segunda-feira, 6 de agosto de 2012

JESUS, O PÃO DA VIDA

A liturgia do Evangelho segundo São João (Jo 6, 24-35) é como um eco da mensagem anterior sobre a multiplicação dos pães e dos peixes.

No milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, relatado na primeira parte do capítulo 6 (Jo 6,1-15), Jesus tomou os cinco pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam e fez o mesmo com os dois peixes. Jesus alimentou aproximadamente cinco mil homens.

Pois bem, na manhã seguinte, aquela multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes multiplicados e que ainda estava do “outro lado” do lago chamado de Tiberíades percebeu que Jesus tinha regressado a Cafarnaum e foi a seu encontro. Então, a multidão subiu aos barcos e foi à procura de Jesus. Encontrando-o do outro lado do lago, disseram-lhe: "Rabi, quando chegaste aqui?". Respondeu-lhes Jesus: "Em verdade, em verdade, vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do Homem vos dará, pois Deus, o Pai, o marcou com seu selo".

Ora, Jesus tinha percebido que a multidão estava equivocada e que O procurou pelas razões erradas. A multiplicação dos pães e dos peixes pretendeu ser, por parte de Jesus, uma lição sobre amor, sobre partilha e serviço. Porém, a multidão não conseguiu captar completamente a mensagem, não conseguiu entender o significado profundo do gesto, ficou só pelas aparências, nos milagres e só percebeu que Jesus podia oferecer-lhe, de forma gratuita, pão em abundância, ou seja, o alimento físico.

Na verdade, as pessoas enxergaram Jesus como um “profeta milagreiro” que distribuía pão e peixes gratuitamente e em abundância. Portanto, o fato de procurarem Jesus não significa que tenham aderido à sua proposta; significa, apenas, que viram em Jesus um modo fácil e barato de resolver os seus problemas materiais.

Então, eles falaram a Jesus: "Que faremos para trabalhar nas obras de Deus?". Respondeu-lhes Jesus: "A obra de Deus é que creiais naquele que ele enviou". Existem pessoas que são assim, não é verdade? Pessoas que só procuram Jesus na hora do aperto, quando estão em dificuldades financeiras, quando estão desempregadas e, quando conseguem o que buscam, simplesmente O ignoram, esquecem o essencial, que é invisível aos olhos...

A resposta de Jesus foi clara: é preciso aderir a Jesus e ao seu projeto. Muitas pessoas buscam realização pessoal no dinheiro, na fama, no poder econômico, nos modismos, em posição social, nas drogas, na bebida, no sexo, mas tudo isso é passageiro, é efêmero, tudo isso passa, porque tudo um dia acaba, depois vem um grande vazio interior, porque isso é superficial e, pior, escraviza o ser humano. É ilusão acreditar nessas coisas...

Então lhe perguntaram: "Que sinal realizas, para que vejamos e creiamos em ti? Que obra fazes?. Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes pão do céu a comer". Respondeu-lhes Jesus: "Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo". Disseram-lhe: "Senhor, dá-nos sempre deste pão!". Jesus lhes disse: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede”.

Meus amigos, para receber o alimento que dá vida eterna e definitiva, é preciso que se acolha as propostas de Jesus e aceite viver no amor que se faz dom, na partilha daquilo que se tem com os irmãos, no serviço simples e humilde aos outros homens. A nossa adesão às propostas de Jesus não é da boca para fora, mas com gestos concretos, em obras concretas e deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o “pão” que nos dá vida. É acolhendo e interiorizando esse “pão” que se adquire a vida que não acaba. Só Deus nos dá, de forma contínua, a vida eterna, mas é preciso acolhermos a proposta que Jesus faz e vivê-la nos gestos simples de todos os dias. Seguindo Jesus, acolhendo a sua proposta no coração e deixando que ela se transforme em gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, assim encontraremos paz, amor, felicidade, seremos plenamente realizados.

Não devemos esmorecer ou desanimar quando aparecerem os problemas ou duvidar da providência divina, não duvide! Ao contrário, acredite, tenha fé: Deus jamais abandona qualquer pessoa, foi Ele que enviou seu Único Filho, porque desde sempre e em todo lugar, Ele está perto do homem, chamando-o, pois, nas palavras do Catecismo da Igreja Católica, no nº 27, “...Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar”.

