segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

ADVENTO: 3º Domingo



O evangelho do próximo domingo - Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Joao (Jo 1,6-8.19-28) - 3º Domingo do Advento – apresenta-nos João Batista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo.

O singular objetivo de João Batista é centrar o foco na pessoa de Jesus. João não centra o foco em si mesmo, ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a “conhecer” Jesus, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.

O evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 1,6-8.19-28) traz o seguinte texto:

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque batizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu batizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a batizar.

O autor do Quarto Evangelho – João Batista - procura dizer quem é Jesus e define a sua missão. João Batista dá testemunho sobre Jesus diante dos enviados das autoridades judaicas. Naquela época, o Povo de Deus vivia na expectativa da chegada do Messias libertador, enviado por Deus para inaugurar uma nova era de liberdade, de alegria, de felicidade. Deus escolheu João, cuja missão é dar testemunho da “luz”. A “luz” representa a realidade que vem de Deus e com a qual Deus se propõe construir para os homens um mundo novo de vida definitiva e de felicidade total. João não atua por sua própria iniciativa, mas em resposta à escolha divina e para concretizar uma missão que Deus lhe confiou.

João foi enviado por Deus, mas João não é “a luz”! Ele é apenas “a testemunha” que vem preparar os homens para acolher Aquele que vai chegar e que será “a luz/vida”. João não é o Messias, nem Elias, nem se declara “o profeta” e nem aceita que lhe atribuam nenhuma função que possa centrar a atenção na sua própria pessoa. As suas três respostas, conforme se lê no evangelho, são rotundas negativas. Ele não busca a sua glória ou a sua afirmação, nem vem em seu próprio nome; a sua missão é meramente dar testemunho da “luz” e é para essa “luz” que os holofotes devem ser apontados.

João declarou: “Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’”. A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar “o caminho do Senhor”. A “voz” não tem rosto, é anônima e passa despercebida; o importante é o conteúdo da mensagem. É isso que João é: uma “voz” através da qual Deus passa aos homens uma mensagem. É à mensagem e não à “voz” que os homens devem dar atenção. E qual é a mensagem? A mensagem é: endireitai o caminho do Senhor.

E João afirma: “Eu batizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias”.

O batismo ou imersão na água, que João se refere, era um símbolo frequente no judaísmo, usado como rito de purificação ou para significar a mudança de estado de vida.

Portanto, o batismo de João significava a ruptura com a vida das trevas e o desejo de aderir a uma nova vida. Implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, a instalação, o comodismo, a auto-suficiência, tudo o que nos torna escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade.

Assim, o batismo referido por João seria apenas um primeiro passo para acolher “a luz” – a”luz” que vai libertar o homem da escuridão, da cegueira, da mentira, do egoísmo, do pecado.

E quais são as mudanças que nós temos de operar na nossa existência para passar das “trevas” para a “luz”? O que é que nos escraviza e nos impede de ser plenamente felizes? O que é que na nossa vida gera desilusão, frustração, desencanto, sofrimento?

Ademais, é o batismo do Messias (o batismo no Espírito) que transforma totalmente os nossos corações e nos faz livres e nos dá a vida definitiva. Esse que vem batizar no Espírito já está presente, a fim de iniciar a sua obra libertadora. É o Messias Libertador, pois só Ele é “a luz” e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para nos apresentar. Só Jesus é “a luz” que liberta-nos da escravidão, da escuridão, das trevas e nos oferece a vida verdadeira e definitiva.

Jesus marca, realmente, a nossa existência? Quando celebramos o nascimento de Jesus, celebramos um acontecimento do passado que deixou a sua marca na história? Ou celebramos o encontro com alguém que é “a luz” que ilumina a nossa existência e que enche a nossa vida de paz, de alegria, de liberdade?

Como se vê, neste Evangelho João nos convida a pensar sobre a forma de Deus atuar na história humana e sobre as responsabilidades que Deus nos atribui na recriação do mundo…

Deus vem ao nosso encontro para nos envolver no seu amor através de pessoas concretas, com um nome e uma história, pessoas “normais” a quem Deus chama e a quem confia determinada missão.

