quinta-feira, 19 de julho de 2012

MISSÃO DOS DOZE


Hoje refletiremos sobre a Missão dos Doze, tema do Evangelho segundo Marcos (Mc 6,7-13). A liturgia recorda-nos a atuação de Deus no mundo por meio das pessoas que Ele chama e envia como testemunhas do seu projeto de salvação. O “chamado” e, consequentemente, o “envio” é uma tarefa que não se pode realizar no individualismo, na solidão, mas numa dimensão comunitária. Por isto, Jesus chamou os Doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois.

 
Por que “doze”? O “doze” aqui é um número simbólico, lembra as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus. Estes “Doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do Povo de Deus, do novo Povo de Deus que é enviada em missão. Então, os Doze são enviados dois a dois, exatamente porque a evangelização tem uma dimensão comunitária, já que os discípulos são enviados em missão. Esta missão era o anunciar o Reino de Deus e lutar contra tudo aquilo que escraviza o homem e o impede de ser feliz. O ir “dois a dois” significava a necessidade de duas testemunhas para a declaração dos acontecimentos importantes.

 
Antes de enviá-los, Jesus dá-lhes algumas instruções de como proceder, claro, Ele é o Mestre, além de dar-lhes autoridade sobre os espíritos impuros. Também, faz algumas recomendações tais como não levarem nada além do bastão, nem mesmo pão nem sacola nem dinheiro nem duas túnicas. Por que? Exatamente porque eles deveriam se sentir livres para a missão, sem laços, livres de todo apego aos bens e meios materiais, livres de todo orgulho e ânsia de poder, num despojamento total de todos os bens e seguranças humanas, para que a preocupação com essas coisas materiais não os desviassem do seu objetivo, já que a finalidade era pregar a vida eterna, afinal, eles acreditavam e confiavam em Deus e em sua providência.

 
Ainda, disse-lhes Jesus: “Onde quer que entreis numa casa, nela permanecei até vos retirardes do lugar. E se algum lugar não vos receber nem vos quiser ouvir ao partirdes de lá, sacudi o pó de debaixo dos vossos pés em testemunho contra eles”. Partindo, eles pregavam que todos se arrependessem. E expulsavam muitos demônios e curavam muitos enfermos, ungindo-os com óleo.

 
As instruções de Jesus aos discípulos representam o sentido e o valor que eles deviam observar. Assim como nós, cristãos, também, somos chamados a evangelizar, e quem nos chama, quem nos convida é Jesus, a iniciativa é Dele, cabe-nos responder a esse chamado... Todos são convidados, não apenas um grupo, uma comunidade, uma nação, mas todos. O Evangelho fala em “doze”, que é a totalidade do Povo de Deus. Então, todos são chamados... Será que nos sentimos parte dos “doze” como convocados por Jesus a viver a fé? O que realmente significa hoje ser um “enviado” de Jesus? A que lugares de maneira particular Ele nos envia? Quais as coisas nos prendem e nos impedem de cumprir nossa tarefa missionária? Se pensarmos bem, somos muitas vezes escravos do “ter”, do status... Sentimo-nos amarrados em bens materiais, em coisas desnecessárias para viver que a sensação, a impressão é que elas acabam se incorporando em nossa vida. Parece que não conseguimos mais viver sem elas. Se não cuidarmos, o essencial vai sendo substituído... E o que é essencial? Devemos nos perguntar sempre...

 
Jesus nos adverte, assim como advertiu os discípulos: ter uma atitude de sobriedade e de despojamento, desapego aos bens materiais, às idéias e preconceitos, aos maus hábitos, aos maus comportamentos; tudo isso constitui obstáculo para a missão de anunciar o Reino.

 
Além do mais, em quais situações devemos “sacudir o pó”, sacudir a poeira dos pés na tarefa missionária? A nossa tarefa não é só em lugares longínquos, pode ser no trabalho, na sala de aula, até mesmo em nossa casa, dentro da nossa família, em nossos relacionamentos, muitas vezes sem o mínimo de diálogo....

