segunda-feira, 11 de março de 2013

MULHERES DA BÍBLIA



No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Nada mais oportuno que falar sobre as mulheres da Bíblia.

Nos tempos bíblicos, a sociedade não dava nenhum privilégio à mulher, ou quase nenhum. Para ser mais exata, a mulher não tinha os mesmos privilégios que o homem, embora nas primeiras páginas da Bíblia esteja escrito que ambos têm reconhecidos os mesmos direitos, como se vê em Gn 1,27: Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou”.

Portanto, a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus significa modo de presença e de redenção, não é ser igual a Deus. Só Deus é onipotente (possui todo poder); só Deus é onipresente (está presente ao mesmo tempo em todas as coisas); só Deus é onisciente (conhece tudo de maneira perfeita).

A pessoa humana – homem e mulher – possui a dignidade de pessoa, por isso deve ser tratada como um fim e não como um meio, pois não é um objeto ou uma coisa, mas alguém capaz de se conhecer, de se possuir e, livremente, se dar e de entrar em comunhão com outras pessoas revestidas da mesma dignidade.

Na época do Antigo Testamento e, se formos pesquisar, ainda existem sociedades que agem assim, após o casamento a mulher passava a ser propriedade do marido, ou seja, saia da tutela paterna para a guarda do marido. Ela era como um objeto, embora não fosse uma escrava. Inclusive a mulher não poderia jamais desfazer um matrimônio, ao contrário do marido que tinha o direito de repudiá-la e de casar-se novamente. Isso sem contar que havia a prática da poligamia, ou seja, o homem podia ter várias mulheres.

A vida da mulher não era fácil...vivia para o marido, para a casa e, ainda, trabalhava no campo, moía o trigo, a cevada e outros grãos, cozinhava, preparava o pão, buscava água nos poços e fontes, fiava, tecia o linho e a lã, fazia roupas e mais algumas tarefas exclusivas da mulher, como cuidar dos filhos.

No Novo Testamento, Jesus teve uma atitude, uma postura mais amistosa para com as mulheres, já que considerava tanto o homem quanto a mulher iguais em dignidade, resguardando-lhes os mesmos direitos.

Em várias passagens dos Evangelhos encontramos o respeito, a consideração e a misericórdia de Jesus pelas mulheres, por exemplo: Jesus salva a vida de uma adúltera, evitando que fosse apedrejada; Jesus tem amigas, como Marta e Maria; Jesus faz seu primeiro milagre (a transformação da água em vinho) para atender o pedido de uma mulher: Maria, sua mãe; Jesus sente pena das viúvas, como a de Naim, cujo filho único morrera, e a idosa viúva do templo, que ofertou suas duas moedas; Jesus, ao ressuscitar, aparece em primeiro lugar a uma mulher: Maria Madalena...

A título de ilustração, podemos citar algumas mulheres que se destacam:

- Eva, a mãe da humanidade;
- Sara, aquela que concebeu na velhice, mãe de Isaac, o qual tornou-se o patriarca de todos os judeus;
- Agar, a escrava, que teve um filho com Abraão (Ismael), o qual tornou-se o patriarca de todos os árabes;
- Rebeca, a mulher predestinada, que se casou com Isaac e foi mãe dos gêmeos Esaú e Jacó;
- Raquel, a noiva muito amada de Jacó, que após anos de trabalho para o pai dela e ter que se casar com Lia, irmã mais velha, finalmente conseguiu casar-se com ela;
- Raab, a dona de um prostíbulo que, com coragem e determinação, salvou dois israelitas de serem presos;
- Débora, a profetisa e juíza de uma das tribos de Israel;
- Dalila, a mulher ambiciosa que seduziu Sansão e cortou-lhe os cabelos, tirando-lhe sua força;
- Rute, a mulher estrangeira, que permaneceu ao lado da sogra, até mesmo após ambas terem ficado viúvas;
- Ana, a mãe de Samuel, que foi consagrado a Deus caso ela engravidasse;
- Betsabé, um amor proibido do rei Davi;
- Jezabel, uma mulher impiedosa, casada com o rei Acab, que só pensava em fazer maldades;
- Judite, uma viúva de fé inabalável;
- Ester, a bela rainha judia;
- Susana, a mulher judia que foi acusada injustamente de adultério e salva pelo profeta Daniel;
- Maria Madalena, a mulher de má reputação que foi perdoada por Jesus; foi para ela que Jesus primeiro apareceu após a Ressurreição;
- Marta e Maria, as irmãs de Lázaro, ambos eram amigos de Jesus. Lázaro, após quatro dias de morto, foi ressuscitado por Jesus;
- Samaritana, a mulher que se encontra com Jesus no poço de Jacó e que pede ao Senhor que lhe dê água viva, para que nunca mais tenha sede;
- Maria, Mãe de Deus.

Como vemos, as mulheres da Bíblia são exemplos de fidelidade, de virtude, de coragem, de piedade, de justiça, de humildade, de mansidão, de perdão, de devoção a Deus, de amor ao seu Criador, principalmente de amor.

Finalmente, as mulheres da Bíblia tiveram uma grande importância no Plano de Salvação, sobretudo a Virgem Maria, que foi escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Filho, pois desde o primeiro instante de sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

Por isso, Maria é verdadeiramente Mãe de Deus e com o seu “sim” cooperou para a salvação humana com livre fé e obediência.