A todos nós, seus filhos, Deus confia uma missão no mundo – a missão de dar testemunho da “luz” e de tornar presente, para os nossos irmãos, a proposta libertadora de Jesus.

É chegada a hora de nos prepararmos para o grande acontecimento que está por vir: o nascimento de Jesus, Aquele que é a “luz” que vai nos libertar da escravidão e das trevas e nos oferece a vida verdadeira e definitiva.

Brasília, 12 de dezembro de 2014.
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ADVENTO: 2º Domingo


No evangelho do próximo domingo - Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos ( Mc 1,1-8) - 2º Domingo do Advento - há um forte apelo ao reencontro do homem com Deus, à conversão. Deus está sempre disposto a oferecer ao homem um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz; mas esse mundo só se tornará uma realidade quando o homem se dispuser a uma mudança, mudança de atitude, de pensamento, uma profunda reforma em seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.


No Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: "Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’". Apareceu João Batista no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: "Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo".


Como se vê, esse evangelho traz a missão de João Batista, a sua pregação, a reação dos ouvintes, o seu estilo de vida e o testemunho de João sobre Jesus. Então, para uma melhor reflexão, vou fazer alguns questionamentos:

1) Quem é João Batista e qual é a sua missão?
Conforme narrado no texto, João Batista é o “mensageiro” que prepara o caminho para o “Messias”, “Filho de Deus” (Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’).


2) Em que consistia a pregação de João?
João Batista apareceu no deserto a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados.


3) Por que ou para quê?
De acordo com a catequese judaica, o Messias só chegaria quando Israel fosse, na verdade, a comunidade santa de Deus… Antes de o Messias chegar, o Povo devia, portanto, realizar um caminho de purificação e de conversão, de forma a tornar-se um Povo santo. O “batismo de penitência” , ou seja, “batismo de conversão”  ou de “metanoia”, proposto por João Batista deve ser entendido neste contexto e representa um convite à mudança radical de vida, de comportamento, de mentalidade.


4) O que era o batismo proposto por João?
Este “batismo” é um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este “batismo” passava a viver uma vida nova e aceitava integrar a comunidade do Messias.

5) E por qual razão a pregação de João é feita no deserto?
O “deserto” é, no contexto da catequese judaica, o lugar onde o Povo de Deus realizou uma caminhada de purificação e de conversão. Foi no deserto que os israelitas libertados do Egito passaram de uma mentalidade de escravos a uma mentalidade de homens livres, de uma mentalidade de egoísmo a uma mentalidade de partilha, de uma atitude descomprometida a uma Aliança com Jahwéh, da desconfiança em relação à proposta libertadora que Moisés lhes apresentou à confiança total num Deus que cumpre as suas promessas e que é fonte de vida e de liberdade para o seu Povo. A pregação de João lembrava aos israelitas a necessidade de voltar ao “deserto” e de percorrer um caminho semelhante àquele que os antepassados tinham percorrido.


6) Como é que os interlocutores de João reagiam às suas propostas?
Conforme o texto, acorria a ele muitas pessoas da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém para serem batizados, confessando os seus pecados.


7) Qual era o estilo de vida de João?
João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Seu estilo de vida era sóbrio, desprendido, austero, simples – é um convite claro à renúncia aos valores do mundo. O estilo de vida de João corrobora a mensagem que ele apresenta.


8) O que é que João diz sobre esse Messias libertador, do qual ele é o arauto e o mensageiro?
João fala da “força” do Messias e define a sua missão: batizar no Espírito. O Messias terá, portanto, a força de Deus e a sua missão será comunicar esse Espírito de Deus, que transforma, renova e recria os corações dos homens.

Em síntese, João é o mensageiro, enviado por Deus para preparar os homens para a chegada do Messias. A mensagem transmitida por João – com a palavra e com a própria atitude de vida – é um apelo veemente à mudança de vida e de mentalidade, a fim de que a proposta do Messias libertador encontre lugar no coração dos homens. João deixa claro que a missão do Messias é comunicar o Espírito que transforma o homem.

Portanto, na mensagem principal do evangelho, João Batista afirma claramente que preparar a vinda do Messias passa pela “metanoia”, isto é, por uma transformação total do homem, por uma nova atitude de base, por uma outra escala de valores, por uma radical mudança de pensamento, por uma postura vital inteiramente nova, por um movimento radical que leve o homem a reequacionar a sua vida e a colocar Deus no centro da sua existência e dos seus interesses.