 
Tenhamos coragem, pois sempre seremos fortalecidos pela Palavra de Deus, pela oração, pela vivência nos sacramentos que nos dão respaldo e firmeza para caminhar sem machucar os pés. Por isso, temos que ter perseverança e confiança, se erramos, podemos nos arrepender, Deus nos perdoa se nos arrependermos sinceramente. Sejamos humildes e confiantes da Providência Divina. Assim seja!

Brasília/DF 13.07.2012
Maria Auxiliadôra Martins Melo

terça-feira, 3 de julho de 2012

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO


A liturgia convida-nos a refletir sobre estas duas figuras e a considerar o seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e de testemunho do projeto libertador de Deus.

Vou falar um pouco sobre cada um, primeiramente sobre São Pedro.

Simão recebeu de Jesus o nome de “Pedro” no primeiro encontro que teve com ele (Jo 1, 42), nome solenemente ratificado quando lhe promete o primado, que é a razão do novo nome: és a pedra ou autoridade básica da Igreja (Mt 16, 18). Simão Pedro era natural de Betsaida, onde, com seu irmão André e seus amigos e sócios, os irmãos Tiago e João, praticava a pesca. Na lista dos apóstolos, Pedro sempre é colocado primeiro. Forma com Tiago e João o grupo dos três apóstolos prediletos, aos quais Jesus pega como testemunhas na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração e na agonia. Embora num momento da paixão tenha negado ser seu discípulo, Jesus lhe aparece em particular, e na comunidade primitiva ele atua como cabeça; eleição de Matias; atuação diante do sinédrio; assunto de Ananias e Safira; visita às comunidades que vão se estabelecendo. É ele que dá o grande passo de abrir as portas da Igreja aos gentios sem exigir que passem pela lei judia. Foi livre milagrosamente quando Herodes quis matá-lo. Sabemos pela tradição que esteve em Roma como chefe da comunidade cristã e que ali sofreu martírio, sob o imperador Nero, no ano 67.

Em relação a São Paulo, o nome que lhe puseram seus pais foi “Saulo”, que significa “o desejado”, e o nome romano “Paulo”. De sua vida, sabemos aquilo que encontramos nos Atos dos Apóstolos” e em suas cartas. Nasceu em Tarso da Cilícia (Ásia Menor), seus pais eram judeus, da tribo de Benjamin, que viviam na diáspora. Teve a educação judia e a do mundo grego, como também gozou de pertença ao povo hebreu e da cidadania romana, porque dela gozava seu pai. Aderiu a corrente farisaica, estudou com Gamaliel, mestre de mente aberta, como os rabinos aprendeu um ofício para viver dele: o de fabricante de tendas. Nos primeiros anos de sua atividade pública foi perseguidor dos seguidores de Jesus, até que Cristo, que o tinha escolhido, saiu-lhe ao encontro no caminho de Damasco. A atividade apostólica de São Paulo foi intensa, até o ponto de se lhe chamar “o apóstolo”, embora não tenha conhecido o Senhor em vida. Segundo a tradição, morreu decapitado por Nero em Roma no ano 67. Os Atos dos Apóstolos o têm como o principal protagonista no avanço expansivo do cristianismo desde Jerusalém até Roma e escreveu numerosas cartas. Por isso, ao olharmos para o seu exemplo, impressiona-nos como o encontro com Cristo marcou a sua vida de forma tão decisiva; como ele se identificou totalmente com Cristo; como ele anunciou o Evangelho em todo o mundo, mesmo tendo passado por dificuldades, tortura, prisão. Paulo é, verdadeiramente, um modelo e um testemunho que deve inspirar cada cristão.

No Evangelho segundo São Mateus (Mt 16,13-19), a Pedro Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar” (Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos Céus). Jesus nomeia Pedro para “administrador” e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino. Todos são chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que não estão dispostos a aderir às propostas de Jesus não podem aí ser admitidos. Pedro é o protótipo do discípulo; nele, está representada a comunidade que se reúne em volta de Jesus e que proclama a sua fé em Jesus como o “Messias” e o “Filho de Deus”. É a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir.