Brasília 03.08.2012.
Maria Auxiliadôra

O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO - Jo 6, 1-15

Jesus passou para a outra margem do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades (que, na realidade, é um lago) e uma grande multidão o seguia, porque tinha visto os sinais que ele realizava nos doentes e que representam a libertação do homem da sua debilidade e fragilidade. É um Povo marcado pela opressão, que quer experimentar a libertação. Eles perceberam que só Jesus, o libertador, conseguirá ajudá-los a superar a sua condição de miséria e de escravidão. Então, Jesus subiu à montanha e aí se sentou com os seus discípulos.

Estava próxima a Páscoa, a festa mais importante do calendário religioso judaico, que celebrava a libertação do Povo de Deus da opressão do Egito. Na época de Jesus, a Páscoa era a festa da libertação e da constituição do Povo de Deus; mas era também a festa que anunciava esse tempo futuro em que o Messias ia libertar definitivamente o Povo de Deus. Nesta altura, o Povo devia subir a Jerusalém para, no “monte” do Templo, celebrar a libertação; em contrapartida, a multidão segue Jesus para um outro “monte”, do outro lado do mar… O Povo começa a libertar-se do jugo das instituições judaicas e a perceber que é em Jesus que se vão inaugurar os tempos novos da liberdade e da paz.

Então, quando Jesus levantou os olhos e viu a grande multidão que a ele acorria, disse a Filipe: "Onde compraremos pão para que eles comam?" Disse isso para pô-lo à prova, pois Ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. Ora, cada moeda devia valer uma fortuna e nem duzentas moedas seriam suficientes para comprar alimento para tanta gente... Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isto para tanta gente?” Só por curiosidade, os números “cinco” (“pães”) e “dois” (“peixes”) cuja soma dá “sete” – o número “sete” significa totalidade. É uma totalidade fracionada e diversificada; mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do mundo.

Enfim, quando Jesus levantou os olhos e viu a grande multidão que a ele acorria, peguntou a Filipe: "Onde compraremos pão para que eles comam?" Qual a solução que Jesus vai dar à “fome” da multidão? Jesus vai provar que é possível encontrar uma solução. Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. O “dar graças” significa reconhecer que os bens são dons que vêm de Deus. Ora, reconhecer que os bens vêm de Deus significa reconhecer que eles são um dom gratuito que Deus oferece aos homens; e Deus não oferece a uns e não a outros… “Dar graças” é reconhecer que os bens recebidos pertencem a todos os homens. E fez o mesmo com os peixes.

Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” Ora, uma vez saciada a fome do mundo, através desses bens que a comunidade recebeu de Deus e que pôs ao serviço de todos os homens, os discípulos são chamados a outras tarefas. Há sobras que não se podem perder, mas que devem ser o princípio de outras abundâncias. É preciso multiplicar incessantemente o amor e o pão… Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

Alguns dos que testemunharam a multiplicação dos pães e dos peixes têm consciência de que Jesus é o Messias que devia vir para dar ao seu Povo vida em abundância e querem fazê-lo rei. Jesus não aceita. Ele veio sim, saciar os que têm fome, que são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família; são os marginalizados, abandonados, segregados por causa da cor da sua pele, por causa do seu estatuto social ou econômico, ou por não terem acesso à educação e aos bens culturais de que a maioria desfruta; são as crianças vítimas da violência e da exploração; são as vítimas da economia global, cuja vida dança ao sabor dos interesses das multinacionais; são as vítimas do imperialismo e dos interesses dos grandes do mundo… É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige.

Ademais, os discípulos de Jesus são convidados a responsabilizarem-se pela “fome” dos homens e a fazerem tudo o que está ao seu alcance para devolver a vida e a esperança a todos aqueles que vivem na miséria, no sofrimento, no desespero. No final, os discípulos são convidados a recolher os restos, que devem servir para outras “multiplicações”. A tarefa dos discípulos de Jesus é uma tarefa nunca acabada, que deverá recomeçar em qualquer tempo e em qualquer lugar onde haja um irmão “com fome”.
Brasília 27.07.2012
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 23 de julho de 2012

OVELHAS SEM PASTOR



Vamos refletir sobre o amor de Jesus pelas “ovelhas sem pastor” – tema do Evangelho Segundo Marcos (Mc 6,30-34) - que é uma continuação da reflexão da Missão dos Doze Apóstolos, relatada em Mc 6,7-13.


 

A liturgia nos recorda que Jesus chamou os Doze Apóstolos e enviou-os para uma missão. Jesus os enviou dois a dois, para pregarem o arrependimento, expulsarem os demônios, ungirem e curarem os doentes. Esta missão era anunciar o Reino de Deus e lutar contra tudo aquilo que escraviza o homem e o impede de ser feliz. Portanto, o anúncio que é confiado aos discípulos é o anúncio que Jesus fazia (o “Reino”); os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o “Reino” são os mesmos que Jesus fez. Os apóstolos seguiram em missão, dois a dois, entusiasmados.