Neste tempo de Advento, de preparação para a celebração do Natal do Senhor, somos convidados a fazer uma transformação radical da nossa vida, dos nossos valores, da nossa mentalidade.

Reflita:

- Como é que nós estamos nos preparando?

- Estamos suficientemente atentos aos profetas que questionam o nosso estilo de vida e os nossos valores?


Brasília, 07 de dezembro de 2014.
Maria Auxiliadôra


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ADVENTO: 1º Domingo



Hoje farei uma breve reflexão dobre o 1º Domingo do Advento que a liturgia nos remete ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 13,33-37).

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"

O Evangelho começa com uma parábola – a parábola do homem que partiu em viagem, distribuiu tarefas aos seus servos e mandou ao porteiro que vigiasse e termina com uma admoestação aos discípulos acerca da atitude correta para esperar o Senhor.

O “dono da casa” da parábola é Jesus. Ao deixar este mundo para voltar para junto do Pai, Ele confiou aos discípulos a tarefa de construir o “Reino” e de tornar realidade um mundo construído de acordo com os valores do Reino.

O “porteiro” parece ser todo aquele que tem uma responsabilidade especial na comunidade cristã… A sua missão é impedir que a comunidade seja invadida por valores estranhos ao Evangelho e à dinâmica do Reino. São especialmente os responsáveis da comunidade cristã, a quem foi confiada a missão da vigilância e da animação da comunidade. Eles devem ajudar a comunidade a discernir permanentemente, diante dos valores do mundo, aquilo que a comunidade pode ou não aceitar para viver na fidelidade ativa a Jesus e às suas propostas.

E os discípulos de Jesus não podem cruzar os braços, à espera que o Senhor venha; eles têm uma missão – uma missão que lhes foi confiada pelo próprio Jesus e que eles devem concretizar, mesmo em condições adversas. Eles devem, com coragem e perseverança, dar o seu contributo para a edificação do “Reino”, sendo testemunhas e arautos da paz, da justiça, do amor, do perdão, da fraternidade, cumprindo dessa forma a missão que Jesus lhes confiou.

É necessário não esquecer isto: esta espera, vivida no tempo da história, não é uma espera passiva, de quem se limita a deixar passar o tempo até que chegue um final anunciado; mas é uma espera ativa, que implica um compromisso efetivo com a construção de um mundo mais humano, mais fraterno, mais justo, mais evangélico. Todos – “porteiro” e demais servos do Senhor – devem estar ativos e vigilantes.

Portanto, o Evangelho convida os discípulos a enfrentar a história com coragem, determinação e esperança, animados pela certeza de que “o Senhor vem”. Ensina, ainda, que esse tempo de espera deve ser um tempo de “vigilância” – isto é, um tempo de compromisso ativo e efetivo com a construção do Reino. A palavra-chave do Evangelho deste dia é esta: “vigilância”.

É uma mensagem destinada a toda a comunidade cristã, chamada a caminhar na história com os olhos postos no encontro final com Jesus e com o Pai. A missão que Jesus confia à sua comunidade não é uma missão fácil… Jesus está consciente de que os seus discípulos terão que enfrentar as dificuldades, as perseguições, as tentações que “o mundo” vai colocar no seu caminho. Essa comunidade em marcha pela história necessitará, portanto, de estímulo e alento. É por isso que surge este apelo à fidelidade, à coragem, à vigilância…

Meus amigos, o tempo de Advento recorda-nos a realidade do Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. É o tempo da espera do Senhor e o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou.

Brasília 30 de novembro de 2014
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jesus nos acorda do sono da morte



"Da janela de seu escritório no Palácio Apostólico, na celebração dos fiéis defuntos, o Papa rezou o Angelus com uma multidão presente na Praça de São
Pedro.