Brasília 08/03/2013
Maria Auxiliadôra

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

FESTA DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO


Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Mt 6,18

A Igreja celebrou no dia 22 de fevereiro de 2013 a FESTA DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO. Vamos conhecer um pouco mais a riqueza do significado da cátedra, do assento, da cadeira de São Pedro que se encontra na Itália, no Vaticano, na Basílica de São Pedro. Embora a Sé Episcopal seja na Basílica de São João de Latrão, a catedral de todas as catedrais, a cátedra com toda a sua riqueza, todo seu simbolismo se encontra na Basílica de São Pedro.

O que significa a palavra “cátedra”? Cátedra é o mesmo que sede ou assento, é o símbolo de presidência e magistério.

Fala-se de Cátedra de Pedro para referir-se à autoridade doutrinal do papa e de Cátedra do bispo para indicar seu assento na catedral, símbolo de sua autoridade doutrinal.

A autoridade do Papa fundamenta-se na Sagrada Escritura, no Evangelho de São Mateus no capítulo 6, essa pergunta que Jesus fez aos apóstolos e continua a fazer a cada um de nós: "E vós, quem dizei que eu sou?" São Pedro, em nome dos apóstolos, assim afirma: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus então lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne, nem o sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está no céu, e eu te declaro: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; eu te darei a chave dos céus tudo que será ligado na terra serás ligado no céu e tudo que desligares na terra, serás desligado nos céus".

Simão Pedro foi o primeiro dos Apóstolos, nascido em Cafarnaum, exercia a sua profissão de pescador quando se encontrou com Jesus de Nazaré. Deixou o trabalho, a casa e a família para seguir o Senhor. Pelos Evangelhos percebemos que Pedro era uma pessoa simples, espontânea e simpática e Jesus o escolheu como primeiro no grupo dos Doze. Pedro será o fundamento, a rocha sobre o qual se apoiará o edifício da Igreja; ele terá as chaves do reino dos céus.

Como se vê o fundador e o fundamento, que é o Nosso Senhor Jesus Cristo, o Crucificado que ressuscitou, a Verdade encarnada, foi Ele quem escolheu Pedro para ser o primeiro Papa da Igreja e o capacitou pelo Espírito Santo com o carisma da infalibilidade. Esse carisma, da infalibilidade, bebe da realidade da própria Igreja porque a Igreja é infalível, uma vez que a alma da Igreja é o Espírito Santo, Espírito da Verdade.

E quem é o sucessor de São Pedro? Ora, o sucessor de São Pedro, na sua dignidade e poder, é o bispo de Roma. O bispo de Roma é o legítimo representante de Cristo na terra, é o chefe de todos os fiéis. É o papa!

De fato, o Papa está a serviço da Verdade, por isso, ao venerarmos e reconhecermos o valor da Cátedra de São Pedro temos que olhar para esses fundamentos todos. Não é autoritarismo, é autoridade que vem do Alto, é referência no mundo onde o relativismo está crescendo, onde muitos não sabem mais onde está a Verdade.

Nós olhamos para Cristo, para a Sagrada Escritura, para São Pedro, para este Pastor e Mestre universal da Igreja, então temos a segurança que Deus quer nos dar para alcançarmos a Salvação e espalharmos a Salvação. Essa vocação é do Papa, dos Bispos, dos Presbíteros, mas também de todo cristão.

A FESTA DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, é especialmente significativa neste ano, em vista da anunciada renúncia do Papa Bento XVI à sua missão de Sucessor de São Pedro. Devemos acolher com amor as razões apresentadas por Sua Santidade, é sinal de humildade e grandeza, características marcantes nos oito anos de seu pontificado, é o que ressalta a Nota emitida pela CNBB sobre a renúncia do Papa Bento XVI. O Arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, ao comentar sobre esse fato, disse com muita sabedoria: “Fiquem tranquilos e permaneçam unidos. O Papa quer o bem da Igreja”. Para Dom Sergio, a atitude de Bento XVI representou força e humildade. “É um gesto muito bonito, isso aumenta nossa admiração pelo Papa.”, ressaltou o Arcebispo.

Então, meu irmãos, vamos dar graças por Jesus Cristo ter fundado a nossa Igreja sobre a pedra que é Pedro, sinal vivo da santidade do Pai. Vamos repetir, muitas vezes e viver hoje a palavra: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja”

Brasília, 22/02/2013
Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NÃO TEMAS, SERÁS PESCADOR DE HOMENS Lc 5, 1-11



Esse Evangelho relata a ação dos discípulos que partilharam a barca com Jesus, acolheram suas propostas, souberam reconhecê-lo como seu “Senhor”, aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus. É neste quadro que devemos reconhecer o caminho que nós, cristãos, somos chamados a percorrer.

Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, – pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.

Meus amigos, o que podemos extrair dessa passagem do Evangelho? O que diz a Palavra? O que nos é proposto?

Vejamos: esse Evangelho é uma catequese que procura apresentar as coordenadas fundamentais da identidade cristã, ou seja, o que é ser cristão, como seguir Jesus e o que é que implica seguir Jesus...

