terça-feira, 18 de março de 2014

“Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito”.


A liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum - Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 38-48), convida-nos à santidade, à perfeição. Sugere que o “caminho cristão” é um caminho nunca acabado, que exige de cada homem ou mulher, em cada dia, um compromisso sério e radical, feito de gestos concretos de amor e de partilha.

É um convite. Somos convidados a percorrer o nosso caminho de olhos postos nesse Deus santo que nos espera no final da viagem.

Jesus pede aos seus discípulos que aceitem inverter a lógica da violência e do ódio, pois esse “caminho” só gera egoísmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, também, o amor que não marginaliza nem discrimina ninguém, nem mesmo os inimigos. É nesse caminho de santidade que se constrói o “Reino”.

Disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’.

Temos aqui o princípio de talião, também conhecido como Lei de Talião, lei que estabelece um castigo igual ao delito: "Para tal delito, tal castigo", é o princípio "olho por olho, dente por dente”. O criminoso era punido talmente, ou seja, de maneira igual, ao dano causado ao outro. A punição era dada de acordo com a categoria social do criminoso e da vítima. Em si, era uma lei razoável, destinada a evitar as vinganças excessivas, brutais, indiscriminadas…

Então, continua Jesus, e ai vem a novidade deste Evangelho, Jesus continua:

Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado. Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário?Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

Jesus ensina e exige o perdão. Perdoar a quem nos perdoa é fácil, mas para ser um verdadeiro cristão temos que perdoar aos nossos inimigos. A ordem de Jesus é bem clara!

Em muitas situações somos machucados, feridos e humilhados e a maioria das vezes por pessoas que não esperávamos, pessoas próximas de nós. Diante destas situações da vida, como agir? O que fazer?

Ora, temos de ser luz mesmo muitas vezes tendo que passar por cima do nosso orgulho que grita dentro de nós para que paguemos com a mesma moeda. Por isso, temos que ter a grandeza de reconhecer que o único incapaz de cometer contra nós estas faltas é somente o Senhor que nunca nos decepcionará. Nós, seres humanos, somos imperfeitos. Muitas vezes achamos que somos melhores do que o outro que está ao nosso lado, e o ferimos. Somos incapazes de ver no outro a face do Pai, talvez se fizéssemos este exercício de lembrar que o outro é a imagem e semelhança de Deus, teríamos mais compaixão uns pelos outros.

Então, peçamos a Jesus para que aprendamos a dar este perdão que é algo divino e que só os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo são capazes de dar. Sabemos que o perdão não é o esquecimento do fato, não é como um passe de mágica que de repente se esquece tudo, não é esperar que tudo se resolva de uma vez, é um exercício diário. Não podemos esquecer que estamos sujeitos ao erro e que somos pecadores e necessitados do perdão divino.

Da mesma forma que espero o perdão de Deus, o meu próximo também precisa do meu. Para sermos perdoados por Deus temos que dar o perdão a todos àqueles que de uma forma ou de outra nos ofenderam.

Sigamos o exemplo de Deus que nos perdoou de nossos pecados dando seu filho único para que fossem remidas todas as nossas faltas e em nenhum momento fica nos lembrando dos pecados confessados, pois, o Senhor não os coloca de lado para sempre nos lembrar, Ele os apaga. Pecados confessados são pecados esquecidos.

Não deixemos que a mágoa ou o rancor nos corroa por dentro, nos afastando Daquele que só nos amou e continua a nos amar mesmo diante das nossas infidelidades. Lembre-se: somente estando ao lado D’aquele que é a fonte do perdão seremos capazes de perdoar.

Converse sempre com Jesus, Ele sempre te mostrará o caminho a seguir, te dará a grandeza de aprender a perdoar.

O pedido de Jesus apresenta uma verdadeira novidade. Para Jesus, não basta amar aquele que está próximo, aquele a quem me sinto ligado por laços étnicos, sociais, familiares ou religiosos; mas o amor deve atingir todos, sem exceção, inclusive os inimigos.

Fica, assim, abolida qualquer discriminação, sabe por que? Porque Deus não faz discriminação no seu amor. Ele faz brilhar o sol e envia a chuva sobre bons e maus, que oferece o seu amor a todos, inclusive aos indignos. O amor universal de Deus é a razão do amor que os membros do “Reino” devem oferecer a todos os homens e mulheres que Deus coloca no seu caminho.

Façamos um propósito, que acredito seja o começo para uma grande mudança: Tratar todas as pessoas com que eu me encontre com respeito e amabilidade. Já é um bom caminho, certo?