Portanto, Jesus instituiu Pedro como o chefe supremo da Igreja. Só está unido com Cristo quem está unido com a Igreja; e só está unido com a Igreja quem obedece filialmente ao Papa. Assim, é a sucessão sem nunca ter sido interrompida. O Papa Bento XVI é o 266º sucessor de São. Pedro na cátedra de coordenador geral da Igreja. Por isso, hoje, dia 29 de junho, é também o Dia do Papa. Nós, católicos, reafirmamos a nossa obediência filial a Bento XVI, e rezamos por ele, para que tenha muita saúde, sabedoria e santidade, a fim de continuar à frente da Igreja por muitos e muitos anos, como um bom pastor.

Celebramos com alegria a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Eles são chamados de “colunas da Igreja”, porque Pedro foi o seu primeiro chefe, e Paulo o primeiro propagador entre os pagãos. Por caminhos diferentes, os dois testemunharam Jesus Cristo, inclusive entregando a vida por Ele.
Viva São Pedro! Viva São Paulo!

Em 29.06.2012
Maria Auxiliadôra

terça-feira, 19 de junho de 2012

O REINO DE DEUS



Por meio da Parábola da semente que germina por si só” e da “Parábola do grão de mostrada”, o Evangelho do 11º Domingo do Tempo Comum, Ano B, segundo São Marcos (Mc 4, 26-34) traz uma catequese sobre o Reino de Deus.

Jesus compara o Reino de Deus como um homem que lançou uma semente à terra. Noite e dia, esse homem dorme e levanta-se, enquanto a semente germina e cresce sem ele saber como. Ele não vê, mas a semente germina e continua a crescer... A terra vai agindo sobre a semente, esta semente, por si mesma, torna-se uma plantinha, que vai crescendo, crescendo, produz fruto, primeiro a erva depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos. E quando o trigo o permite, quando o fruto está no ponto, logo, imediatamente se lhe lança a foice, porque já chegou o tempo da colheita.

Mas, vamos tentar entender melhor a Parábola do grão que germina por si só. Qual a atitude do homem-agricultor? Semear (jogar a semente) e colher. A semente vai crescendo e amadurecendo sem que o homem intervenha para impedir ou acelerar o processo, não é isso? Pois bem, qual o resultado final? Independente dos esforços e da habilidade do homem, o resultado final é que a semente, com seu dinamismo, germina. O que representa a semente? A semente é o Reino de Deus, ou seja, uma iniciativa divina, pois é Deus quem atua, dia e noite, e nada poderá frustrar o seu plano. Não adianta forçar o tempo ou os resultados. É Deus que dirige a marcha da história e que fará com que o Reino aconteça, de acordo com o seu tempo e o seu projeto. Desta forma, a parábola convida à serenidade e à confiança nesse Deus, que não dorme nem se demite, e que não deixará de realizar, ao seu tempo e de acordo com a sua lógica, o seu plano para os homens e para o mundo.

Então, Jesus pergunta: Com que compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? É como um grão de mostarda que, quando é semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra; mas, quando é semeado, cresce e torna-se a maior de todas as hortaliças, e deita grandes ramos, a tal ponto que as aves do céu se abrigam à sua sombra. Jesus anunciava a Palavra por meio de parábolas, como essas, explicava tudo em particular aos seus discípulos. Aqui está a segunda parábola: a Parábola do grão de mostarda.

Pois bem, a semente de mostarda, para quem não conhece, é muito pequena. Aqui a semente do Reino, ou seja, a Boa Nova é lançada pelo anúncio de Jesus a todos, indistintamente. Ainda que o Reino de Deus tenha inícios modestos ou que se apresente com sinais de pequenez, aos olhos do mundo, tem uma força irresistível, pois encerra em si o dinamismo de Deus. Isso demonstra uma coisa: Deus serve-Se de algo que é pequeno e insignificante aos olhos do mundo para concretizar os seus projetos de salvação e de graça em favor das pessoas. Desta forma, a parábola é um convite à esperança, à confiança e à paciência. Nos fatos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e normalidade de cada dia, na insignificância dos meios, esconde-se o dinamismo de Deus que atua na história e que oferece aos homens caminhos de salvação e de vida plena.