 

Pois bem, em Mc 6,30-34 nos é apresentado o regresso dos enviados de Jesus. Agora eles são chamados “apóstolos”, que quer dizer “enviados”, “propagadores”, “evangelizadores”, “missionários”, são muitos os significados...


 

Ao regressarem, reuniram-se com Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado, como tudo tinha se desenrolado, como tinham executado a missão, conforme as instruções passadas por Jesus antes de partirem. Eles regressaram porque a missão a eles confiada não pode ser desligada de Jesus. Os discípulos devem, com frequência, reunir-se à volta de Jesus, dialogar com Ele, escutar os seus ensinamentos, confrontar permanentemente a pregação feita com a proposta de Jesus. Jesus é que dá sentido à missão do discípulo e que permite ao discípulo, tantas vezes fatigado e desanimado, voltar a descobrir o sentido das coisas e renovar o seu empenho.


 

Então, Jesus convidou-os para um lugar isolado para que eles descansassem um pouco, um lugar sem tanta gente. “Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco”, disse-lhes Jesus. E foram de barco a um lugar afastado. Mas a multidão, inclusive de todas as cidades, acabou adivinhando e, seguindo a pé, chegou lá primeiro, antes deles. De fato, era um tumulto que os discípulos não tinham nem tempo de comer. Assim que desembarcou, conforme descrito no Evangelho, Jesus viu uma grande multidão e ficou tomado de compaixão por eles, compadeceu-Se de toda aquela gente, pois estavam como “ovelhas sem pastor”. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.

 

O Evangelho fala em compaixão, qual o verdadeiro significado da palavra “compaixão”? Do latim temos compassione. Literalmente, compaixão significa “sofrimento padecido com”. A experiência da compaixão faz com que Jesus possa “sentir conosco”, ou seja, sentir com, sofrer com. Jesus teve compaixão daquele povo, Ele compara a multidão a um rebanho sem pastor. Em Jesus estava a esperança de uma palavra, era isso que as pessoas buscavam. Jesus teve compaixão, preocupou-se com aquelas “ovelhas sem pastor” e essa preocupação é sinal de quê? É sinal do seu amor, sinal de solidariedade para com todos os sofredores, com os pobres, com os explorados, com os miseráveis.

 

Como podemos observar, fica claro o quanto o amor se faz o protagonista por excelência, e se traduz muitas vezes em compaixão. Jesus situa a “compaixão” como uma expressão particular e concreta de Deus que é Amor, e está a recordar-nos que o seu “olhar” pousa sobre os homens e torna-se compassivo para eles através do amor. É o amor no compasso da compaixão. É o sentimento de pesar que nos causa os males alheios, bem como uma vontade de ajudar o próximo. Sentimento de simpatia ou de piedade para com o sofrimento alheio, associado à vontade ou ao desejo de auxiliar de alguma forma.

 

Vendo dessa maneira, entendendo esse lado pleno da compaixão, conseguimos justificar aquele sentimento de solidariedade que, frequentemente, toca e move muitas pessoas quando acontecem as catástrofes, as enchentes, os terremotos, os incêndios, não é isso? Quantas pessoas movidas pela compaixão diante da desgraça alheia, pelas vítimas dos desastres da natureza se mobilizam para ajudar? São muitas...

 

Por meio da compaixão fica fácil entender porque Deus está sempre a fitar o seu olhar amoroso em cada um de nós. A única explicação é esta: é o amor no compasso da compaixão!

 

Brasília 20.07.2012

Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 19 de julho de 2012

MISSÃO DOS DOZE


Hoje refletiremos sobre a Missão dos Doze, tema do Evangelho segundo Marcos (Mc 6,7-13). A liturgia recorda-nos a atuação de Deus no mundo por meio das pessoas que Ele chama e envia como testemunhas do seu projeto de salvação. O “chamado” e, consequentemente, o “envio” é uma tarefa que não se pode realizar no individualismo, na solidão, mas numa dimensão comunitária. Por isto, Jesus chamou os Doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois.

 
Por que “doze”? O “doze” aqui é um número simbólico, lembra as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus. Estes “Doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do Povo de Deus, do novo Povo de Deus que é enviada em missão. Então, os Doze são enviados dois a dois, exatamente porque a evangelização tem uma dimensão comunitária, já que os discípulos são enviados em missão. Esta missão era o anunciar o Reino de Deus e lutar contra tudo aquilo que escraviza o homem e o impede de ser feliz. O ir “dois a dois” significava a necessidade de duas testemunhas para a declaração dos acontecimentos importantes.