Brasíllia 21/02/2014
Maria Auxiliadôra


TRANSFIGURAÇÃO


Hoje refletiremos sobre o tema do 2º Domingo da Quaresma (Mt 17,1-9). Jesus nos mostra sua Majestade e seu sofrimento para nos ensinar que não há triunfo se não houver batalha e que o verdadeiro discípulo deve seguir o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, da obediência total e radical aos planos do Pai.

Esse Evangelho traz o relato da Transfiguração de Jesus, que é uma teofania – quer dizer, uma manifestação de Deus.

A Transfiguração é a mudança de aspecto de Jesus na presença de seus três discípulos prediletos: Pedro, Tiago e João. E é antecedido do primeiro anúncio da paixão e de uma instrução sobre as atitudes próprias do discípulo, convidado a renunciar a si mesmo, a tomar a sua cruz e a seguir Jesus no seu caminho de amor e de entrega da vida. Portanto, esse fenômeno está unido ao anúncio da paixão que Jesus faz várias vezes naqueles mesmos dias.

Pois bem, a mensagem fundamental da Transfiguração é que Jesus é o Filho amado de Deus, em quem se manifesta a glória do Pai. Ele é, também, o Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei e pelos Profetas. Mais ainda: Ele é um novo Moisés – isto é, aquele através de quem o próprio Deus dá ao seu Povo a nova lei e através de quem Deus propõe aos homens uma nova aliança. Jesus, Filho amado de Deus, é que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de si próprio por amor.

Como podemos ver, a Transfiguração de Jesus é para nós um sinal, um grito de alerta, para que não desanimemos, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim, embora, ser seguidor de Jesus muitas vezes nos obrigue a nadar contra a corrente, porém, todo aquele que quiser ter uma vida própria e independente não pode ser discípulo de Jesus, já que a regra da vida plena não é fazer o que convém.

Devemos aprender a fazer a vontade de Deus, devemos querer, desejar fazer a vontade do Pai, para o nosso próprio bem, para sermos verdadeiramente felizes. Devemos conhecê-Lo e uma maneira é através da oração. Observe que a Transfiguração de Jesus se realizou numa situação de oração, quando relata que Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu ao monte para rezar.

Estamos na Quaresma. Esta convida-nos a um itinerário a ser percorrido em que é preciso três elementos para a nossa jornada espiritual: a oração, o jejum e a penitência. Como Jesus, que tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu ao monte para rezar, façamos da oração um momento único em nossa vida, pois ela é a força do cristão e de toda pessoa que crê.

Especialmente na Quaresma, que é um tempo de oração, dediquemo-nos mais a rezar, a fazer uma oração mais intensa, mais assídua, mais capaz de cuidar das necessidades dos nossos irmãos, de interceder junto a Deus por tantas situações de pobreza, sofrimento, solidão de Deus. Você não precisa usar de palavras difíceis... basta fazer a Oração de Jesus, também chamada de Oração do Coração: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.
“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.
“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.

Brasíllia 14/03/2014

Maria Auxiliadôra

PRIORIDADES


Inicio essa reflexão com uma pergunta: Você tem prioridades? Se tem, quais são?

Normalmente, todos têm prioridades, seja em casa, seja no trabalho, seja na vida profissional. Você já parou para pensar nisto?

Por exemplo: um rapaz acabou de se formar e pretende trabalhar. O que ele pode fazer? Pode fazer um concurso, pode distribuir currículo... Se ele optar por fazer concurso, o mínimo que tem a fazer, além de se inscrever, é se preparar. Como? Estudando. Às vezes, pode ser necessário frequentar um cursinho, assistir aulas até mesmo em fins de semana. Mas, aí aparece um churrasco exatamente na hora da aula e ele vai ter que optar entre assistir aula ou cair na gandaia. Ele terá que pesar o que é mais importante naquele momento, é questão de prioridade! E a prioridade é questão de escolha, que exige sacrifício e renúncia. Se aquele rapaz deseja assumir aquele cargo, deve escolher estudar adequadamente, comer adequadamente, dormir adequadamente para que atinja seu objetivo.

Assim, todos os dias, temos escolhas, pois todo ser humano tem desejos e aspirações. A dificuldade está em saber se escolhemos corretamente ou não. É preciso discernimento.