Como vemos, o Evangelho apresenta duas parábolas: a primeira traz uma catequese sobre o Reino de Deus. Jesus é o Messias que proclama o Reino de Deus. Para ingressar nesse Reino é preciso conversão, uma mudança de mentalidade para aderir os valores que Cristo encarna. Isso não implica escravidão, mas a própria realização, pois onde começa este Reino no homem, ali está a sua salvação. Deus caminha conosco e nos leva ao encontro de um final feliz. O seu projeto de salvação revela-se no anúncio do Reino, feito por Jesus ao propor um caminho novo, uma nova realidade. A semente já foi lançada e não foi em vão: está entre nós e cresce por ação de Deus. Resta-nos acolher essa semente e deixar que Deus realize a sua ação. Resta-nos, também, como discípulos de Jesus, continuar a lançar essa semente do Reino, a fim de que ela encontre lugar no coração de cada homem e de cada mulher.

A segunda parábola, quanto à pequenez da semente, somos convidados a rever os nossos critérios de atuação e a nossa forma de olhar o mundo e os nossos irmãos. Às vezes, é naquilo que é pequeno, e aparentemente insignificante, que Deus Se revela. Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e são deles que Deus Se serve para transformar o mundo. Atitudes de arrogância, de ambição desmedida, de poder a qualquer custo, não são sinais do Reino. Sempre que nos deixamos levar por tentações de grandeza, de orgulho, de prepotência, de vaidade, estamos a frustrar o projeto de Deus, a impedir que o Reino de Deus se torne realidade no mundo e nas nossas vidas.

Foi lançado o convite: olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança em Deus, fiel ao seu plano de salvação.

Brasília, 15 de junho de 2012
Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 3 de maio de 2012

SER MÃE

 


Analisando o que é “ser mãe” tentei encontrar a resposta, não uma resposta qualquer, mas a que expressasse com fidelidade o real significado. Difícil, muito difícil...

 

Fiquei fazendo uma “sessão nostalgia”, rememorando fatos, sentimentos, acontecimentos na minha e na vida de pessoas próximas. Lembrei do quão uma gravidez pode transformar a mulher, seu corpo, sua cabeça, seu coração, seu dia a dia, suas expectativas, seu humor, suas alegrias e até, porque não dizer, suas tristezas.

 

A primeira gestação é primeira em tudo, tanto para a mulher quanto para o homem. Porém, na mulher acontece diferente, já que ela está 24 horas do seu dia ligadinha àquela criaturinha em seu ventre. Parece que o homem só se sente “grávido” quando enxerga um volume “meio esquisito” na barriga da mulher, aí, sim, ele começa a desconfiar que esteja acontecendo algo, e isso já é lá pelo terceiro ou quarto mês de gestação, mesmo que ele já tenha assistido todas as ecografias.

 

 

Quando um bebê nasce é uma festa! Todo o planeta fica feliz, a cidade é linda, a natureza é eterna primavera, o mundo está centrado no fofinho. Os pais não pensam noutra coisa a não ser proporcionar o melhor para seu filhinho, com toda razão.

 

 

O tempo passa, a criança cresce, aparece e ama os pais de paixão. A coisa mais gostosa para uma mãe é ouvir a palavra “mamãe”.

 

 

Quer saber um fato interessante? Assista a uma festinha do Dia das Mães num colégio de ensino infantil. Basta olhar para a arquibancada e conferir um rio de lágrimas das mães e avós se desmanchando por causa dos pimpolhos que cantam, rebolam, gesticulam, dão tchauzinho, sorriem para suas fãs número 1, ao som de uma música super-brega. É assim mesmo, o amor é brega e não existe mulher poderosa que não chora, não se desmancha. Pode ser até de vergonha da música sertaneja dessas bem apaixonadas, com o devido respeito às pessoas que gostam desse gênero musical. Duvido muito que seja por esse motivo. A bem da verdade, toda mãe nem liga para a música que é cuidadosamente ensaiada, seja qual for o gênero. Importa quem está executando. E para quem? Para ela, a mamãezinha do coração...