 
Antes de enviá-los, Jesus dá-lhes algumas instruções de como proceder, claro, Ele é o Mestre, além de dar-lhes autoridade sobre os espíritos impuros. Também, faz algumas recomendações tais como não levarem nada além do bastão, nem mesmo pão nem sacola nem dinheiro nem duas túnicas. Por que? Exatamente porque eles deveriam se sentir livres para a missão, sem laços, livres de todo apego aos bens e meios materiais, livres de todo orgulho e ânsia de poder, num despojamento total de todos os bens e seguranças humanas, para que a preocupação com essas coisas materiais não os desviassem do seu objetivo, já que a finalidade era pregar a vida eterna, afinal, eles acreditavam e confiavam em Deus e em sua providência.

 
Ainda, disse-lhes Jesus: “Onde quer que entreis numa casa, nela permanecei até vos retirardes do lugar. E se algum lugar não vos receber nem vos quiser ouvir ao partirdes de lá, sacudi o pó de debaixo dos vossos pés em testemunho contra eles”. Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo.

 
As instruções de Jesus aos discípulos representam o sentido e o valor que eles deviam observar. Assim como nós, cristãos, também, somos chamados a evangelizar, e quem nos chama, quem nos convida é Jesus, a iniciativa é Dele, cabe-nos responder a esse chamado... Todos são convidados, não apenas um grupo, uma comunidade, uma nação, mas todos. O Evangelho fala em “doze”, que é a totalidade do Povo de Deus. Então, todos são chamados... Será que nos sentimos parte dos “doze” como convocados por Jesus a viver a fé? O que realmente significa hoje ser um “enviado” de Jesus? A que lugares de maneira particular Ele nos envia? Quais as coisas nos prendem e nos impedem de cumprir nossa tarefa missionária? Se pensarmos bem, somos muitas vezes escravos do “ter”, do status... Sentimo-nos amarrados em bens materiais, em coisas desnecessárias para viver que a sensação, a impressão é que elas acabam se incorporando em nossa vida. Parece que não conseguimos mais viver sem elas. Se não cuidarmos, o essencial vai sendo substituído... E o que é essencial? Devemos nos perguntar sempre...

 
Jesus nos adverte, assim como advertiu os discípulos: ter uma atitude de sobriedade e de despojamento, desapego aos bens materiais, às idéias e preconceitos, aos maus hábitos, aos maus comportamentos; tudo isso constitui obstáculo para a missão de anunciar o Reino.

 
Além do mais, em quais situações devemos “sacudir o pó”, sacudir a poeira dos pés na tarefa missionária? A nossa tarefa não é só em lugares longínquos, pode ser no trabalho, na sala de aula, até mesmo em nossa casa, dentro da nossa família, em nossos relacionamentos, muitas vezes sem o mínimo de diálogo....

 
Tenhamos coragem, pois sempre seremos fortalecidos pela Palavra de Deus, pela oração, pela vivência nos sacramentos que nos dão respaldo e firmeza para caminhar sem machucar os pés. Por isso, temos que ter perseverança e confiança, se erramos, podemos nos arrepender, Deus nos perdoa se nos arrependermos sinceramente. Sejamos humildes e confiantes da Providência Divina. Assim seja!

Brasília/DF 13.07.2012
Maria Auxiliadôra Martins Melo

terça-feira, 3 de julho de 2012

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO


A liturgia convida-nos a refletir sobre estas duas figuras e a considerar o seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e de testemunho do projeto libertador de Deus.

Vou falar um pouco sobre cada um, primeiramente sobre São Pedro.

Simão recebeu de Jesus o nome de “Pedro” no primeiro encontro que teve com ele (Jo 1, 42), nome solenemente ratificado quando lhe promete o primado, que é a razão do novo nome: és a pedra ou autoridade básica da Igreja (Mt 16, 18). Simão Pedro era natural de Betsaida, onde, com seu irmão André e seus amigos e sócios, os irmãos Tiago e João, praticava a pesca. Na lista dos apóstolos, Pedro sempre é colocado primeiro. Forma com Tiago e João o grupo dos três apóstolos prediletos, aos quais Jesus pega como testemunhas na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração e na agonia. Embora num momento da paixão tenha negado ser seu discípulo, Jesus lhe aparece em particular, e na comunidade primitiva ele atua como cabeça; eleição de Matias; atuação diante do sinédrio; assunto de Ananias e Safira; visita às comunidades que vão se estabelecendo. É ele que dá o grande passo de abrir as portas da Igreja aos gentios sem exigir que passem pela lei judia. Foi livre milagrosamente quando Herodes quis matá-lo. Sabemos pela tradição que esteve em Roma como chefe da comunidade cristã e que ali sofreu martírio, sob o imperador Nero, no ano 67.