Dirigindo-se aos fiéis e peregrinos de todo o mundo, que o saudava com um longo aplauso, o pontífice argentino disse:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Ontem celebramos a Solenidade de Todos os Santos e hoje a liturgia nos convida a celebrar os fiéis defuntos. Estas duas festas estão intimamente relacionadas entre si, assim como a alegria e as lágrimas encontram em Jesus Cristo uma síntese que é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Por um lado, de fato, a Igreja, peregrina na história, se alegra com a intercessão dos santos e beatos que a sustentam a missão de anunciar o Evangelho, por outro lado ela, como Jesus, compartilha as lágrimas daqueles que sofrem a separação de seus entes queridos e, como Ele e com Ele, ele o seu agradecimento ao Pai que nos libertou do domínio do pecado e da morte.

Entre ontem e hoje muitos visitam o cemitério, que, como diz a palavra, é o "lugar de descanso", à espera do despertar o final. É belo pensar que o próprio Jesus vai nos despertar. O próprio Jesus que revelou que a morte do corpo é como um sono do qual ele nos desperta. Com esta fé nos apoiamos - inclusive espiritualmente—diante dos túmulos de nossos entes queridos, daqueles que nos amaram e nos fizeram algum bem. Mas hoje somos chamados a recordar a todos, inclusive aqueles que ninguém se lembra. Recordemos as vítimas da guerra e da violência; muitos "pequenos do mundo" esmagados pela fome e pela miséria; recordemos os anônimos que descansam no ossuário comum. Recordemos nossos irmãos e irmãs assassinados por serem cristãos; e aqueles que sacrificaram a vida para servir aos outros. Confiemos ao Senhor especialmente aqueles que nos deixaram neste último ano.

A tradição da Igreja sempre exortou os fiéis a rezarem pelos defuntos, em particular, oferecendo a Celebração Eucarística por eles: esta é a melhor ajuda espiritual que podemos dar às almas, especialmente às mais abandonadas. O fundamento da oração de sufrágio está na comunhão do Corpo Místico. Como reitera o Vaticano, "a Igreja peregrina sobre a terra, bem ciente desta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, desde os primeiros tempos da religião cristã, tem honrado com grande piedade a memória dos mortos”. (Lumen Gentium, 50).

A memória dos defuntos, o cuidado pelas sepulturas e os sufrágios são o testemunho de uma confiante esperança, enraizada na certeza de que a morte não é a última palavra sobre o destino do ser humano, porque o homem está destinado a uma vida sem limites, que tem sua raiz e sua realização em Deus. Dirijamos a Deus esta oração:

Deus de infinita misericórdia, confiamos à tua imensa bondade aqueles que deixaram este mundo para a eternidade, onde Tu aguardas toda a humanidade redimida pelo sangue precioso de Cristo Teu Filho, morto para nos libertar dos nossos pecados.

Não olhes, Senhor, para as tantas pobrezas e misérias e fraquezas humanas quando nos apresentarmos diante do Teu tribunal, para sermos julgados, para a felicidade ou a condenação.

Dirige para nós o teu olhar misericordioso que nasce da ternura do teu coração, e ajuda-nos a caminhar na estrada e uma completa purificação. Não se perca nenhum dos teus filhos no fogo eterno do inferno onde já não poderá haver arrependimento.

Te confiamos, Senhor, as almas dos nossos entes queridos, das pessoas que morreram sem o conforto sacramental, ou não tiveram ocasião de se arrepender nem mesmo no fim da sua vida. Que nenhum tenha receio de te encontrar depois da peregrinação terrena, na esperança de sermos recebidos nos braços da tua infinita misericórdia.

Que a irmã morte corporal nos encontre vigilantes na oração e carregados de todo o bem realizado ao longo da nossa breve ou longa existência. Senhor, nada nos afaste de Ti nesta terra, mas tudo e todos nos apoiem no ardente desejo de repousar serena e eternamente em Ti. Amem”.

Com esta fé no destino supremo do homem, nos dirigimos a Virgem Maria, que padeceu sob a cruz o drama da morte de Cristo e, depois, participou na alegria da sua ressurreição. Nos ajude, Porta do Céu, a compreender sempre mais o valor da oração de sufrágio pelos defuntos. Eles estão conosco! Nos sustente em nossa peregrinação cotidiana aqui na terra e nos ajude a nunca perder de vista o objetivo final da vida, que é o Paraíso. E nós, com esta esperança que nunca decepciona, vamos em frente!"