Quando Jesus estava falando ao povo, se viu comprimido, por isso subiu à barca de Pedro, não foi isso? Pois bem, de lá continuou a ensinar e, quando terminou, disse para Pedro lançar as redes. O que fez Pedro? Embora já tivesse tentado antes, ele até comenta “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede”, Pedro jogou as redes. Veio tanto peixe, tanto peixe, que foi preciso chamar outros pescadores para ajudar. Apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede quase se rompeu e encheram as barcas que quase foi ao fundo, imaginem a euforia... Diante daquele fenômeno tanto Pedro como João e Tiago se dizem indignos de estarem na presença de Jesus, porém Jesus diz que dali por diante ele seria pescador de homens.

Pois bem, qual o significado de Pedro ter lançado as redes, embora ele já tivesse a noite inteira tentado sem nada ter pescado? Lançar as redes é o mesmo que CONFIAR, OBEDECER porque foi a ordem que Jesus deu. Foi dessa confiança e dessa obediência que resultou o chamado para Pedro ser pescador de homens.

Reflitamos: nós confiamos e obedecemos ao Senhor? Se você tivesse tentado pescar a noite inteira e nada tivesse pescado faria o mesmo que Pedro, ou seja, confiaria e obedeceria?

Confiar, obedecer, esperar no Senhor são bênçãos que devemos renovar a todo instante...
Devemos pedir ao Espírito Santo, que tudo pode em nós, que nos dê a graça de confiar e obedecer a tudo aquilo que o Senhor nos ordenar.

Isso é ser cristão! Cristão é aquele que segue a Cristo, o nome vem daí... Ser cristão é estar no mesmo barco com Jesus, é escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas ordens, as suas indicações.

Muitas vezes, pelo nosso olhar racional, humano, as propostas de Jesus parecem ilógicas, sem sentido, fora da realidade do mundo, desse mundo que vivemos, aliás, os valores desse mundo são bem diferentes dos valores de Jesus...

Por isso, precisamos confiar, INCONDICIONALMENTE, entregar-nos nas mãos de Jesus, sem medo de ser feliz, afinal Jesus é o Senhor.

Por isso, devemos aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens, isto é, continuar a obra libertadora de Jesus em favor do ser humano, libertando-o de tudo aquilo que rouba a sua vida e a sua felicidade.

Por isso, devemos aceitar a nossa missão de combater o mal, o egoísmo, a miséria, a injustiça, enfim, combater tudo o que oprime e impede a pessoa de viver com dignidade e de ser feliz.

Por isso, devemos deixar tudo e segui-lo.
Meus amigos, entrem no barco de Jesus e viajem com Ele.

Brasília 08/02/2013
Maria Auxiliadôra Martins Melo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MARIA VISITA ISABEL


  
Hoje refletiremos sobre o Evangelho de São Lucas (Lc 1,39-45), sobre a visita de Maria à casa de Zacarias, sacerdote e esposo de Isabel, prima de Maria.

Primeiramente, façamos uma pequena retrospectiva dos acontecimentos. Zacarias e Isabel eram muito piedosos e oravam para que Deus enviasse um rei ungido, um rei justo e bom, não um grande guerreiro.

Zacarias e Isabel já estavam casados há algum tempo e, como todo casal da época, logo que se casava o desejo maior era de ter um filho. Porém, eram idosos e não tinham filhos. Então, quando Zacarias estava no templo de Jerusalém, no altar ele orou para que Deus enviasse seu Rei Prometido para salvar Israel. De repente, apareceu um anjo e ficou de pé ao seu lado. Ora, Zacarias ficou apavorado.

O anjo era Gabriel, o mensageiro enviado por Deus para preparar o caminho para a vinda do próprio Rei. Disse-lhe que Deus ouvira as suas orações e que Isabel teria um filho, e este se chamaria João. Zacarias ficou sem acreditar no que via e ouvia e chegou a duvidar: - Como posso ter certeza de que você está dizendo a verdade? Foi aí que o anjo disse: - Eu sou Gabriel, Deus me mandou trazer essa boa notícia a você, mas você ficará mudo até que seu filho nasça, porque você não acreditou. Depois disso, Zacarias saiu do templo e, como estava mudo, só podia apontar para o alto e depois tocar seus lábios silenciosos.

Enquanto isso...

Maria morava em Nazaré, uma cidade que ficava nas montanhas, ao norte da Galileia. Ela também recebera a visita do anjo Gabriel, o poderoso anjo de Deus, o portador da boa notícia. O anjo Gabriel apareceu justamente a ela para anunciar-lhe que o poder de Deus a envolveria e o Espírito Santo viria sobre ela; e que o seu filho seria o Filho do próprio Deus. Maria seria a mãe de Jesus, o Salvador, por quem todos esperavam ansiosamente porque iria trazer paz, felicidade e tantas outras coisas boas.

Naturalmente, Maria ficou muito surpresa e assustada por ter sido escolhida por Deus, entre tantas outras jovens. Além disso, ainda não estava casada com José, seu noivo, a quem estava prometida. Embora ela não conseguisse entender muito bem, pois era muito humilde, mas muito crente no poder de Deus, e desejava agradá-Lo de todo o coração e fazer a sua vontade. Respondeu ao anjo que estava pronta para fazer qualquer coisa que Deus a pedisse: - Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. Deu o seu “sim”, cheio de coragem e de confiança em Deus. Foi ai que Maria resolveu visitar Isabel, ela acreditava que a prima era a única pessoa com quem pudesse dividir aquela situação.

Assim, saiu às pressas, entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Isabel a viu chegar e saiu correndo para encontrá-la. Imaginem a alegria daquele encontro... Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: - Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!