Em relação a São Paulo, o nome que lhe puseram seus pais foi “Saulo”, que significa “o desejado”, e o nome romano “Paulo”. De sua vida, sabemos aquilo que encontramos nos Atos dos Apóstolos” e em suas cartas. Nasceu em Tarso da Cilícia (Ásia Menor), seus pais eram judeus, da tribo de Benjamin, que viviam na diáspora. Teve a educação judia e a do mundo grego, como também gozou de pertença ao povo hebreu e da cidadania romana, porque dela gozava seu pai. Aderiu a corrente farisaica, estudou com Gamaliel, mestre de mente aberta, como os rabinos aprendeu um ofício para viver dele: o de fabricante de tendas. Nos primeiros anos de sua atividade pública foi perseguidor dos seguidores de Jesus, até que Cristo, que o tinha escolhido, saiu-lhe ao encontro no caminho de Damasco. A atividade apostólica de São Paulo foi intensa, até o ponto de se lhe chamar “o apóstolo”, embora não tenha conhecido o Senhor em vida. Segundo a tradição, morreu decapitado por Nero em Roma no ano 67. Os Atos dos Apóstolos o têm como o principal protagonista no avanço expansivo do cristianismo desde Jerusalém até Roma e escreveu numerosas cartas. Por isso, ao olharmos para o seu exemplo, impressiona-nos como o encontro com Cristo marcou a sua vida de forma tão decisiva; como ele se identificou totalmente com Cristo; como ele anunciou o Evangelho em todo o mundo, mesmo tendo passado por dificuldades, tortura, prisão. Paulo é, verdadeiramente, um modelo e um testemunho que deve inspirar cada cristão.

No Evangelho segundo São Mateus (Mt 16,13-19), a Pedro Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar” (Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos Céus). Jesus nomeia Pedro para “administrador” e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino. Todos são chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que não estão dispostos a aderir às propostas de Jesus não podem aí ser admitidos. Pedro é o protótipo do discípulo; nele, está representada a comunidade que se reúne em volta de Jesus e que proclama a sua fé em Jesus como o “Messias” e o “Filho de Deus”. É a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir.

Portanto, Jesus instituiu Pedro como o chefe supremo da Igreja. Só está unido com Cristo quem está unido com a Igreja; e só está unido com a Igreja quem obedece filialmente ao Papa. Assim, é a sucessão sem nunca ter sido interrompida. O Papa Bento XVI é o 266º sucessor de São. Pedro na cátedra de coordenador geral da Igreja. Por isso, hoje, dia 29 de junho, é também o Dia do Papa. Nós, católicos, reafirmamos a nossa obediência filial a Bento XVI, e rezamos por ele, para que tenha muita saúde, sabedoria e santidade, a fim de continuar à frente da Igreja por muitos e muitos anos, como um bom pastor.

Celebramos com alegria a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Eles são chamados de “colunas da Igreja”, porque Pedro foi o seu primeiro chefe, e Paulo o primeiro propagador entre os pagãos. Por caminhos diferentes, os dois testemunharam Jesus Cristo, inclusive entregando a vida por Ele.
Viva São Pedro! Viva São Paulo!

Em 29.06.2012
Maria Auxiliadôra

terça-feira, 19 de junho de 2012

O REINO DE DEUS



Por meio da “Parábola da semente que germina por si só” e da “Parábola do grão de mostrada”, o Evangelho do 11º Domingo do Tempo Comum, Ano B, segundo São Marcos (Mc 4, 26-34) traz uma catequese sobre o Reino de Deus.

Jesus compara o Reino de Deus como um homem que lançou uma semente à terra. Noite e dia, esse homem dorme e levanta-se, enquanto a semente germina e cresce sem ele saber como. Ele não vê, mas a semente germina e continua a crescer... A terra vai agindo sobre a semente, esta semente, por si mesma, torna-se uma plantinha, que vai crescendo, crescendo, produz fruto, primeiro a erva depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos. E quando o trigo o permite, quando o fruto está no ponto, logo, imediatamente se lhe lança a foice, porque já chegou o tempo da colheita.