ROMA, 02 de Novembro de 2014 (Zenit.org


Disponível em: http://www.zenit.org/pt/articles/francisco-no-angelus-jesus-nos-acorda-do-sono-da-morte



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Espírito Santo como alma da Igreja


É pela Revelação que nos é ensinado que o nosso Deus é um Deus Único e Verdadeiro, porém três são as Pessoas Divinas: Pai, Filho e Espírito Santo.

A Trindade possui a mesma natureza, a mesma essência, a mesma substância, os mesmos atributos divinos, mas as Três Pessoas são distintas. O Pai não é o Filho, o Filho é distinto do Espírito Santo, porém o Pai está todo no Filho, o Filho está todo no Pai, assim como o Espírito Santo está todo no Pai e no Filho.

Embora, desde o princípio, quando Deus criou o céu e a terra, o Espírito Santo já pairava sobre tudo o que foi criado (Gn 1,2), e a Igreja que o recebeu do Senhor, o professa de maneira solene nos Símbolos da fé, no Batismo de seus novos filhos (Mt 28,19), ele permanece, para muitos, como o "Deus desconhecido".

Aliás, a dificuldade do entendimento desse mistério está narrada em Atos dos Apóstolos (19,2): Mas nem ouvimos dizer que haja um Espírito Santo”.

Será que pouco se prega sobre ele, bem como pouco se reflete?

Será que essa dificuldade é causa do esquecimento do Espírito Santo?

Dá para separá-lo da vida de Jesus? E da vida da Igreja?

Não, definitivamente não dá para separar o Espírito Santo nem de Cristo nem da Igreja! Verdadeiramente, a Trindade possui a mesma natureza, a mesma essência, a mesma substância, os mesmos atributos divinos, mas as “três pessoas” são distintas.

Desde o princípio até a consumação do tempo, quando Deus envia o seu Filho, envia sempre o seu Espírito. Assim, a missão dos dois é conjunta e inseparável. Pela sua morte e ressurreição, Jesus foi constituído Senhor e Cristo na glória. Da sua plenitude, Ele derrama o Espírito Santo sobre os Apóstolos e sobre a Igreja, sacramento da comunhão da Santíssima Trindade com os homens.

A Igreja é o Templo do Espírito Santo e o Espírito Santo é a alma da Igreja. Faço minhas as palavras do Papa Leão XIII na Carta Encíclica Divinum illud munus:

“...Devemos amar o Espírito Santo, porque é Deus: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças". E há de ser amado, porque é o Amor substancial eterno e primeiro, e não há coisa mais amável que o amor; e depois tanto mais lhe devemos amar quanto que nos tenha enchido de imensos benefícios que, se atestam a benevolência do doador, exigem a gratidão da alma que os recebe.” (Divinum illud munus, 13)

Brasília 21/08/2014
Maria Auxiliadôra


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quem é Jesus?

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16,13-20) convida-nos a aderir a Jesus, para isto, nos questiona: Quem é Jesus? Naquele tempo, Pedro respondeu, categoricamente, que Jesus é o Messias, o Filho de Deus vivo.

E para você, quem é Jesus?

Ao responder que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, automaticamente você estará aderindo à Igreja. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves, isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.

No Antigo Testamento, a expressão “Filho de Deus” é aplicada aos anjos, ao Povo eleito, aos vários membros do Povo de Deus, ao rei e ao Messias/rei da linhagem de David. Também, designa a condição de alguém que tem uma relação particular com Deus, a quem Deus elegeu e confiou uma missão.

Significa não só que Ele recebe vida de Deus, mas que vive em total comunhão com Deus, que desenvolve com Deus uma relação de profunda intimidade e que Deus Lhe confiou uma missão única para a salvação dos homens. Significa, inclusive, reconhecer a profunda unidade e intimidade entre Jesus e Deus e que Jesus conhece e realiza os projetos do Pai no meio dos homens.

Jesus diz a Pedro que ele é “a rocha” sobre a qual a Igreja de Jesus vai ser construída, ou seja, a base firme e inamovível sobre a qual vai assentar a Igreja de Jesus. É a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professam: a fé em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.

Para que seja possível a Pedro testemunhar que Jesus é o Messias, Filho de Deus, e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”.