Por isto, a liturgia do 8º Domingo do Tempo Comum - Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 6, 24-34), propõe-nos uma reflexão sobre as nossas prioridades. Recomenda que dirijamos o nosso olhar para o que é verdadeiramente importante e que libertemos o nosso coração da prisão dos bens materiais. Convida-nos a buscar o essencial - o Reino de Deus - diante de coisas secundárias que, dia a dia, ocupam o nosso interesse. Escolher o essencial não é negligenciar o resto – não é nada disso: Deus é um pai misericordioso, bom, cheio de solicitude por nós e provê com amor às nossas necessidades.

No Evangelho, quando Jesus afirma que ninguém pode servir a dois senhores, ou seja, a Deus e ao dinheiro, Ele está se referindo justamente às pessoas que constroem suas vidas em torno dos bens materiais, que valorizam a lógica do ter, deixando-se dominar pelo dinheiro. O dinheiro, para essas pessoas, ocupa o lugar de Deus, ou seja, Deus fica em segundo lugar. Ora, o amor ao dinheiro fecha totalmente o coração da pessoa, ela torna-se egoísta, prepotente, injusta, corrupta, auto-suficiente e não deixa qualquer espaço para o amor ao próximo. Não podemos e não devemos ter amor ao dinheiro, do contrário a nossa vida terá sido um tremendo equívoco.

Parece absurdo falar dessa maneira, especialmente por vivermos numa sociedade onde o dinheiro é, hoje, o verdadeiro centro do poder no mundo. Ele compra consciências, poder, projeção social e até reconhecimento. Por ele mata-se, calcam-se aos pés os valores mais fundamentais, renuncia-se à própria dignidade, envenena-se o ambiente, escravizam-se pessoas.

É verdade, quando a lógica do “ter mais” entra no coração do homem e o domina, o homem torna-se escravo e, por sua vez, leva à escravidão os outros homens. Repito, a pessoa torna-se injusta, prepotente e exploradora, passa indiferente ao lado dos irmãos que vivem abaixo do limiar da dignidade humana, deixa de ter tempo para gastar com aqueles que ama e inclusive relega Deus para a lista dos valores secundários.

E aí, como nos situamos em face disto? Qual a proposta de Jesus? Será um convite a viver na alegre despreocupação, na inconsciência, na passividade, no comodismo, na indiferença? Certamente que não.

Jesus convida-nos a pôr, em primeiro lugar, as coisas verdadeiramente importantes, ou seja, o “Reino”, a confiar totalmente na bondade e na solicitude paternal de Deus. Ele mesmo disse: Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo.

Em segundo lugar, a relativizar as coisas secundárias, ou seja, as preocupações exclusivamente materiais. Preste atenção, não é cruzar os braços à espera que Deus faça chover aquilo de que necessitamos; mas é viver comprometido, trabalhando todos os dias, fazer a nossa parte. No caso daquele rapaz do início da nossa reflexão, estudar, se preparar...

Pergunte-se novamente: Quais são as minhas prioridades? Em que é que eu tenho apostado incondicionalmente a minha vida? Peça ao Espírito Santo discernimento, por que as propostas equívocas de felicidade criam, muitas vezes, desorientação e confusão. Coloque a sua confiança e a sua esperança em Deus. Ele o ama! Conhece as suas dores e necessidades e pega você no colo nos momentos mais dramáticos da sua caminhada.

Brasília 28/02/2014
Maria Auxiliadôra


MENSAGEM DO PARA FRANCISCO PARA A QUARESMA 2014


O Papa Francisco envia mensagem especialmente por ocasião da Quaresma com a esperança de que possa servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão.

O Santo Padre, tomando como fonte de inspiração a frase de São Paulo: Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza (2Cor 8,9), questiona os cristãos de hoje o que lhes dizem essas palavras e o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico.

Tais palavras, conforme o Papa, dizem respeito ao estilo de Deus, que não se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza, ou seja, a finalidade de Jesus em se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas para enriquecer as pessoas com a sua pobreza, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. É precisamente o modo de amar de Jesus, o seu aproximar-Se de cada um, de tomar para Si as fraquezas e os pecados do ser humano, comunicando a este a infinita misericórdia de Deus.

E continua, “a riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu ‘jugo suave’, convida-nos a enriquecer-nos com esta sua ‘rica pobreza’ e ‘pobre riqueza’, a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos nos Irmão Primogênito.”

Nessa mensagem, o Papa sublinha três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual.

A miséria material, comumente chamada de pobreza, atinge os que vivem numa condição indigna da pessoa humana, ou seja, privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Diante dessa miséria, “a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para responder às necessidades e curar essas feridas que desfiguram o rosto da humanidade”. Por isso, “os nossos esforços se orientam a encontrar o modo de acabar com as violações da dignidade humana no mundo, com as discriminações e com os abusos”.