Mas, vamos tentar entender melhor a Parábola do grão que germina por si só. Qual a atitude do homem-agricultor? Semear (jogar a semente) e colher. A semente vai crescendo e amadurecendo sem que o homem intervenha para impedir ou acelerar o processo, não é isso? Pois bem, qual o resultado final? Independente dos esforços e da habilidade do homem, o resultado final é que a semente, com seu dinamismo, germina. O que representa a semente? A semente é o Reino de Deus, ou seja, uma iniciativa divina, pois é Deus quem atua, dia e noite, e nada poderá frustrar o seu plano. Não adianta forçar o tempo ou os resultados. É Deus que dirige a marcha da história e que fará com que o Reino aconteça, de acordo com o seu tempo e o seu projeto. Desta forma, a parábola convida à serenidade e à confiança nesse Deus, que não dorme nem se demite, e que não deixará de realizar, ao seu tempo e de acordo com a sua lógica, o seu plano para os homens e para o mundo.

Então, Jesus pergunta: Com que compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? É como um grão de mostarda que, quando é semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra; mas, quando é semeado, cresce e torna-se a maior de todas as hortaliças, e deita grandes ramos, a tal ponto que as aves do céu se abrigam à sua sombra. Jesus anunciava a Palavra por meio de parábolas, como essas, explicava tudo em particular aos seus discípulos. Aqui está a segunda parábola: a Parábola do grão de mostarda.

Pois bem, a semente de mostarda, para quem não conhece, é muito pequena. Aqui a semente do Reino, ou seja, a Boa Nova é lançada pelo anúncio de Jesus a todos, indistintamente. Ainda que o Reino de Deus tenha inícios modestos ou que se apresente com sinais de pequenez, aos olhos do mundo, tem uma força irresistível, pois encerra em si o dinamismo de Deus. Isso demonstra uma coisa: Deus serve-Se de algo que é pequeno e insignificante aos olhos do mundo para concretizar os seus projetos de salvação e de graça em favor das pessoas. Desta forma, a parábola é um convite à esperança, à confiança e à paciência. Nos fatos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e normalidade de cada dia, na insignificância dos meios, esconde-se o dinamismo de Deus que atua na história e que oferece aos homens caminhos de salvação e de vida plena.

Como vemos, o Evangelho apresenta duas parábolas: a primeira traz uma catequese sobre o Reino de Deus. Jesus é o Messias que proclama o Reino de Deus. Para ingressar nesse Reino é preciso conversão, uma mudança de mentalidade para aderir os valores que Cristo encarna. Isso não implica escravidão, mas a própria realização, pois onde começa este Reino no homem, ali está a sua salvação. Deus caminha conosco e nos leva ao encontro de um final feliz. O seu projeto de salvação revela-se no anúncio do Reino, feito por Jesus ao propor um caminho novo, uma nova realidade. A semente já foi lançada e não foi em vão: está entre nós e cresce por ação de Deus. Resta-nos acolher essa semente e deixar que Deus realize a sua ação. Resta-nos, também, como discípulos de Jesus, continuar a lançar essa semente do Reino, a fim de que ela encontre lugar no coração de cada homem e de cada mulher.

A segunda parábola, quanto à pequenez da semente, somos convidados a rever os nossos critérios de atuação e a nossa forma de olhar o mundo e os nossos irmãos. Às vezes, é naquilo que é pequeno, e aparentemente insignificante, que Deus Se revela. Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e são deles que Deus Se serve para transformar o mundo. Atitudes de arrogância, de ambição desmedida, de poder a qualquer custo, não são sinais do Reino. Sempre que nos deixamos levar por tentações de grandeza, de orgulho, de prepotência, de vaidade, estamos a frustrar o projeto de Deus, a impedir que o Reino de Deus se torne realidade no mundo e nas nossas vidas.

Foi lançado o convite: olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança em Deus, fiel ao seu plano de salvação.

Brasília, 15 de junho de 2012
Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 3 de maio de 2012

SER MÃE

 


Analisando o que é “ser mãe” tentei encontrar a resposta, não uma resposta qualquer, mas a que expressasse com fidelidade o real significado. Difícil, muito difícil...

 

Fiquei fazendo uma “sessão nostalgia”, rememorando fatos, sentimentos, acontecimentos na minha e na vida de pessoas próximas. Lembrei do quão uma gravidez pode transformar a mulher, seu corpo, sua cabeça, seu coração, seu dia a dia, suas expectativas, seu humor, suas alegrias e até, porque não dizer, suas tristezas.