 

 

Depois a criança cresce mais um pouquinho, vira adolescente (quase adulto) e desaparece. Meu Deus, que preocupação! Ele, o jovem, nem sabe que o mundo é cheio de perigos e que deveria “permanecer” aos cuidados da mãe tal qual o pintinho embaixo da asa da galinha. Ela, por sua vez, passa noites em claro enquanto ele não chega. Uma, duas, dez, muitas e muitas, ela não se cansa. Até o dia em que ela percebe que o filho ou a filha já tem um “outro amor” e está casado ou casada. Bem, aí é outra história...

 

 

Como muito bem explica o Papa João Paulo II, agora Beato, na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, sobre a dignidade e a vocação da mulher por ocasião do Ano Mariano:

 

A maternidade implica desde o início uma abertura especial para a nova pessoa: e precisamente esta é a ‘parte’ da mulher. Nessa abertura, ao conceber e dar à luz o filho, a mulher ‘se encontra por um dom sincero de si mesma’.

 

Sendo assim, indago: toda mulher precisa ser mãe? Não, ser mãe não é uma necessidade. Ser mãe é uma dádiva, é uma declaração de amor incondicional, é uma ligação tão profunda e poderosa que sobrevive para sempre, é uma missão para a vida, é abertura especial para a nova pessoa, é perpetuação da espécie, é transformação da personalidade, é renascimento, é amadurecimento, é responsabilidade para vida toda.

 

 

Enfim, é muito bom ser mãe, contudo digo com toda a certeza, melhor ainda é ter mãe só para ter um colinho onde se aconchegar. Eu tenho duas: uma aqui na terra e outra no céu!

 

Brasília/DF 03.05.2012

Maria Auxiliadôra


sexta-feira, 20 de abril de 2012

NOTA DA CNBB SOBRE O ABORTO DE FETO ANENCEFÁLICO

Nota da CNBB sobre o aborto de Feto “Anencefálico”
Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.

Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção.

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Disponível em: <http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9040-qlegalizar-o-aborto-de-fetos-com-anencefalia-erroneamente-diagnosticados-como-mortos-cerebrais-e-descartar-um-ser-humano-fragil-e-indefesoq-afirma-nota-da-cnbb>

segunda-feira, 9 de abril de 2012

TRÍDUO PASCAL

O Ano Litúrgico compreende dois tempos fortes: o Ciclo Pascal e o Ciclo do Natal. O Ciclo Pascal inclui a Quaresma, como preparação; o Tríduo Pascal, como centro; e o Tempo Pascal, como prolongamento. O Ciclo do Natal, com sua preparação no Advento e o seu prolongamento até a festa do Batismo do Senhor. Além destes dois, temos o Tempo Comum.

O Tríduo Pascal é o ápice do ano litúrgico, especialmente porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, portanto, é um tempo forte para os cristãos. Não é um tríduo preparatório para a festa da Páscoa. É composto de três dias, ou melhor, de três momentos distintos, de uma única celebração, composto pela Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão e Vigília Pascal (Sábado Santo), véspera do Domingo de Páscoa.

A contagem dos três dias é feita da seguinte maneira:
- Primeiro dia: começa na quinta-feira à noite (depois do pôr do Sol) até sexta-feira;
- Segundo dia: de sexta-feira à tarde até sábado;
- Terceiro dia: de sábado à domingo da Páscoa.

QUINTA-FEIRA SANTA
Na Quinta-feira Santa comemora-se a última ceia (Ceia do Senhor), em que Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio cristão. Há, também, a Cerimônia do Lava-pés como recordação do gesto em que Jesus lavou os pés dos doze apóstolos. Ao final da celebração, há a transladação do Santíssimo Sacramento para um lugar menor, para ser adorado.