A miséria moral é aquela que nos “transforma em escravos do vício e do pecado”. O papa fala das pessoas que “perderam o sentido da vida, estão privadas de perspectivas para o futuro e perderam a esperança” E faz referência ainda às “pessoas que se veem obrigadas a viver essa miséria por causa de condições sociais injustas, por falta de trabalho, o que as priva da dignidade de levar o pão para casa, por falta de igualdade no direito à educação e à saúde”. Nesses casos, Francisco afirma que a miséria moral bem poderia ser chamada de “suicídio incipiente”.

Por fim, a miséria espiritual, “que nos golpeia quando nos afastamos de Deus e rejeitamos o seu amor”. O Santo Padre avisa que, “se considerarmos que não precisamos de Deus, nos encaminharemos para a estrada do fracasso”, porque “Deus é o único que salva e liberta verdadeiramente”.

Recordando que o cristão é chamado a transmitir em todos os ambientes o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, o Papa Francisco afirma que “é bonito experimentar a alegria de estender esta boa nova, de compartilhar o tesouro que nos foi confiado, para consolar os corações aflitos e dar esperança a tantos irmãos e irmãs submersos no vazio”.

Para encerrar, o pontífice lembra que a Quaresma “é um tempo adequado para se despojar. E nos fará bem perguntar-nos de que podemos nos privar para ajudar e enriquecer os outros com a nossa pobreza”. Por fim, enfatiza que a “verdadeira pobreza dói”, avisando: “Desconfio da esmola que não custa nem dói”.

Brasília, fevereiro/2014
Maria Auxiliadôra


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

NATAL: A GRANDE CELEBRAÇÃO


Estamos próximos da grande festa – Natal. Segue um texto sobre o Natal, escrito por Dom Eugenio de Araújo Sales, cardeal morto em 09/07/2012, que ao longo de seus 91 anos de vida, esteve por 58 anos de episcopado e 30 deles, à frente da Igreja no Rio de Janeiro. Diz o texto:

“As celebrações natalinas marcam profundamente a vida dos indivíduos e da sociedade, em grande parte do mundo em que vivemos. Fundamentalmente de caráter religioso, com freqüência assumem características alheias aos valores cristãos. No paganismo decadente, na antigüidade, era a festa do deus sol: “Natalis (Solis) Invicti”. Em torno de 336, em Roma, os cristãos já celebravam o nascimento do outro Sol, o verdadeiro, Jesus Cristo.

Antes do final do século, há notícias, em muitos recantos da Terra, então conhecida, da alegria pelo nascimento de Jesus, afastando assim os cristãos dos festejos do paganismo. A verdade da fé em Deus que se fez homem assumindo nossa natureza humana, para nos salvar, teve, em São Leão Magno, um grande propulsor. Mais que a data histórica exata, louvavam a verdade de Jesus ter vindo ao mundo para salvá-lo, que consiste no verdadeiro fundamento dos festejos natalinos: a celebração do mistério da encarnação e suas circunstâncias narradas nos Livros Santos e Tradição.

As celebrações litúrgicas do batismo de Jesus, da maternidade divina de Maria, do martírio dos Santos inocentes, e da Sagrada Família são decorrentes do fato histórico da vinda de Jesus, iniciando a promessa da redenção do gênero humano e realizado na crucificação e subseqüente Ressurreição.

Há, portanto, um duplo alicerce nas solenidades litúrgicas do nascimento de Jesus: o histórico e o teológico: a encarnação do Filho de Deus, o início da redenção, a Salvação dos homens anunciada pelos profetas, séculos antes e a descrição feita pelos evangelhos. São Leão Magno assim se refere a essa data: “a presente festividade, renova para nós, o sagrado nascimento de Jesus“, e em conseqüência, “nos afervora e nos ensina que o Natal do Senhor, quando o Verbo se fez carne não é apenas uma recordação do passado mas algo palpitante, vivo, no presente“.

O ambiente de alegria e as manifestações de júbilo são um válido e justo contentamento, que brota do fato em si mesmo. Começa realmente a salvação, a recuperação do gênero humano, pela encarnação do Filho de Deus que vem para nos salvar. As manifestações de alegria são absolutamente válidas e têm suas raízes na fé cristã. Ela não deve se confundir com os exageros e deturpações que empanam o que nasce da fé cristã e a esta se opõem.