 

A primeira gestação é primeira em tudo, tanto para a mulher quanto para o homem. Porém, na mulher acontece diferente, já que ela está 24 horas do seu dia ligadinha àquela criaturinha em seu ventre. Parece que o homem só se sente “grávido” quando enxerga um volume “meio esquisito” na barriga da mulher, aí, sim, ele começa a desconfiar que esteja acontecendo algo, e isso já é lá pelo terceiro ou quarto mês de gestação, mesmo que ele já tenha assistido todas as ecografias.

 

 

Quando um bebê nasce é uma festa! Todo o planeta fica feliz, a cidade é linda, a natureza é eterna primavera, o mundo está centrado no fofinho. Os pais não pensam noutra coisa a não ser proporcionar o melhor para seu filhinho, com toda razão.

 

 

O tempo passa, a criança cresce, aparece e ama os pais de paixão. A coisa mais gostosa para uma mãe é ouvir a palavra “mamãe”.

 

 

Quer saber um fato interessante? Assista a uma festinha do Dia das Mães num colégio de ensino infantil. Basta olhar para a arquibancada e conferir um rio de lágrimas das mães e avós se desmanchando por causa dos pimpolhos que cantam, rebolam, gesticulam, dão tchauzinho, sorriem para suas fãs número 1, ao som de uma música super-brega. É assim mesmo, o amor é brega e não existe mulher poderosa que não chora, não se desmancha. Pode ser até de vergonha da música sertaneja dessas bem apaixonadas, com o devido respeito às pessoas que gostam desse gênero musical. Duvido muito que seja por esse motivo. A bem da verdade, toda mãe nem liga para a música que é cuidadosamente ensaiada, seja qual for o gênero. Importa quem está executando. E para quem? Para ela, a mamãezinha do coração...

 

 

Depois a criança cresce mais um pouquinho, vira adolescente (quase adulto) e desaparece. Meu Deus, que preocupação! Ele, o jovem, nem sabe que o mundo é cheio de perigos e que deveria “permanecer” aos cuidados da mãe tal qual o pintinho embaixo da asa da galinha. Ela, por sua vez, passa noites em claro enquanto ele não chega. Uma, duas, dez, muitas e muitas, ela não se cansa. Até o dia em que ela percebe que o filho ou a filha já tem um “outro amor” e está casado ou casada. Bem, aí é outra história...

 

 

Como muito bem explica o Papa João Paulo II, agora Beato, na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, sobre a dignidade e a vocação da mulher por ocasião do Ano Mariano:

 

A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a ‘parte’ da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher ‘se encontra por um dom sincero de si mesma’.

 

Sendo assim, indago: toda mulher precisa ser mãe? Não, ser mãe não é uma necessidade. Ser mãe é uma dádiva, é uma declaração de amor incondicional, é uma ligação tão profunda e poderosa que sobrevive para sempre, é uma missão para a vida, é abertura especial para a nova pessoa, é perpetuação da espécie, é transformação da personalidade, é renascimento, é amadurecimento, é responsabilidade para vida toda.

 

 

Enfim, é muito bom ser mãe, contudo digo com toda a certeza, melhor ainda é ter mãe só para ter um colinho onde se aconchegar. Eu tenho duas: uma aqui na terra e outra no céu!

 

Brasília/DF 03.05.2012

Maria Auxiliadôra


sexta-feira, 20 de abril de 2012

NOTA DA CNBB SOBRE O ABORTO DE FETO ANENCEFÁLICO

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”
Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.

Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção.

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Disponível em: <http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9040-qlegalizar-o-aborto-de-fetos-com-anencefalia-erroneamente-diagnosticados-como-mortos-cerebrais-e-descartar-um-ser-humano-fragil-e-indefesoq-afirma-nota-da-cnbb>

segunda-feira, 9 de abril de 2012

TRÍDUO PASCAL

O Ano Litúrgico compreende dois tempos fortes: o Ciclo Pascal e o Ciclo do Natal. O Ciclo Pascal inclui a Quaresma, como preparação; o Tríduo Pascal, como centro; e o Tempo Pascal, como prolongamento. O Ciclo do Natal, com sua preparação no Advento e o seu prolongamento até a festa do Batismo do Senhor. Além destes dois, temos o Tempo Comum.

O Tríduo Pascal é o ápice do ano litúrgico, especialmente porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, portanto, é um tempo forte para os cristãos. Não é um tríduo preparatório para a festa da Páscoa. É composto de três dias, ou melhor, de três momentos distintos, de uma única celebração, composto pela Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão e Vigília Pascal (Sábado Santo), véspera do Domingo de Páscoa.

A contagem dos três dias é feita da seguinte maneira:
- Primeiro dia: começa na quinta-feira à noite (depois do pôr do Sol) até sexta-feira;
- Segundo dia: de sexta-feira à tarde até sábado;
- Terceiro dia: de sábado à domingo da Páscoa.