Jesus nomeia Pedro para “administrador” e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino.

Cabe lembrar, todos são chamados por Deus, mas nem todos estão dispostos a aderir às propostas de Jesus.Meu amigo, quem é Jesus para você?

Seria um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente?

Seria um admirável “mestre” de moral, que tinha uma proposta de vida “interessante”, mas que não conseguiu impor os seus valores?

Seria um revolucionário, ingênuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre e que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos?

Para os discípulos de Jesus, Ele foi bem mais do que “um homem”...

Ele foi e é “o Messias, o Filho de Deus vivo”. Portanto, Jesus é uma proposta de Deus, destinada a tornar cada homem ou cada mulher uma pessoa nova, capaz de caminhar ao encontro de Deus e de chegar à vida plena da felicidade sem fim.

A diferença entre o “homem bom” e o “Messias, Filho de Deus”, é a diferença entre alguém a quem admiramos e que é igual a nós, e alguém que nos transforma, que nos renova e que nos encaminha para a vida eterna e verdadeira.

Repito a pergunta: quem é Jesus para você? Interrogue seu coração e tente perceber qual é o lugar certo que Cristo ocupa em sua existência… Pense no significado que Cristo tem na sua vida, na importância que os seus valores assumem nas suas opções, no esforço que você faz ou que não faz para O seguir…

Quem é Cristo para você?

Que lugar ocupa Jesus na sua experiência de caminhada em Igreja?

Porque é que estamos na Igreja: é por causa de Jesus Cristo, ou é por outras causas (tradição, inércia, promoção pessoal…)?

Brasília 19/08/2014Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Você sabe rezar o Terço?




Sinal da Cruz:
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. 

Oferecimento do terço: 
Divino Jesus, nós Vos oferecemos este Terço que vamos rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-nos, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem nos dirigimos, as virtudes necessárias para bem rezá-lo e a graça de ganhar as indulgências anexas a esta santa devoção.

Segurando o Crucifixo do Terço reze o Credo: 
Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria , padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

Após, reze a oração do Pai-Nosso: 
Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém. 

Reze então três vezes a Ave-Maria 
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Após reze o Glória-ao-Pai: 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 

Primeiro Mistério:
(Conforme segue abaixo de acordo com os dias da semana)

No primeiro Mistério contemplamos...
Reze a oração do Pai-Nosso
Reze dez vezes a Ave-Maria
Após, reze o Glória-ao-Pai e

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

E assim seguem os outros cinco mistérios/dezenas.

Ao final dos cinco mistérios....

Agradecimento: 
Infinitas graças Vos damos, soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos liberais. Dignai-Vos, agora e sempre, tomar-nos debaixo de vosso poderoso amparo, e para mais Vos obrigar, Vos saudamos com uma

Salve Rainha:
Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degradados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente ! ó piedosa ! ó doce sempre Virgem Maria!
V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. 

MISTÉRIOS DO TERÇO

MISTÉRIOS GOZOSOS (segunda e sábado) 
1. Mistério: Anunciação do anjo Gabriel a Maria (Lc 1, 26-38)
2. Mistério: Visita de Maria à sua prima Santa Isabel (Lc 1,39-56)
3. Mistério: Nascimento de Jesus em Belém (Lc 2,1-21)
4. Mistério: Apresentação do Menino Jesus no Templo (Lc 2,22-40)
5. Mistério: Encontro de Jesus no templo entre os doutores da lei (Lc 2,41-52) 
MISTÉRIOS DOLOROSOS (terça e sexta-feira) 
1. Mistério: Agonia de Jesus no horto das Oliveiras (Mt 26,36-56)
2. Mistério: Flagelação de Jesus (Mt 27,11-26)
3. Mistério: Coroação de espinhos de Jesus (Mt 27,27-31)
4. Mistério: Subida dolorosa de Jesus ao Calvário (Jo 19,17-24)
5. Mistério: Crucificação e morte de Jesus na cruz (Jo 19,25-37) 
MISTÉRIOS GLORIOSOS (quarta-feira, e domingo). 
1. Mistério: Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20, 1-18)
2. Mistério: A ascensão Gloriosa de Jesus ao Céu (Lc 24, 50-53)
3. Mistério: Descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria reunidos em oração. (Ato 2,1-13)
4. Mistério: Assunção Gloriosa de Nossa Senhora ao céu (Sl 44,11-18)
5. Mistério: Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha do céu e da terra (Apo 12, 1-4)