SEXTA-FEIRA SANTA (PAIXÃO DO SENHOR)
Na Sexta-feira Santa não se celebra Missa. Recorda-se a Morte de Cristo por uma celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de preces solenes, adoração da cruz e comunhão sacramental, mas não é Missa. Este dia é marcado com o silêncio, o jejum e a oração, mas não deve ser vivido em clima de luto, e sim de profundo respeito diante da morte do Senhor.

SÁBADO SANTO
O Sábado Santo é dedicado à Vigília Pascal, que é a memória da noite santa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há a bênção do fogo novo e do círio pascal, a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, com leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e a liturgia Eucarística.

Brasília/DF 09.04.2012
Maria Auxiliadôra

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Domingo da Paixão nos Ramos (Mc 11, 1-10)


O último domingo da Quaresma é, propriamente, chamado de Domingo da Paixão nos Ramos.

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos. Uma semana que a liturgia católica vive na maior profundidade possível a Paixão, a Morte e a Ressurreição do nosso Salvador. Portanto, celebram-se dois mistérios muito unidos: a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e sua Paixão.

A cidade de Jerusalém fervillava de gente. Judeus de todos os cantos estavam chegando para uma semana de comemorações da Páscoa. Logo que chegou a notícia de que Jesus estava a caminho de Jerusalém, uma multidão entusiasmada partiu ao seu encontro. Jesus e seus discípulos haviam chegado a Betânia. Jesus disse a dois de seus discípulos: - Vão à aldeia e tragam-me o jumentinho que encontrrão preso junto à mãe dele. Se alguém perguntar o que vocês pretendem, digam-lhe que o Mestre precisa dele e em breve o devolverá.

Os discípulos fizeram conforme Jesus disse. Levaram o jumentinho e estenderam seus mantos no lombo do animal para fazerem uma sela. Então, Jesus montou no lombo do jumento e entrou humildemente na cidade. A multidão apressou-se e muitos foram à frente e O receberam com festa, estendendo suas vestes, seus mantos pelo caminho para fazer uma estrada real; outros com ramos de oliveira e palmeira que haviam apanhado nos campos agitavam para homenageá-Lo: - Hosana! – gritavam. – Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Chegou o Rei há tanto tempo prometido! Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor!

Como é que pode, Jesus faz sua entrada solene em Jerusalém montado num jumentinho? Pois é, Ele sendo Deus e recebendo uma aclamação jamais vista. Vejam bem, gritavam: - Chegou o Rei!

Muitos reconheciam Jesus como Rei, pois O aceitavam como quem indica o caminho, Aquele em quem confiavam e o seguiam. Mas, aqueles mesmos que o aclamaram ainda o levariam ao suplício da cruz, quanta incoerência...

Vamos, também, saudar Jesus com palmas, com ramos, fazer nossa procissão do Domingo de Ramos, com alegria festiva, acompanhá-Lo, porém a nossa procissão deve ser algo mais profundo, como ressalta o Papa Bento XVI: “a nossa procissão de hoje quer ser imagem de algo mais profundo, imagem do fato que nos encaminhamos em peregrinação, juntamente com Jesus, pelo caminho alto que leva ao Deus vivo. É desta subida que se trata: tal é o caminho, a que Jesus nos convida”.

Quando participamos da procissão estamos dando nosso testemunho àquele que é o Salvador, àquele que tornou visível o rosto de Deus e por quem o coração de Deus se abre a todos nós.

A procissão representa o nosso “sim” a Jesus, no seu seguimento, por isso devemos sempre pedir a graça de segui-Lo: - Vem, Jesus, dai-nos a graça de segui-Lo, aonde quer que o Senhor vá. Não tenhamos medo, não tenha medo! Renuncie às comodidades da vida e dê o seu “sim”. Devemos aceitá-Lo a cada dia e ter Sua Palavra como critério válido para nossa vida, porque só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Só Ele tem a autoridade da verdade!

Com o Senhor, sejamos peregrinos, para o Alto, à procura da verdade, à procura do rosto de Deus, à procura da face de Deus!