QUINTA-FEIRA SANTA
Na Quinta-feira Santa comemora-se a última ceia (Ceia do Senhor), em que Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio cristão. Há, também, a Cerimônia do Lava-pés como recordação do gesto em que Jesus lavou os pés dos doze apóstolos. Ao final da celebração, há a transladação do Santíssimo Sacramento para um lugar menor, para ser adorado.

SEXTA-FEIRA SANTA (PAIXÃO DO SENHOR)
Na Sexta-feira Santa não se celebra Missa. Recorda-se a Morte de Cristo por uma celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de preces solenes, adoração da cruz e comunhão sacramental, mas não é Missa. Este dia é marcado com o silêncio, o jejum e a oração, mas não deve ser vivido em clima de luto, e sim de profundo respeito diante da morte do Senhor.

SÁBADO SANTO
O Sábado Santo é dedicado à Vigília Pascal, que é a memória da noite santa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há a bênção do fogo novo e do círio pascal, a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, com leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e a liturgia Eucarística.

Brasília/DF 09.04.2012
Maria Auxiliadôra

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Domingo da Paixão nos Ramos (Mc 11, 1-10)


O último domingo da Quaresma é, propriamente, chamado de Domingo da Paixão nos Ramos.

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos. Uma semana que a liturgia católica vive na maior profundidade possível a Paixão, a Morte e a Ressurreição do nosso Salvador. Portanto, celebram-se dois mistérios muito unidos: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e sua Paixão.

A cidade de Jerusalém fervillava de gente. Judeus de todos os cantos estavam chegando para uma semana de comemorações da Páscoa. Logo que chegou a notícia de que Jesus estava a caminho de Jerusalém, uma multidão entusiasmada partiu ao seu encontro. Jesus e seus discípulos haviam chegado a Betânia. Jesus disse a dois de seus discípulos: - Vão à aldeia e tragam-me o jumentinho que encontrrão preso junto à mãe dele. Se alguém perguntar o que vocês pretendem, digam-lhe que o Mestre precisa dele e em breve o devolverá.

Os discípulos fizeram conforme Jesus disse. Levaram o jumentinho e estenderam seus mantos no lombo do animal para fazerem uma sela. Então, Jesus montou no lombo do jumento e entrou humildemente na cidade. A multidão apressou-se e muitos foram à frente e O receberam com festa, estendendo suas vestes, seus mantos pelo caminho para fazer uma estrada real; outros com ramos de oliveira e palmeira que haviam apanhado nos campos agitavam para homenageá-Lo: - Hosana! – gritavam. – Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Chegou o Rei há tanto tempo prometido! Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor!

Como é que pode, Jesus faz sua entrada solene em Jerusalém montado num jumentinho? Pois é, Ele sendo Deus e recebendo uma aclamação jamais vista. Vejam bem, gritavam: - Chegou o Rei!

Muitos reconheciam Jesus como Rei, pois O aceitavam como quem indica o caminho, Aquele em quem confiavam e o seguiam. Mas, aqueles mesmos que o aclamaram ainda o levariam ao suplício da cruz, quanta incoerência...

Vamos, também, saudar Jesus com palmas, com ramos, fazer nossa procissão do Domingo de Ramos, com alegria festiva, acompanhá-Lo, porém a nossa procissão deve ser algo mais profundo, como ressalta o Papa Bento XVI: “a nossa procissão de hoje quer ser imagem de algo mais profundo, imagem do fato que nos encaminhamos em peregrinação, juntamente com Jesus, pelo caminho alto que leva ao Deus vivo. É desta subida que se trata: tal é o caminho, a que Jesus nos convida”.

Quando participamos da procissão estamos dando nosso testemunho àquele que é o Salvador, àquele que tornou visível o rosto de Deus e por quem o coração de Deus se abre a todos nós.

A procissão representa o nosso “sim” a Jesus, no seu seguimento, por isso devemos sempre pedir a graça de segui-Lo: - Vem, Jesus, dai-nos a graça de segui-Lo, aonde quer que o Senhor vá. Não tenhamos medo, não tenha medo! Renuncie às comodidades da vida e dê o seu “sim”. Devemos aceitá-Lo a cada dia e ter Sua Palavra como critério válido para nossa vida, porque só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Só Ele tem a autoridade da verdade!

Com o Senhor, sejamos peregrinos, para o Alto, à procura da verdade, à procura do rosto de Deus, à procura da face de Deus!

Brasília 01.04.2012
Maria Auxiliadôra