Maria não sabia se ria ou se chorava. Estava tão agradecida, tão plena de paz, de alegria, tão cheia do Espírito Santo, tão agradecida a Deus que desatou a cantar, exaltando a bondade Dele. Quantas coisas grandiosas Ele havia feito! Maria ficou com Isabel uns três meses e daí voltou para Nazaré.

Como vemos, nesse Evangelho temos dois extremos: a humildade de uma serva, Maria, que vai ajudar a prima Isabel, com toda a disponibilidade, no fim da gravidez, enquanto ela mesma estava grávida; e a grandeza de Deus, no seu Filho Jesus, que Maria exalta no júbilo do Magnificat. Ou seja: SERVIÇO e GRANDEZA – duas faces inseparáveis do Ministério de Deus. Então, não basta estarmos na Igreja, só para cumprir os preceitos, temos, sim, que entrar para rezar e sair para servir.

Brasília, 21 de dezembro de 2012.
Maria Auxiliadôra

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ADVENTO

  
A nossa reflexão de hoje será sobre o Advento. No primeiro domingo do mês de dezembro damos início ao Tempo do Advento.

O que significa “advento”? Advento quer dizer aquilo que vem vindo, que vai chegar. Por isso, antes de chegar o Natal, há o tempo do Advento. São exatamente quatro semanas, durante as quais se espera o nascimento de Jesus. Esse tempo, ou seja, durante essas quatro semanas, devemos nos preparar. De que maneira? Bem, esse tempo é dedicado à reflexão e preparação para a chegada do Senhor Jesus, como acabei de falar.

Muito tempo antes de nascer, Jesus já era esperado. Os antigos patriarcas e profetas hebreus esperavam o Messis, isto é, o Salvador, Aquele que seria enviado por Deus para libertar o povo de Israel.

E nós, hoje em dia, também devemos esperar Jesus durante o Advento. Ele é o Messias que, a cada ano, chega no Natal para nos trazer a paz, a promessa de uma vida futura com liberdade e amor.

Então, vamos assim fazer:

- na primeira semana do Advento: nesta semana, você deve começar a se preparar para a chegada do Menino Jesus. É precido ver se tudo está em ordem para recebê-lo. Veja bem: faça uma revisão de sua vida, de seus atos... como tenho vivido? Tenho procurado a paz, ser um promotor ou promotora da paz entre as pessoas, meus irmãos e amigos? Tenho seguido ou, ao menos, tentado seguir os ensinamentos de Jesus? Tenho desempenhado minha missão de discípulo missionário? Tenho sido um pai ou mãe cuidadoso, levando meus filhos à Igreja?

- na segunda semana do Advento: nesta semana, você deve conversar com seus amigos, seus familiares, seus colegas de trabalho sobre a chegada do Menino Jesus. Será que todos eles estão também preparados? Se não estiverem, ajude-os.

- na terceira semana do Advento: agora já falta pouco para Jesus nascer. Você pode, juntamente com seus amigos e familiares, formar um grupo e procurar falar da chegada do Menino Deus a outras pessoas, incusive às crianças, aos seus alunos, é uma ótima oportunidade para evangelizar, talvez essas pessoas, essas crianças, esses jovens e adolescentes não estejam se preparando muito bem para o Natal...

- na quarta semana do Advento: agora faltam apenas alguns dias para Jesus chegar... Então, vamos aguardá-lo com muita alegria, com entusiasmo, com amor no coração, assim como fizeram os pais de Jesus, Maria e José.

Uma dica: aliás essa dica não é idéia minha original, muitas pessoas têm o costume, para acompanhar bem o tempo do Advento, de preparar uma coroa com galhos de plantas, ou de papel ou qualquer outro material e ali fixar quatro velas, cada uma simbolizando uma semana e à medida que as semanas forem acontecendo cada vela vai sendo acesa, de modo que, ao final todas estarão acesas, fica lindo! No primeiro domingo do Advento, acenda uma velinha e reze uma oração para o Menino Jesus, apagando-a ao terminar de rezar. Faça a mesma ciosa nos outros domingos, sempre acendendo mais uma vela. No último domingo, acenda as quatro velas, isso tudo, é claro, rezando.

Para finalizar, vamos fazer a Oração do Advento, bem simples, e só ao ler você vai gravar:

“Eu o espero, Jesus. Venha logo!
Você nasceu em Belém e foi um menino, como eu fui.
Mas eu sei que você é o Filho de Deus, que veio do céu.
Traga então a sua paz e a sua amizade para o meu coração, que o espera impacientemente.
E também para o coração de todos os homens.
Ensine a eles o caminho que leva à gruta de Jesus
e faça com que todos se sintam irmãos.
Amém”.

Brasília 30/11/2012
Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO


Hoje falaremos sobre a Solenidade de Cristo, Rei do Universo – a Festa de Cristo Rei. Esta é uma das festas mais importantes no calendário litúrgico, nela celebramos aquele Cristo que é o Rei do universo. O seu Reino é o Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz. O título dado a Cristo, ou seja, “Rei”, põe em relevo sua soberania sobre todo criado.

Esta festa litúrgica foi estabelecida pelo Papa Pio XI em 11 de março 1925. O Papa quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. Mais tarde a data da celebração foi mudada dando um novo senso. O atual calendário mantém esta festa, colocada no último domingo do ano litúrgico, ou seja, no final de novembro.