MISTÉRIOS LUMINOSOS (quinta-feira) 
1. Mistério: Batismo de Jesus no rio Jordão (Cor 5, 21 - Mt 3, 17)
2. Mistério: Auto revelação de Jesus nas Bodas de Caná (Jo 2, 1-12)
3. Mistério: Jesus anuncia o Reino de Deus, com o convite à conversão (Mc 1, 15)
4. Mistério: Transfiguração de Jesus (Lc 9, 35)
5. Mistério: Instituição da Eucaristia (Jo 13, 1)

Papa Francisco dá 10 conselhos para uma vida feliz


1) Viver e deixar viver, primeiro passo para a felicidade
“Aqui os romanos têm um ditado e podemos levá-lo em consideração para explicar a fórmula que diz: ‘Vá em frente e deixe as pessoas irem junto’.” Viva e deixe viver é o primeiro passo da paz e da felicidade.

2) Doar-se aos outros para não deixar o coração dormindo
“Se alguém fica estagnado, corre o risco de ser egoísta. E água parada é a primeira a ser corrompida.”

3) Mover-se com humildade, com benevolência entre as pessoas e as situações
O Papa usa o termo “remansadamente”, de um clássico da literatura argentina. “No [romance] ‘Dom Segundo Sombra’ há uma coisa muito linda, de alguém que relê a sua vida. Diz que em jovem era uma corrente rochosa que levava tudo à frente; quando adulto, era um rio que andava para frente; na velhice, sentia-se em movimento, mas remansado. Eu utilizaria essa imagem do poeta e romancista Ricardo Guiraldes, este último adjetivo, remansado. A capacidade de se mover com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os anciãos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não se importa com os mais velhos não tem futuro.”

4) Preservar o tempo livre como uma sadia cultura do ócio
“O consumismo levou-nos a essa ansiedade de perder a sã cultura do ócio, desfrutar a leitura, a arte e as brincadeiras com as crianças. Agora confesso pouco, mas, em Buenos Aires, confessava muito e quando via uma mãe jovem perguntava: Quantos filhos tens? Brincas com os teus filhos? E era uma pergunta que não se esperava, mas eu dizia que brincar com as crianças é a chave, é uma cultura sã. É difícil, os pais vão trabalhar e voltam às vezes quando os filhos já dormem. É difícil, mas há que fazê-lo”.

5) O domingo é para a família
“Um outro dia, em Campobasso (Itália), fui a uma reunião entre o mundo universitário e mundo trabalhador, todos reclamavam que o domingo não era para trabalhar. O domingo é para a família”.

6) Ajudar, de forma criativa, os jovens a conseguirem um emprego digno
“Temos de ser criativos com este desafio. Se faltam oportunidades, caem na droga. E é muito elevado o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia li, mas não me fio, porque não é um dado científico, que havia 75 milhões de jovens com menos 25 anos desempregados. Não basta lhes dar de comer, há que inventar cursos de um ano de canalizador, eletricista, costureiro. A dignidade de levar o pão para casa”.

7) Cuidar da natureza, amar a criação
“Há que cuidar da criação e não estamos fazendo isso. É um dos maiores desafios que temos.”

8) Esquecer-se rapidamente do negativo que afeta a vida
“A necessidade de falar mal de alguém indica uma baixa autoestima. É como dizer: sinto-me tão em baixo que, em vez de subir, rebaixo o outro. Esquecer-se rapidamente do negativo é muito mais saudável”.

9) Respeitar o pensamento dos outros
“Podemos inquietar o outro com o testemunho para que ambos progridam com essa comunicação, mas a pior coisa que se pode fazer é o proselitismo religioso, que paralisa: ‘Eu converso contigo para te convencer’. Não. Cada um dialoga sobre a sua identidade. A Igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10) Buscar a paz é um compromisso
“Vivemos uma época de muitas guerras. Na África, parecem guerras tribais, mas são algo mais. A guerra destrói. E o clamor pela paz é preciso ser gritado. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa”.


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