Os homens que não vivem sua crença, assumem feições ridículas no aproveitamento dessa data sagrada para a exacerbação da vaidade, do egoísmo e do esbanjamento de recursos financeiros, como ofensa aos que passam necessidade. Dão demonstrações opostas ao que nasce da autêntica fé cristã. Refiro-me à transformação comercial da celebração religiosa, em contraste violento com a pobreza da gruta de Belém. Diz São Lucas (2,7): “envolveram-no com faixas reclinaram-no numa manjedoura porque não havia um lugar para ele na sala“. As primeiras testemunhas são simples pastores: “quando os anjos os deixaram, os pastores disseram entre si: “vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram, então, às pressas e encontraram Maria, José e o Recém-nascido, deitado na manjedoura” (Lc 2,15-16).

Por outro lado, condiz, com o espírito do Natal do Senhor manifestar, dentro das possibilidades, a própria alegria pela data e fazê-la ser compartilhada por outros, oferecendo presentes e promovendo festividades. Essa celebração alegre é um valioso instrumento que nos faz crescer na verdadeira prática da fé cristã. Na mesma proporção, a profanação, pelo pecado, dessa data tão significativa, ofende a santidade que deve reinar nas comemorações pelo nascimento do nosso Salvador.

O Natal de Jesus nos faz também refletir sobre a importância da família, fator e sustentáculo da prática religiosa que brota do exemplo do Natal. Dificilmente encontraremos uma instituição que tenha se deteriorado tanto em nossos dias como a família. E, certamente, não há outra mais valiosa que ela, como construtora do bem-estar material e espiritual da sociedade. Nos últimos meses tem vindo a público uma série de fatos que colocam em perigo sua estabilidade. Ela é insubstituível e a ruína de tantos lares passa pela falência de valores morais que lhes servem de alicerce. As causas são conhecidas e têm uma raiz comum: o enfraquecimento da prática religiosa de seus integrantes. Trata-se da célula originária da vida social.

Pelo seu valor o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, 52) ensina que o poder civil considere como grave dever “reconhecer e proteger a verdadeira natureza do casamento e da família, defender a moralidade pública e favorecer a prosperidade dos lares“. Entretanto o que se observa nos últimos tempos é exatamente o oposto. Quem semeia ventos colhe tempestade, diz o refrão. O apoio à campanha contra a santidade dos lares vem da própria sociedade e de muitos dos seus integrantes.

A festividade natalina nos apresenta Jesus, Maria e José, a Sagrada Família. Esta é uma oportunidade para uma revisão de vida. Diante do presépio, meditemos sobre seu exemplo. Assim podemos haurir forças para fortalecer a instituição familiar. Isso supõe o restabelecimento dos valores morais, uma verdadeira preparação do matrimônio e firme reação à propaganda destruidora na mídia, que promove os aspectos negativos colocando, acima do bem-estar dos filhos, o egoísmo dos cônjuges.

Celebremos o nascimento de Jesus. Promovamos uma autêntica alegria e exaltemos a dignidade dos lares. Graças a Deus ainda há muitas famílias bem constituídas. Infelizmente, uma sociedade corrompida consegue silenciar a voz do bom exemplo daquelas que, mesmo com sacrifício, seguem os ensinamentos de Cristo. Sem dúvida, poderosa é a força que nasce da manjedoura, dos pais em torno do Filho, Jesus Cristo, que veio para nos salvar.”

Brasília 20/12/2013


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 O SANTO POBRE QUE ENRIQUECEU A HUMANIDADE

Hoje, 4 de outubro, comemora-se o dia de São Francisco de Assis. Conhecido como o protetor dos pobres e doentes e chamado de “patrono dos animais e do meio ambiente”, São Francisco de Assis foi um famoso frade e santo católico que nasceu em 05/07/1181, em Assis; na Itália, e morreu em 04/10/1226, também em Assis.

Provavelmente ele seja o santo mais popular e o mais presente na memória do povo. Mas, qual é o segredo de São Francisco? Que mistério o torna um santo sempre querido, invocado, apresentado como exemplo para todos os tempos da Igreja? Vejamos um pouquinho de sua história.

Batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone, trocaram-lhe seu nome para Francesco, ou seja, “francês”, pois seu pai era comerciante de tecidos preciosos comprados na França. De família que fazia parte da rica burguesia de Assis, seu pai tinha prestígio no nome e nas posses financeiras e queria que o filho fosse comerciante, mas a mãe queria-o um santo.