O ano litúrgico termina com esta festa que salienta a importância de Cristo como centro da história universal. É o alfa e o ômega, o princípio e o fim. Cristo reina nas pessoas com a mensagem de amor, justiça e serviço. Jesus é o rei e a realeza de Jesus não pode ser entendida à maneira dos reis deste mundo: é uma realeza que se concretiza de acordo com uma lógica própria, a lógica de Deus. O Evangelho desse próximo domingo, Jo 18, 33b-37, especialmente, explica qual é a lógica da realeza de Jesus e o Reino de Cristo é eterno e universal, quer dizer, para sempre e para todos os homens.

Esta festa tem um sentido escatológico (que diz respeito às últimas coisas, em referência a um acontecimento decisivo) na qual nós celebramos Cristo como Rei de todo o universo. Nós sabemos que o Reino de Cristo já começou a partir de sua vinda na terra há quase dois mil anos, porém Cristo não reinará definitivamente em todos os homens até que volte ao mundo com toda a sua glória no final dos tempos. Jesus nos antecipou sobre esse grande dia, em Mateus 25, 31-46.

Na festa de Cristo Rei celebramos que Cristo pode começar a reinar em nossos corações no momento em que nós permitimos isto a ele, e o Reino de Deus pode, deste modo, fazer-se presente em nossa vida. Desta forma estabelecemos o Reino de Cristo de agora em diante em nós mesmos e em nossas casas, emprego e vida.

Jesus nos fala das características do seu Reino por várias parábolas no capítulo 13 de Mateus:

"O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando dele, semeou no seu campo".

"O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos".

"O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado".

"Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo".

Então, nestas parábolas Jesus nos faz ver claramente que vale a pena procurar e viver o Reino de Deus, isto vale mais do que todos os tesouros da terra e que o crescimento dele será discreto, sem ninguém perceber, mas efetivo.

E a Igreja tem a responsabilidade de orar e aumentar o reinado de Jesus Cristo entre os homens. O aumento do Reino de Deus deve ser o centro de nossa vida como membros da Igreja. Fazer com que Jesus Cristo reine no coração dos homens, nas casas, nas comunidades e nas cidades.

Assim, poderemos chegar a um mundo novo no qual reinará o amor, a paz, a justiça e a salvação eterna de todos os homens.

Para que Jesus reine em nossa vida, devemos em primeiro lugar conhecer Cristo. A leitura e reflexão do Evangelho, a oração pessoal e os sacramentos são os meios para conhecê-Lo e as graças recebidas vão abrindo os nossos corações a seu amor. Trata-se de conhecer Cristo de uma maneira experimental e não só teleológica. Temos que fazer uma experiência de Cristo. Devemos rezar com profundidade, escutar Cristo que nos fala. Ao conhecer Cristo expressaremos o amor de maneira espontânea, por que Ele é bondade, Ele é amor.

O amor a Cristo nos levará quase sem perceber a pensar como Cristo, querer como Cristo e sentir como Cristo, vivendo uma vida de verdadeira caridade e Cristandade autentica. Automaticamente imitaremos Cristo e cada vez mais o conheceremos e o amaremos e amando-o, então podemos experimentar seu Reino.

Dedicar a nossa vida a expandir o Reino de Cristo na terra é o melhor que podemos fazer, pois Cristo nos recompensará com alegria e uma paz profunda e imperturbável em todas as circunstancias da vida.

Oração a Cristo Rei

Cristo Jesus,
Eu vos reconheço como Rei do universo.

Tudo isto que foi feito, foi criado por Vós.
Exercitai, então, sobre mim todos os vossos direitos.

Renovo as minhas promessas do batismo.

Renuncio a Satanás, a suas vaidades e as suas obras
E vos prometo de viver como um bom cristão.

E de modo particular, me comprometo a fazer triunfar com todas as minhas forças, os direitos de Deus e da Vossa Igreja.

Divino Coração de Jesus,
Vos ofereço as minhas pobres ações, para obter que todos os corações reconheçam a vossa realeza sagrada para que, assim, se estabeleça em todo mundo o reino da vossa paz.
Amém


Brasília 23/11/2012
Maria Auxiliadôra Martins Melo

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CARTA APOSTÓLICA PORTA FIDEI – ANO DA FÉ - Resumo


1 – BATISMO: PORTA DE ENTRADA DA FÉ - O Batismo é a porta de entrada da fé para uma vida em comunhão com Deus em Igreja, quando o coração está aberto para receber a graça que transforma. É um caminho que dura a vida inteira até a morte para a vida eterna. Com o Batismo, se professa a fé na Trindade - crer na Trindade é crer no Deus de Amor (Pai, Filho e Espírito Santo).

2 – REDESCOBERTA DO CAMINHO DA FÉ – Em meio a profunda crise de fé que a sociedade está passando e a preocupação dos cristãos com coisas alheias (mundanas), quando deveriam preocupar-se com a própria fé, que é o pressuposto de sua vida diária, o Papa propõe que se redescubra o caminho da fé para fazer brilhar a alegria do encontro com Cristo.

3 – JESUS: PALAVRA ENCARNADA - Não se pode deixar que a fé morra, mas readquirir o hábito de alimentar-se com a Palavra de Deus e a Eucaristia, na Igreja, pois só Jesus Cristo satisfaz plenamente o coração do homem, só Ele é o caminho para a salvação.

