, do pecado para a vida.  A Sexta-feira Santa é dia de jejum e abstinência

TEMPO PASCAL: Festa da Páscoa ou da Ressurreição; comemora-se a Volta de Cristo ao Pai na Ascensão e o envio do Espírito Santo; 50 dias (entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes); tempo de alegria e exultação, um só dia de festa, chamado “um grande domingo”.

PENTECOSTES: cinquenta dias depois da Páscoa o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo em Jerusalém, no dia de Pentecostes, que era uma das festas judaicas (At 2, 2-4); conta-se a partir da segunda-feira, após o domingo da Páscoa; é uma solenidade marcante para toda a Igreja, para os povos, pois nela teve início a ação evangelizadora para que todas as nações e línguas tenham acesso ao Evangelho e à salvação mediante o poder do Espírito Santo de Deus.



sexta-feira, 13 de outubro de 2017

VIGIAR O CORAÇÃO


Vigiar o coração, como se vigia uma casa: com chave, diz Papa Francisco.
Papa Francisco convida a fazer o exame de consciência para cuidar de tudo o que acontece no coração
Maus pensamentos, más intenções, ciúme, inveja. Tudo isso entra e sai dos nossos corações todos os dias. Seria bom fechar a "chave" este coração, assim como você fecha a casa para impedir que entrem ladrões.
A chave em questão - disse o Papa Francisco na missa desta manhã em Santa Marta - é "o exame de consciência", uma prática "antiga, mas muito eficaz” que permite "recolher-se" ou "ficar em silêncio diante de si mesmo e diante de Deus e, no final do dia, se perguntar: "O que aconteceu hoje no meu coração? Entrou alguma coisa que eu não conheço?".
As armadilhas são muitas, porque "o diabo tem paciência", diz Bergoglio, "não deixa o que ele quer para si”. Ele fez isso com o próprio Jesus, que foi atormentado, depois ele deixou de tentar por certo tempo, mas voltou várias vezes; colocando-o à prova e preparando-lhe "armadilhas" até à Paixão e morte na Cruz.
E se ele fez isso com o Filho de Deus, imagine com a gente. Por isso, é preciso "vigiar nossos corações" - insiste o Papa - porque nele habita o Espírito Santo e não deve entrar "outros espíritos". E se eu não me dou conta do que vai para o meu coração - advertiu o Santo Padre – “o meu coração se torna uma praça, onde todos vêm e vão". Torna-se "um coração sem intimidade", onde "o Senhor não pode nos falar e nem ser escutado".
É por isso que Jesus disse: E quem não recolhe comigo dispersa. Usa a palavra 'recolher', só para dizer que é preciso "ter um coração recolhido, um coração onde sabemos o que acontece", observou o Papa.
O exame de consciência, nesse sentido, é uma graça. "Quem de nós - pergunta Bergoglio - à noite, antes de terminar o dia, se recolhe e se pergunta: o que aconteceu hoje no meu coração? O que passou pelo meu coração?".
Se não fizermos isso - acrescenta - realmente não sabemos vigiá-lo bem, porque, como todos sabemos, "os demônios voltam sempre", até "no final da vida".
Fonte: Por Salvatore Cernuzio - ROMA, 10 de Outubro de 2014 - (Zenit.org)

segunda-feira, 20 de março de 2017

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

01 – Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão (cf. LS, n.1)
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar e bem guardar a criação.”
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
02 – Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom (cf. Gn 1-2).
03 – Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
04 – Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração (cf. Os 2.16),
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
05 – Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção (cf LS, n.207).
06 – Que entre nós cresça uma nova ecologia (cf LS, cap.IV),
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.

Oração da Campanha da Fraternidade 2017

Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.
Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.
Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela
Casa Comum.
Cresça, em nosso imenso Brasil,
o desejo e o empenho de cuidar mais e mais
da vida das pessoas,
e da beleza e riqueza da criação,
alimentando o sonho do novo céu e da nova terra
que prometestes.
Amém!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

LIVRE PARA AMAR

Acabara de fazer minha inscrição num curso da Comunidade Shalom e escrevi um pequenino texto, em 16/02/2011, que ficou armazenado em meu computador não sei o porquê... Publico-o agora!


POR QUE SOU LIVRE PARA AMAR...


Em 16/02/2011 – Quarta-feira


                                   Porque sou livre para amar posso dar minha adesão a Deus. Deus criou-me um ser livre, tão livre que posso escolher. Mas será que sinto verdadeiramente essa liberdade? Como sentir-me livre quando estou presa a tantas preocupações, medos, opiniões alheias, conceitos e comportamentos?

                                   Não posso dizer que “livre estou” se estou, ainda, presa a tantas dúvidas...

                                   A verdadeira liberdade só Deus pode dar, porque tenho capacidade para amar a Deus com o meu mais íntimo aderindo livremente a este amor.