Brasília 01.04.2012
Maria Auxiliadôra

sexta-feira, 30 de março de 2012

MAIS QUE UM CONHECIDO


Ouvi de uma pessoa a seguinte frase - Deus é um mistério, mas não é um desconhecido. Enquanto ela falava, sua voz lentamente esvaía-se dos meus ouvidos e meus pensamentos alcançavam vôos mais longínquos. Um mistério sim, mas um desconhecido, isso não! Eu, até então, via-me numa relação de intimidade com Deus, olhei com mais carinho nossa amizade. Estaria negligenciando sua autoridade por ter-me tornado tão “chegada”? Afinal, Ele me conhece melhor que eu mesma...

Fiquei analisando o que seria um “mistério”, sobretudo o mistério da Santíssima Trindade. Lembrei-me de Santo Agostinho, ao referir-se que a alma humana criada à imagem e semelhança de Deus só chegará a ser imagem de Deus enquanto a alma não só se conhecer e amar a si mesma, mas amar a Deus. Quanta verdade, pois só se ama o que se conhece e constato - Deus é amor e bondade infinita – como o ar que respiro. E, por mais que me esforce, jamais compreenderei a real dimensão do amor de Deus por mim. Tanto é verdadeiro e fascinante, quanto misterioso, chegando a ser, por vezes, frustrante.

No meu coração arde um desejo infinito de ver Deus, de estar com Ele. Foi mesmo Deus que inscreveu esse desejo em meu coração, por isso sou atraída para Ele, por minha própria natureza e vocação. Isto explica porque, apesar de muitas vezes ignorá-Lo, sou capaz de entrar em comunhão com Deus. Ora, “sem Deus, o homem não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja”, como ressalta o Papa Bento XVI na conclusão da Carta Encíclica Caritas in Veritate. De fato, a criatura atinge sua plenitude só em Deus, seu Criador.

E apesar das limitações humanas, é possível, sim, ao ser humano conhecer a Deus somente com a luz da razão, todavia sozinho não pode entrar em intimidade com o mistério divino. Para isso, Deus vem ao seu encontro e dá-se a conhecer pela Revelação, ao enviar seu Filho Jesus Cristo, pela graça do Espírito Santo. Jesus é o mediador e a plenitude da Revelação, portanto a Revelação está plenamente realizada.

Tudo isso é um mistério. Sendo Deus trino – Pai, Filho e Espírito Santo – são três pessoas da mesma essência: o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que é a processão. Entretanto, não são três deuses, nem três sábios, nem três luzes, nem três consciências. Distintas relações umas com as outras, no entanto não são opostas, pois a atuação divina somente é possível porque Deus é trino (“....o que está no Pai está no Filho, o que está no Ingênito está no Unigênito...”). Há em Deus três pessoas na unidade da essência, sem subordinação. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são na unidade de sua essência um único Deus, e na diversidade de suas pessoas são precisamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Verdadeiramente, há distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo em virtude das relações recíprocas, mas subsistem na unidade e no amor, pois cada pessoa é Deus inteiramente.

Brasília 29.03.2012
Maria Auxiliadôra

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ABRA-SE: "EFATÁ!" (Mc 7, 31-37)

Jesus saiu da região que fica perto da cidade de Tiro, passou por Sidom e pela região das Dez Cidades e chegou ao lago da Galiléia. Algumas pessoas trouxeram um homem que era surdo e quase não podia falar e pediram a Jesus que pusesse a mão sobre ele. Jesus o tirou do meio da multidão e pôs os dedos nos ouvidos dele. Em seguida cuspiu e colocou um pouco da saliva na língua do homem. Depois olhou para o céu, deu um suspiro profundo e disse ao homem:

- "Efatá!"

E naquele momento os ouvidos do homem se abriram, a sua língua se soltou, e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus ordenou a todos que não contassem para ninguém o que tinha acontecido; porém, quanto mais ele ordenava, mais eles falavam do que havia acontecido. E todas as pessoas que o ouviam ficavam muito admiradas e diziam:

- Tudo o que faz ele faz bem; ele até mesmo faz com que os surdos ouçam e os mudos falem!