4 – PROCLAMAÇÃO DO ANO DA FÉ - Em decorrência da necessidade da redescoberta da fé, o Papa decidiu proclamar o Ano da Fé, com início em 11.10.2012 (50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e 20 anos do Catecismo da Igreja Católica) e término em 24.11.2013 (Solenidade do Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo), com o objetivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. A abertura do Ano da Fé vai coincidir com o Sínodo dos Bispos, cujo tema é “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”. Já houve outra celebração do Ano da Fé, em 1967, pelo Papa Paulo VI, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo.

5 – SUBSÍDIO PARA OS CRISTÃOS - A exemplo do Ano da Fé proclamado pelo Papa Paulo VI, este Ano, também, se faz necessário como subsídio para orientar os cristãos, bem como toda a Igreja, para o século que se inicia.

6 – A FÉ COMO RESPOSTA - O Ano da Fé é um convite para uma renovada conversão a Jesus Cristo, com o testemunho dos crentes e da Igreja, guiada e fortalecida pelo próprio Cristo, pois a fé é a resposta ao amor de Deus.

7 – A FÉ TORNA A PESSOA FECUNDA - Cristo chama o homem e este é atraído para Cristo, que o impele a evangelizar. Também, à Igreja, Cristo confia-lhe a missão de evangelizar que deve ser renovada continuamente a fim de que a mensagem seja transmitida com alegria, com convicção, com entusiasmo; a fé torna a pessoa fecunda.

8 – PROFISSÃO DO CREDO - O Papa convoca toda a Igreja para celebrar o Ano da Fé de forma digna e fecunda, para intensificar a reflexão sobre a fé, professar publicamente a profissão do Credo e revigorar a adesão ao Evangelho.

9 – LITURGIA E EUCARISTIA - Essa convocação é, também, para todos os crentes professarem a fé de maneira plena, convicta, confiante, sobretudo pelo testemunho de vida, inclusive professando o Credo em todos os momentos: ao se deitar, ao se alimentar, nas praças etc. Dessa maneira, a celebração da fé ajudará a redescobrir a importância da liturgia e, principalmente, a centralidade da Eucaristia.

10 – CONTEÚDOS DA FÉ - Há um percurso para se entender os conteúdos da fé: Primeiro, quando se professa com a boca, pressupõe-se que se creia, pois o coração é que dá esse indício do dom da fé em Deus e indica um testemunho e um compromisso. Portanto, o coração indica o ato pessoal e livre que acolhe o conteúdo da fé; a boca indica os conteúdos professados. O coração indica a dimensão pessoal, a boca a dimensão comunitária. A fé é uma decisão pessoal e um ato da liberdade que exige assumir com responsabilidade social aquilo em que se acredita. Segundo, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. A profissão pessoal da fé se fundamenta na fé recebida, por meio do Batismo.

11 – IMPORTÂNCIA DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA - Trata da importância do Catecismo da Igreja Católica, um dos frutos mais valiosos do Concílio Vaticano II e norma segura para o ensino da fé, a serviço da comunidade eclesial. O centro do Catecismo é a Pessoa de Jesus Cristo. Nele sobressai a doutrina confiada à Igreja, bem como a profissão de fé, a liturgia, os sacramentos e a vida moral.

12 – FÉ E CIÊNCIA - O Catecismo é instrumento de apoio da fé para formação dos cristãos, inclusive para mostrar que não há qualquer conflito entre fé e ciência. A Congregação da Doutrina da Fé deverá emitir Nota com algumas indicações para viver o Ano da Fé.

13 – REVISÃO DE VIDA E TESTEMUNHOS DE FÉ - Para viver o Ano da Fé é necessário fazer uma revisão da própria história de vida, marcada pelo pecado, mas em busca da santidade. Cita as seguintes pessoas como exemplos de testemunhos fé: Maria e José, Apóstolos, discípulos, Mártires, homens e mulheres consagrados e leigos.

14 – TESTEMUNHO DE CARIDADE - O Ano da Fé será uma oportunidade para intensificar o testemunho da caridade, já que fé e caridade andam juntas, uma sustenta a outra. É a fé que permite reconhecer Jesus nos irmãos, estes são o próprio rosto de Cristo.

15 – NÃO SER INDOLENTE NA FÉ - O Papa ressalta a importância de não se negligenciar e não se tornar indolente na fé, esta é companheira da vida, é sinal vivo da presença de Cristo Ressuscitado no mundo. Deve-se ser sinal de fé pelo testemunho (testemunho credível). O Papa deseja que este Ano torne mais firme a relação com Cristo Senhor, que se tenha certeza que Ele venceu o mal e a morte, que está no meio de todos e permanece na Igreja a quem foi confiado o depósito da fé. Finaliza o documento, dedicando o Ano da Fé à Nossa Senhora, que é “feliz porque acreditou”.

Janete Gomes Seabra e Maria Auxiliadôra Martins Melo
Brasília,  21  de  julho  de  2012.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O USO DO NOME DE JESUS


Hoje refletiremos sobre “o uso do nome de Jesus” – tema do Evangelho segundo São Marcos (Mc 9,38-43.45-47-48).

Naquele tempo, João disse a Jesus: “Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demônios em teu nome e procuramos impedir-lhe, porque ele não anda conosco”.