                                   Se eu tivesse a resposta para todas as minhas dúvidas, se eu soubesse como agir em todas as situações seria como Deus, mas não sou. Só Deus é perfeição, só Ele tem as respostas, só Ele é a solução, só Ele é a resposta. Só em Deus tudo faz sentido, Ele é a luz.

                                   Quando fecho os olhos é que vejo Deus. Ele habita o meu interior e tudo fica claro, é um paradoxo. Sinto sua presença invadindo, tomando inteiramente todo o meu ser e preenchendo, me completando, me transformando, me resgatando, me restaurando. Agora, peço que o Senhor venha tomar as minhas preocupações e ansiedades, que o Senhor tome as rédeas de minha vida e me guie, seja o meu guia, a luz que clareia o meu caminho, seja o meu cajado, a minha fortaleza, o meu apoio, pois sem Ti, Senhor, não tenho forças para continuar a enfrentar todos os obstáculos. Sem a Tua graça, Senhor, eu não consigo abrir o meu coração, sem a Tua misericórdia eu não consigo perdoar. Ajuda-me, Senhor, a perdoar a mim mesma que tantas vezes me afastei de Ti achando que podia confiar somente em mim.


                                   Obrigada, Jesus, pela paz que sinto agora. Quero fazer a Tua vontade, mesmo que eu não consiga entender, porque sou limitada, mas agora estou livre para Te amar.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

PEC 241 - O que diz a CNBB

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 241


“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”
 (São João Crisóstomo, século IV)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.
Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado? 
A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.
A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349). 
A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.
É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.
A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!

Dom Sergio da RochaArcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJArcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFMBispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19744:nota-da-cnbb-sobre-a-pec-241&catid=114:noticias&Itemid=106

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ROSÁRIO: ORAÇÃO SIMPLES

Amem o Rosário, oração simples que consola a mente e o coração - diz Papa Francisco

Na Audiência Geral desta quarta-feira (26/10), o Papa Francisco recordou que outubro é o mês dedicado ao Rosário e recomendou esta oração aos fiéis.
No tuíte de alguns dias atrás, o Pontífice confessou: “O terço é a oração que sempre acompanha a minha vida; é também a oração dos simples e dos Santos, é a oração do meu coração”.
Hoje, na Audiência Geral, o Papa explicou que o Rosário “é uma síntese da Divina Misericórdia”:
“Nos mistérios do Rosário, com Maria, contemplamos a vida de Jesus que irradia a misericórdia do Pai. Alegremo-nos por Seu amor e perdão, o acolhamos nos estrangeiros e pobres, vivamos a cada dia de Seu Evangelho”, disse o Pontífice.
Dirigindo-se aos jovens, aos doentes e recém-casados, Francisco disse:
“Esta oração mariana simples indique a vocês, queridos jovens, o caminho para interpretar a vontade de Deus em suas vidas. Amem esta oração, queridos doentes, porque ela carrega consigo o consolo para a mente e o coração. Que se torne para vocês, queridos recém-casados, um momento privilegiado de intimidade espiritual em sua nova família.”
O Papa Francisco presenteia todas as pessoas que encontra com um Rosário. “A Nossa Senhora está sempre próxima aos seus filhos. Está sempre pronta a nos ajudar quando a invocamos, quando pedimos a sua proteção. Ela não sabe esperar: é a Nossa Senhora da prontidão. Vai logo servir.”
Fonte: http://santuariosantaedwiges.com.br/papa-amem-o-rosario-oracao-simples-que-consola-a-mente-e-o-coracao.html

ANO NACIONAL MARIANO

IGREJA CELEBRA ANO NACIONAL MARIANO


Durante a festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e de Brasília, foi aberto oficialmente o Ano Mariano, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do Rio Paraíba do Sul, próximo à cidade de Guaratinguetá, em São Paulo.

As celebrações se estenderão até o dia 11 de outubro de 2017. Ao longo deste período, as (arqui)dioceses são convidadas a realizarem atividades para vivenciarem intensamente o jubileu, voltando seus corações para a Santíssima Virgem Maria, como citou dom Sergio da Rocha, cardeal-arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, durante o lançamento do Ano Mariano, em 22 de setembro passado.

“Nós esperamos muito que o Ano Mariano possa ser de intensa evangelização com Maria, contando com a sua proteção, seguindo os seus exemplos, mas sendo essa Igreja em saída, essa Igreja misericordiosa, que a exemplo de Nossa Senhora vai ao encontro dos irmãos para compartilhar a alegria do Evangelho de Jesus Cristo, alegria da fé em Cristo”, disse o cardeal-arcebispo.

Fonte: http://arquidiocesedebrasilia.org.br/noticias.php?cod=4971