Porém, Francisco tinha a fama de ser um jovem rebelde, extravagante, dado às bebedeiras, esbanjador, aventureiro... Tinha o desejo de ser “herói” e, por isto, alistou-se, em 1202, como soldado, na guerra de Assis contra a Perúggia. Foi capturado e passou cerca de um ano preso, à espera de ser resgatado e foi libertado pelo pai, por motivo de doença, quando passa mais de um ano com longa enfermidade.

Recebeu seu chamado em Assis, durante uma farra com os amigos, onde foi tocado por Deus e, desde então, começou a perder o interesse pelas farras, dinheiro, riquezas, posses. Passou, então, por uma radical conversão e entregou-se totalmente a um estilo de vida fundado na pobreza, na simplicidade de vida, no amor total a todas às criaturas, passando a se preocupar com os mais necessitados e em fazer a vontade de Deus, servindo-O através da doação total e incondicional da sua vida.

Conta-se que indo, um dia a Roma, Francisco encontrou-se com um pobre e trocou com ele as suas ricas vestes e experimentou o que é a vida de pobre. Desde então, começou a dizer a seus pais e amigos: “Estou começando a enxergar uma luz no fundo do túnel”.

Em outro episódio, Francisco aproveitando a ausência do pai, em viagem, fez um grande volume dos melhores tecidos da loja de seu pai e vendeu para angariar dinheiro para a reforma da capelinha. Vendeu tudo, até o cavalo! O pai ficou furioso ao retornar e Francisco ficou escondido por um mês, com medo das represálias. Quando voltou para casa, a reação do pai foi violenta, pois achava que o filho estava exagerando. Foi quando Francisco, diante do bispo, do pai e de todo o povo curioso com o desfecho do episódio, se despe totalmente, coloca aos pés do pai suas roupas, suas moedas, tudo... inteiramente nú, explica que dali em diante seu único pai é o Pai Nosso que está nos Céus!

Assim, voltando-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundou a Ordem Mendicante dos Frades Menores, mais conhecida como ‘franciscanos’. Com Clara de Assis, sua dileta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Nos correr dos séculos muitas outras congregações adotaram o espírito franciscano.

Como se vê, São Francisco teve uma radical conversão, seus gestos, atitudes autênticas, transparência de sua vida, presença no meio do povo, simplicidade de suas expressões, fervor e amor a Deus, aos homens e à natureza, confirmam o porquê ele é o mais popular e o mais presente na memória do povo.

São Francisco identificava-se tanto com Jesus Cristo que trazia em seus pés, mãos e peito os estigmas de Jesus. Portanto, foi o primeiro Santo estigmatizado na história da Igreja.

A fama de santidade que granjeou em vida, e que perdura até os dias de hoje, não decorreu de grandes manifestações de erudição religiosa, que jamais fez questão de possuir e, tampouco de seus milagres, que não obstante, foram muitos e impressionantes, mas do seu exemplo de uma vida de completa dedicação ao próximo, dedicação que era animada por uma comprensão profunda, uma sinceridade espontânea, uma simplicidade autêntica em todas as coisas, qualidades banhadas de uma calorosa fraternidade, simpatia e caridade.

Foi canonizado menos de dois anos após sua morte, em 06/07/1228, pelo Papa Gregório IX, e suas relíquias foram transladadas para a nova Basílica construída naquele ano.

Então, meus amigos, não estamos na Idade Média, mas a distância cronológica com os tempos atuais tem algo em comum: grandes mudanças. E grandes mudanças que exigem radicalidade, daí a atualidade da mensagem de São Francisco de Assis. Ele, burguês rico e individualista, rompe com todas aquelas estruturas econômicas e sociais, despe-se não só de sua roupa, mas de tudo que consistia o tipo de vida e vai viver uma pobreza absoluta e, embora tivesse preferência pelos mais pobres, como sempre foi em nossa Igreja, ele dialogava com os ricos e os levava a se dedicarem aos necessitados. Foi sempre este o testemunho de Francisco: o amor.

Como o mundo está precisando de amor, de caridade, de fraternidade, de solidariedade, especialmente com os mais necessitados... A exemplo de São Francisco de Assis, procuremos adotar as mesmas atitudes com relação aos pobres e animais, aos doentes, aos idosos, levando uma vida com mais simplicidade, caridade, dedicação e fé, para pregarmos o Evangelho na mesma proporção com que esse Santo pregou e viveu.

São Francisco de Assis, intercedei por nós junto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

Brasília, 04 de outubro de 2013.

Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O rico e o pobre


A reflexão de hoje tem como tema central a nossa relação com os bens deste mundo. Através da parábola do rico e do pobre Lázaro, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 16,19-31) apresenta-nos uma catequese sobre a posse dos bens. Somos convidados a vê-los como dons que Deus colocou em nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

Nessa parábola há dois personagens fundamentais: um rico que vive luxuosamente e que celebra grandes festas e um pobre, que tem fome, vive miseravelmente e está doente. No entanto, a morte dos dois muda radicalmente a situação. O que é que, verdadeiramente, está aqui em causa?

Vejamos: do rico diz-se que se vestia de púrpura e linho fino, que dava esplêndidas festas, no entanto não se diz se ele era mau ou bom, se frequentava ou não o templo, se explorava os pobres ou se era insensível ao seu sofrimento. Porém, quando morreu, foi para um lugar de tormentos.

Do pobre Lázaro diz-se que jazia ao portão do rico, que estava coberto de chagas, que desejava saciar-se das migalhas que caíam da mesa do rico e que os cães vinham lamber-lhe as chagas; quando morreu, Lázaro foi levado pelos anjos ao seio de Abraão, ou seja, a um lugar de honra no festim presidido por Abraão.

Também, ali não se fala se Lázaro levou uma vida exemplar ou se cometeu más ações, se foi um modelo de virtudes ou foi um homem carregado de defeitos, se trabalhava duramente ou se foi um parasita que não quis fazer nada para mudar a sua triste situação…

Então, porque é que um está destinado aos tormentos e outro ao “banquete do Reino”? Qual o “xis” da questão? O que determina a diferença de destinos? É a riqueza e a pobreza?

Sim, na perspectiva de que o rico conhece os “tormentos” porque é rico; o pobre conhece o “banquete do Reino” porque é pobre...

Os bens são dons de Deus! Jesus ensina que não somos donos dos bens que Deus colocou em nossas mãos. Esses bens são postos à disposição de todos para serem partilhados e para assegurarem uma vida digna a todos. Quem se apossa desses bens, ainda que legitimamente, em benefício próprio, sem os partilhar, está a defraudar o projeto de Deus. Quem usa os bens para ter uma vida luxuosa e sem cuidados, esquecendo-se das necessidades dos outros homens, está a defraudar os seus irmãos que vivem na miséria.

Jesus ensina que não somos donos dos bens que Deus colocou em nossas mãos, ainda que os tenhamos adquirido de forma legítima: somos apenas administradores, encarregados de partilhar com os irmãos aquilo que pertence a todos. Esquecer isto é viver de forma egoísta e, por isso, estar destinado aos “tormentos”.

Portanto, o projeto de Deus passa por um “Reino” de fraternidade, de amor e de partilha e quem recusa esse projeto e escolhe viver fechado no seu egoísmo e auto-suficiência, não pode fazer parte desse mundo novo de fraternidade que Deus quer propor aos homens.

Proponho a seguinte reflexão: Como me situo face aos bens? Vejo os bens que Deus me concedeu como “meus, muito meus, só meus”, ou como dons que Deus depositou nas minhas mãos para eu administrar e partilhar, mas que pertencem a todos os homens?

Brasília, 30 de setembro de 2013.

Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PARÁBOLAS DA MISERICÓRDIA

  
O Evangelho segundo Lucas (Lc 15,1-32) apresenta-nos o Deus que ama todos os homens e que, de forma especial, preocupa-se com os pecadores, com os excluídos, com os marginalizados.

Traz três parábolas, chamadas de Parábolas da Misericórdia, as quais expressam, de forma privilegiada, o amor de Deus que se derrama sobre os pecadores.

A primeira parábola é a da ovelha perdida. Parece ilógico abandonar noventa e nove ovelhas por causa de uma que se extraviou, porém ir ao encontro da que estava perdida mostra a preocupação de Deus com cada homem, que se afasta da comunidade da salvação; significa o cuidado e a solicitude de Deus, que trata com cuidado e com amor os filhos que se afastaram e que necessitam de cuidados especiais.

A segunda parábola é a da dracma perdida. Esta reafirma o ensinamento da parábola anterior, ou seja, o amor misericordioso e constante de Deus, que busca aquele que se perdeu e alegra-se quando o encontra. A imagem da mulher preocupada, que varre a casa de cima a baixo, ilustra a preocupação de Deus em reencontrar aqueles que se afastaram da comunhão com Ele. Há a alegria do reencontro, a qual manifesta a felicidade de Deus diante do pecador que volta.