João disse isso porque tanto ele quanto os outros discípulos ainda não tinham conseguido absorver os valores do Reino. Eles consideravam um abuso alguém que não pertencesse ao grupo deles utilizar do nome de Jesus para, no caso, expulsar demônios. Na verdade, a atitude dos discípulos mostra intolerância e, porque não dizer, ciúmes, por se julgarem donos exclusivos do bem e da verdade…

Porém, Jesus disse: “Não o proibais, pois não há ninguém que faça milagre em meu nome e logo depois possa falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós. De fato, quem vos der a beber um copo d’água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço a mó que os jumentos movem e o lançassem/atirassem ao mar. E se tua mão é para ti ocasião de escândalo (te escandalizar), corta-a: porque é melhor entrar mutilado para a Vida do que, tendo as duas mãos ires para a Geena, para o fogo que não se apaga (inextinguível). E se teu pé é para ti ocasião de escândalo/te escandalizou, corta-o: melhor é entrares com um pé só (coxo) para a Vida do que tendo os dois pés, seres lançado na Geena. E se teu olho é para ti ocasião de escândalo/te escandalizar, arranca-o: melhor é entrares com um olho só no Reino de Deus do que, tendo os dois olhos, seres atirado na Geena, onde o verme não morre e onde o fogo não se apaga”.

Como vemos, Jesus dá instruções aos discípulos no sentido de lhes mostrar os valores que eles devem interiorizar, se quiserem integrar a comunidade messiânica. E para tomar parte nessa comunidade, a comunidade messiânica, não se pode estar fechado, sabe por que? Porque a comunidade de Jesus não pode ser uma comunidade exclusivista, muito menos monopolizadora, que sente ciúmes quando alguém de fora faz o bem; nem pode sentir-se atingida nos seus privilégios e direitos pelo fato de o Espírito de Deus atuar fora das fronteiras da Igreja… Ora, o Espírito Santo sopra onde quer e quando quer...

A comunidade de Jesus deve ser uma comunidade que põe, acima dos seus interesses, a preocupação com o bem do ser humano; deve ser uma comunidade que sabe acolher, que sabe abraçar, que apóia e estimula todos os que atuam em favor da libertação dos irmãos, principalmente dos mais necessitados. Fazer algo que afaste uma dessas pessoas de Cristo e da comunidade é algo verdadeiramente inadmissível e impensável, esse tipo de atitude não é cristã! O cristão é diferente, deve agir diferente; ele é capaz de se alegrar com os gestos de bondade e de esperança que acontecem à sua volta, mesmo quando esses gestos resultam da ação de não-crentes ou de pessoas que não pertencem à instituição Igreja.

Que ver um exemplo? A gente cansa de ver pessoas de outros seguimentos religiosos, que não são da nossa Igreja, capazes de gestos incríveis de doação, de entrega, de serviço aos irmãos. Em nossa comunidade existem muitos grupos, pastorais que também ajudam famílias, creches, orfanatos, asilos... Então, esses gestos não são exclusivos de nenhum grupo ou seguimento religioso. Pergunto: podemos afirmar que só nós, católicos, é que temos o direito de “usar” o nome de Jesus? Claro que não. Repito: o Espírito Santo sopra onde quer...

Outra coisa: quando Jesus fala em cortar a mão ou de cortar o pé ou de arrancar o olho não é no sentido literal, ou seja, ao pé da letra... Ele quer sublinhar, enfatizar, dizer com veemência a necessidade de atuar, lá onde as ações más do homem têm origem e eliminar na fonte as raízes do mal. É no sentido de cortar o mal pela raiz, cortar os maus sentimentos, os maus comportamentos, ou seja, os comportamentos incompatíveis com os ensinamentos de Jesus e que impedem o acesso à vida plena.

A gente responde não apenas por ação, por gestos, mas também por omissão, por pensamentos, palavras... Portanto, devemos estar vigilantes às nossas atitudes e constantemente nos questionarmos: O que é que eu necessito, prioritariamente, de “cortar” da minha vida, para me identificar mais com Jesus, para merecer integrar a comunidade do Reino, para ser mais livre e mais feliz?


Brasília 01/10/2012
Maria Auxiliadôra

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sabedoria de Deus e sabedoria do mundo


Hoje refletiremos sobre a “Sabedoria de Deus e a sabedoria do mundo” – tema do Evangelho segundo São Marcos (Mc 9, 30-37).

Vamos fazer uma pequena recapitulação. Em nossa reflexão anterior (Mc 8, 27-35), cujo tema é “Como seguir Jesus”; Jesus fala: “se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me....” Ali Jesus faz o primeiro anúncio de sua paixão. Pois bem, agora vamos refletir o segundo anúncio da paixão.

Jesus, imbuído/impregnado da lógica de Deus, está disposto a aceitar o projeto do Pai e a fazer da sua vida um dom de amor aos homens. Os discípulos, imbuídos/envolvidos da lógica do mundo, não têm dificuldade em entender essa opção e em comprometer-se com esse projeto. Mas, Jesus avisa-os de que só há lugar na comunidade cristã para quem escuta os desafios de Deus e aceita fazer da vida um serviço ao próximo, aos irmãos, particularmente aos humildes, aos pequenos, aos pobres...

Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galiléia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava os discípulos. Ao longo dessa “caminhada para Jerusalém”, Jesus vai catequizando os discípulos, ensinando-lhes os valores do Reino e mostrando-lhes, com gestos concretos, que o projeto de Deus não passa por esquemas de poder e de domínio.