Então, imagine a cena: Jesus, junto ao lago da Galiléia cura um homem que era surdo e quase mudo. Observe a dificuldade de comunicação daquele homem. Bastante incomunicável, não é mesmo? Se analisarmos, aquele homem era um marginalizado, excluído, devia ser bem discriminado. A dupla deficiência o mantinha fechado em seu mundo e o impossibilitava de se comunicar e deixar transbordar a vida trazida dentro de si. Além disso, era vítima do preconceito que via na sua limitação física um castigo por causa de eventuais pecados do passado. A marginalização social, portanto, agravava ainda mais sua situação. Mas, "Jesus pôs os dedos nos ouvidos dele". Com "um pouco de saliva" Jesus faz o homem falar "sem dificuldade".

Ora, a saliva, segundo os antigos, tinha poder terapêutico, ela era usada para tratar as doenças. A saliva de Jesus tem poder de Deus: é milagrosa. Antes deste gesto libertador, Jesus "olhou para o céu" e "deu um profundo suspiro". Veja bem: olhou para o céu e deu um profundo suspiro. Sabe o que significa olhar para o céu? Olhar para o céu indica de onde vem a graça. O profundo suspiro significa súplica. As pessoas que assistiram a este milagre comentavam: "Fez tudo bem!". Isso faz recordar a ação criadora de Deus, que também várias vezes "Viu que era bom" (Gn 1).

Jesus pronunciou: “Efatá!” Bastou uma palavra para que isto acontecesse: "Efatá!" que quer dizer: "Abra-se!" Como podemos levar isso pra nossa vida? Quantos de nós, ainda, têm o coração fechado, os olhos, a mente, os ouvidos? E mesmo assim, exigimos, pedimos, suplicamos, gritamos pela voz de Deus, pelas curas, pelos milagres, mas se quer acreditamos que isto pode ser possível. Simplesmente estamos fechados para Ele.

Fechemos nossos olhos e pensemos: Jesus pode pronunciar sobre mim "Efatá!"? De que preciso ser libertado/a por Ele? Sou realmente uma pessoa reconhecida, grata, agradecida e vejo o bem que Deus realiza na minha vida, na vida das outras pessoas, da minha família, no mundo?

Hoje, Cristo vem humildemente pedir: ABRA-SE. Abra-se para o Amor, abra-se para o serviço, abra-se para o perdão. Sim, abra seu coração para que Ele possa entrar e fazer as maravilhas que somente Jesus é capaz. Porque se você deixar, tudo que deseja vai acontecer, se for para seu bem, se for para sua salvação. Então, ABRA-SE.

Humildemente, peçamos a graça de não nos fecharmos em nossos mundos, de não estarmos alheios aos nossos irmãos, como se não fosse de "nossa conta" e não tivéssemos nenhuma ligação com o outro. Estamos no mundo, isso é verdade, mas não somos do mundo. Que Deus nos dê a graça de termos o coração, olhos, ouvidos, mentes abertos para Seu Imenso Amor.

Ah, Senhor Jesus, vem e derrama sobre nós, a abundância do Espírito Santo!
Vem, Senhor, ilumina-nos, guia-nos e fortalece-nos no seu seguimento. Porque é o único caminho para o Pai.

Vem, Senhor, em nosso auxílio e faz-nos crescer no seu amor, para que sejamos, como o apóstolo Paulo, testemunhas vivas do seu Evangelho.
Assim, como Maria, Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos, guardemos sua Palavra, meditando-a no coração.

Jesus, Mestre, Caminho, Verdade e Vida, abra nosso coração e nossa mente, para que possamos realizar plenamente nossa vocação de discípulo do Reino. Assim seja!

Brasília/DF 13.02.2012
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OBRIGADA, SENHOR!


Obrigada, Senhor, pelo dom da vida. Fica comigo hoje e sempre, pois só em Ti minha alma encontra repouso e alegria.
Assim, começo o ano com a Oração de São Pio de Pietrelcina:

FICA COMIGO SENHOR

Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar.

Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.

Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.

Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.

Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade.

Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga.

Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.

Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel.

Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.

Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho.

Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti.

Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.

Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.

Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!

Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais.

Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.