A terceira parábola é a do filho pródigo. Esta apresenta o quadro de um pai (Deus), em cujo coração triunfa sempre o amor pelo filho, aconteça o que acontecer. Ele continua a amar o filho rebelde e ingrato, apesar da sua ausência, do seu orgulho e da sua auto-suficiência; e esse amor acaba por revelar-se na forma emocionada como recebe o filho, quando ele resolve voltar para a casa paterna. O pai (Deus) respeita a liberdade de escolha e as decisões do filho, mesmo que ele use essa liberdade para buscar a felicidade em caminhos errados. Aconteça o que acontecer, o pai continua a amar, a esperar ansiosamente o regresso do filho, preparado para o acolher com alegria e amor.

Como podemos observar, nessas três Parábolas da Misericórdia temos a justificação da atitude de Jesus para com os pecadores. Ele jamais rejeita-os, não os marginaliza, mas ama-os com amor de Pai. Preocupa-se com eles, vai ao seu encontro, solidariza-se com eles, estabelece com eles laços de familiaridade, abraça-os com emoção, cuida deles com solicitude, alegra-se e faz festa quando eles voltam à casa do Pai, pois é um Deus que ama a todos os seus filhos, sem exceção, é amor incondicional apesar do pecado e do afastamento do filho.

Deus abomina o pecado, contudo não deixa de amar o pecador. E é essa lógica que deve marcar a nossa atitude face àqueles que nos ofendem e, mesmo, face àqueles que têm vidas duvidosas ou moralmente reprováveis. Com o perdão reconciliamo-nos com eles e nos aproximamos, principalmente, de Deus. Quem é perdoado, sempre que se converte e volta arrependido, naturalmente encontrará um Pai bondoso e misericordioso para acolhê-lo.


Brasília 06/09/2013
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

SETEMBRO: MÊS DA BÍBLIA


Toda Bíblia É Comunicação

Toda Bíblia é comunicação
De um Deus Amor, de um Deus irmão.
É feliz quem crê na Revelação,
Quem tem Deus no coração.

Jesus Cristo é a Palavra,
Pura imagem de Deus Pai.
Ele é vida e verdade, a suprema caridade.
Os profetas sempre mostram a verdade do Senhor.
Precisamos ser profetas para o mundo ser melhor.

Nossa fé se fundamenta na palavra dos apóstolos.
João, Mateus,Marcos e Lucas transmitiam essa fé.
Vinde a nós, ó Santo Espírito, venha nos iluminar.
A Palavra que nos salva, nós queremos conservar.

Segundo a música do Padre Zezinho, a Bíblia é realmente comunicação! E esta comunicação, que se faz através da leitura e da escuta da Palavra de Deus, deve-se tornar uma constante em nossa vida, em especial no mês de setembro, como recomenda a Igreja. Hoje vamos refletir sobre o porquê o mês de setembro é o mês da Bíblia.

Para nós, católicos do Brasil, setembro é o mês dedicado à Bíblia desde 1971. Porém, desde 1947, comemora-se o “Dia da Bíblia” no último domingo de setembro.

Há 38 anos a Igreja do Brasil celebra no mês de setembro o Mês da Bíblia. A celebração teve sua origem na arquidiocese de Belo Horizonte/MG e foi se espalhando para todo o Brasil.

Mas por que o mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia? Porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo.

Pois bem, quem foi São Jerônimo? São Jerônimo é um dos grandes padres da Igreja do ocidente. Ele nasceu na Dalmácia em 340 e faleceu em 420 dC. Ele foi encarregado pelo Papa São Dâmaso de realizar uma versão latina da Bíblia, que seria depois conhecida pelo nome de Vulgata, e foi a versão empregada na liturgia romana até o século XX.

Como se vê, São Jerônimo foi um grande biblista, pois foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja. Portanto, o “Dia da Bíblia”, consequentemente o mês todo de setembro, é uma homenagem a São Jerônimo.

Hoje a Bíblia é o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e está em quase todas as casas. Provavelmente, a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade. Ela contém a Palavra de Deus, que é o fruto da comunicação entre Deus que se revela e a pessoa que acolhe e responde à Revelação. Por isso a Bíblia é formada por histórias de um povo, o Povo de Deus, que teve o dom de interpretar sua realidade à luz da presença de Deus e compreender que a vida é um projeto de amor que parte de Deus e volta para Ele.

Nesse mês da Bíblia somos convidados a estudar e refletir sobre esse maravilhoso livro que tem tanto a nos revelar e instruir.

Brasília 06/09/2013
Maria Auxiliadôra