E enquanto caminhavam Jesus ensinava e disse-lhes: “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará.” Jesus faz o anúncio da sua paixão, morte e ressurreição, como falei, esse foi o segundo anúncio. Suas palavras denotam tranquilidade e uma serena aceitação desses fatos que irão concretizar-se num futuro próximo. Jesus recebeu do Pai a missão de propor aos homens um caminho de realização plena, de felicidade sem fim; e Ele vai fazê-lo, mesmo que isso passe pela cruz. A serenidade de Jesus vem-Lhe da total aceitação e da absoluta conformidade com os projetos de Deus.

Nós, cristãos, um dia aderimos a Jesus e aceitamos percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu. Pensemos: que valor e que significado tem, para nós, essa vontade de Deus que dia a dia descobrimos nos pequenos acidentes da nossa vida? Temos a mesma disponibilidade de Jesus para viver na fidelidade aos projetos do Pai? O que é que dirige e condiciona o nosso percurso: os nossos interesses pessoais ou os projetos de Deus?

Jesus acabou de falar, mas os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Os discípulos mantêm-se num estranho silêncio diante deste anúncio. As palavras de Jesus são claras; o que não é claro, para a mentalidade desses discípulos, é que o caminho do Messias tenha de passar pela cruz e pelo dom da vida. A morte, na perspectiva dos discípulos, não pode ser caminho para a vitória. O “não entendimento” é, aqui, o mesmo que discordância: intimamente, eles discordam do caminho que Jesus escolheu seguir, pois acham que o caminho da cruz é um caminho de fracasso. Apesar de discordarem de Jesus eles não se atrevem a perguntar e permanecem calados.

A atitude (dos discípulos) mostra a dificuldade que as pessoas têm em entender e acolher a lógica de Deus. No entanto, a reação de Jesus diante de tudo isto é clara: quem quer seguir Jesus tem de mudar a mentalidade, os esquemas de pensamento, os valores egoístas e abrir o coração à vontade de Deus, às propostas de Deus, aos desafios de Deus. Não é possível fazer parte da comunidade de Jesus, se não estivermos dispostos a realizar este processo.

E quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa (o termo “em casa” pode ser que se refira a casa de Pedro...), Jesus perguntou-lhes: “Que discutíeis no caminho? (sobre que discutíeis no caminho)” Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos” (se alguém quiser ser o primeiro seja o último de todos e o servo de todos). Ora, na comunidade de Jesus, só é grande aquele que é capaz de servir e de oferecer a vida aos seus irmãos e com essas palavras Jesus provoca um impacto em seus discípulos, apesar de toda a convivência com Jesus...

E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou” (aquele que receber uma destas crianças por causa do meu nome, a mim recebe; e aquele que me recebe, não é a mim que recebe, mas sim aquele que me enviou). Aqui, Jesus completa a instrução aos discípulos com um gesto: pega uma criança, coloca-a no meio do grupo, abraça-a e convida os discípulos a acolherem as “crianças”, pois quem acolhe uma criança acolhe o próprio Jesus e acolhe o Pai.

Cabe um esclarecimento: na sociedade palestina daquela época, as crianças (assim como as mulheres, os pobres, os portadores de necessidades especiais) eram seres sem direitos, não tinham direito nenhum ou quase nenhum. Eram, portanto, um símbolo dos débeis, dos pequenos, dos sem direitos, dos pobres, dos indefesos, dos insignificantes, dos marginalizados. Porém, são esses exatamente que a comunidade de Jesus deve abraçar.

No contexto da conversa de Jesus com os discípulos, o gesto de Jesus tem a seguinte significância: o discípulo de Jesus é grande, não quando tem poder ou autoridade sobre os outros, mas quando abraça, quando ama, quando serve os pequenos, os pobres, os marginalizados, aqueles que o mundo rejeita e abandona. No pequeno e no pobre que a comunidade acolhe, é o próprio Jesus (que também foi pobre, débil, indefeso) que se torna presente.

Nesse evangelho, Jesus convida-nos a repensar a nossa forma de nos situarmos, quer na sociedade, quer dentro da própria comunidade cristã. Na nossa sociedade, geralmente, os primeiros são os que têm dinheiro, os que têm poder, os que frequentam as festas badaladas da sociedade, os “chiques”, os que se vestem segundo as exigências da moda, os que têm sucesso profissional, os que sabem colar-se aos valores politicamente corretos… E na comunidade cristã? Quem são os primeiros?

Tais comportamentos são ainda mais graves quando acontecem dentro da comunidade cristã: trata-se de comportamentos incompatíveis com o seguimento de Jesus. Nós, os seguidores de Jesus, não podemos de forma alguma pactuar com a “sabedoria do mundo”; e uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em conta os esquemas do mundo não é a Igreja de Jesus.

As palavras de Jesus não deixam qualquer dúvida: “quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos”. Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade, simplicidade e amor, faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos.

Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu, aceitando cada serviço, cada missão, com humildade, dando o melhor de si. Pensemos: seremos capazes de acolher e de amar os que levam uma vida pouco exemplar, os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os difíceis, os que ninguém quer e ninguém ama? Fica a pergunta.

Brasília/DF 21/09/2012
Maria Auxiliadôra Martins Melo